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Carlos Duarte Presidente da Assembleia Geral da SDUB “Os Franceses”A derrota das coletividades leva a uma “sociedade predadora”

. SDUB “Os Franceses” uma das 5 maiores IPSSs do Barreiro

«Assistimos ao controlo do poder politico, e com o controlo deste sobre a cultura e a informação, numa espiral descontrolada, que leva Ortega Y Gasset a referir que “após a humanidade haver chegado ao grau da civilização da democracia representativa, decaiu para a “ação direta”, um retrocesso civilizacional” que leva à reverência por quem tem poder”», afirmou Carlos Duarte, na Sessão Solene Evocativa do 152 º aniversário da SDUB «Os Franceses».

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Carlos Duarte Presidente da Assembleia Geral da SDUB “Os Franceses” A derrota das coletividades leva a uma “sociedade predadora”

Por Jornal Rostos

Neste dia em que comemoramos a República, estamos de novo reunidos, para comemorar também mais um aniversário da Sociedade Democrática União Barreirense “Os Franceses” .
E quando falamos da SDUB “Os Franceses”, estamos a falar de uma das 5 maiores IPSS´s do Barreiro em número de trabalhadores, da qual “Os Franceses” fazem merecida parte.
Estas IPSS´s, cumulativamente, criaram e mantêm mais de 700 trabalhadores nos seus quadros, o que as torna num dos maiores sectores empregadores do Concelho do Barreiro.
O sector social é um dos maiores empregadores privados e de atividade vital para a economia local e também, por via da sua missão solidária, contribui decisivamente para a harmonia e coesão social, suprindo as falhas e lacunas e respondendo às necessidades da população.
Numa altura em que tantas e tantas coletividades históricas lutam contra o esquecimento e indiferença dos cidadãos, “Os Franceses” demonstram a sua pujança, com contas certas e equilibradas, com várias centenas de utentes: bebés, crianças, jovens e adultos, e com várias atividades no seu espaço.
Ao comemorar o seu centésimo quinquagésimo segundo aniversário, é com Esperança no Porvir, que mantêm a Creche, o Jardim de infância, o 1º ciclo, o Ballet, a música, a Natação, a Cantina Social, entre outros projetos de relevo.
Vivemos numa época de grandes mudanças em que as Coletividades têm quese reinventar, não para sobreviver, mas para continuarem a fazer sentido na e para a sociedade e para os cidadãos.

Mudanças políticas, sociais, económicas, cientificas e técnicas, de novas simbolizações, mudanças de época, de “desigualdades e contradições” como diria Marx, e com inevitável extremar de posições, intolerância e indiferença para com os outros.
Esta “modernidade” colocada em evidencia por uma lógica mediática, de que as redes sociais são um bom exemplo, aparentemente destrutiva para o coletivo e para o indivíduo, pode levar a regressões civilizacionais.
Fica assim de fora. o papel outrora desempenhado pelas nossas Coletividades, espaço de encontro, de convívio, de afetos e de fraternidade, em que todos contavam.
Não é por acaso que para Alain Touraine os conflitos de classe e acordos políticos constituem o fermento da ação social, evocando o fim das sociedades que parecem não sobreviver ao fim do Social, dado que o Estado, Sociedade e Sistema político estão misturados devido ao nacional-populismo.

Assistimos ao controlo do poder politico, e com o controlo deste sobre a cultura e a informação, numa espiral descontrolada, que leva Ortega Y Gasset a referir que “após a humanidade haver chegado ao grau da civilização da democracia representativa, decaiu para a “ação direta”, um retrocesso civilizacional” que leva à reverência por quem tem poder”.

A derrota das Coletividades e das Associações, do contacto real, humano e dos afetos, leva à vitória feita das comunicações à distância, (da TV, do computador ou telemóvel) que põe em contacto todo o mundo, mas que subestima, a verdadeira razão da existência.

A derrota das coletividades leva, como diria Deleuze a uma “sociedade predadora”, onde as instituições são secundárias, pois estas, supõem já comportamentos institucionalizados” Colocamos o individual à frente do coletivo, do EU à frente do TU.
Estamos perante uma sociedade onde a mediocridade e a falta de escrúpulos de tantos políticos por esse país e mundo fora, são o espelho do desprestigio da liberdade e da democracia, sem nos darmos conta que para essa mediocridade, colaboramos muitas vezes com o nosso alheamento e desprezo.
Por isso é tão importante estarmos envolvidos e intervirmos e não nos conformarmos com tudo o que nos apresentam.
Estimadas e estimados associados;

O lugar da SDUB é no coração dos Barreirenses, na compreensão do sentido coletivo, na resposta às necessidades da população, seja na certeza da segurança de nos confiarem os filhos na Creche ou no Jardim de Infância, seja no prazer de uma aula de ballet ou de um concerto de ano novo, seja no respeito pelo trabalho, valores e princípios que herdamos dos que nos antecederam nos 152 anos da vida associativa desta casa, e que nos distingue das demais coletividades e associações.
Hoje, ao comemorarmos mais um aniversário, evocamos novamente aqueles que tanto fizeram por esta instituição, tantas e tantas vezes com prejuízo das suas famílias e do seu descanso, para servir o bem comum, o bem coletivo, os outros, o TU à frente do EU.

Mas também o reconhecimento afetuoso aos sócios que fazem 50 anos de vida como “Franceses”. E saudamos os atuais e futuros sócios, aqueles que esperamos um dia possam estar aqui no nosso lugar, com espírito fraterno e solidário, com força e sabedoria, para levar ainda mais longe esta missão: a de servir!

Uma última palavra à Direção dos “Franceses”, aos seus trabalhadores e voluntários:
Muito obrigado pela dedicação diária, força e ânimo para ultrapassarem os obstáculos, sabedoria e competência na gestão, e na resolução dos problemas… e pelo amor que põe em tudo o que fazem. São um orgulho e exemplo para todos nós! Viva os Franceses! Viva o Barreiro!

Nota - Intervenção de Carlos Duarte, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da SDUB «Os Franceses», na Sessão Solene Evocativa do 152º aniversário

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