Rotary Clube do BarreiroQuem tem medo de voar?
Estes são os números da face mais visível do transporte aéreo.

Por Jornal Rostos
No entanto, muitas são ainda as pessoas que têm receio de viajar pelo ar, ou que temem pela sua segurança. Foi sob o tema «Segurança no voo», numa palestra proferida pelo Comandante Carlos Nunes, da TAP Portugal, e membro do Rotary Club de Cascais-Estoril, que decorreu a 21ª reunião de 2005 do Rotary Club do Barreiro.
Para Carlos Nunes, “estas palestras têm em vista passar a mensagem de que voar de avião é a forma mais segura de viajar hoje em dia, o que muito se fica a dever aos reguladores e organismos internacionais que estudam todas as questões do transporte aéreo”.
«Segurança de Voo»
A TAP, a mais antiga e actualmente a maior empresa de transporte aéreo nacional, conta com 43 anos de idade e foi a empresa pioneira na criação de um Programa de Prevenção de Acidentes em 1963, programa que viria a ser considerado obrigatório em todas as companhias aéreas desde 2005 para aviões com mais de 27 toneladas.
O programa é organizado pelo Gabinete de Segurança de Voo, do qual é responsável o Comandante Carlos Nunes e engloba uma monitorização dos voos.
Esta é realizada através da gravação diária de todos os registos do que se passa a bordo, ou com um sistema paralelo de voo, dados que são estudados depois da viagem do avião, a fim de detectar qualquer irregularidade.
O sistema monitoriza cerca de 90% dos voos, garantindo uma amostragem válida das operações. As leituras são depois transformadas em valores e gráficos que podem ser facilmente analisados. Aos pilotos cabe também o direito de pedirem uma leitura dos dados do seu voo, o que lhes permite corrigir algum erro que possam ter efectuado.
“A TAP propõe também aos pilotos e a outros funcionários reportem, sem receio de sanções, erros que tenham cometido de forma a serem analisados e evitados de futuro, de forma a garantir uma auto-disciplina da tripulação, e torna-se possível utilizar essas experiências para ensinar outros pilotos.”
1996 um ano muito dramático
Nos últimos dez anos, 1996 provou ser um ano muito dramático, onde ocorreram um total de 22 acidentes que provocaram 1288 mortes. Esta situação alertou as entidades de segurança para o problema e novas formas de monitorização e de segurança foram criadas.
“As acções correctivas têm sido mais eficazes na América do Norte, Europa e Oriente, em especial na China, que já faz um intenso controlo de transporte aéreo e obteve o que de melhor a aviação tem para oferecer, ao passo que em zonas como a América do Sul (excepto no Brasil), em África e na Europa de Leste, se regista o maior número de acidentes. Os motivos? Frotas antigas com aviões provenientes da antiga URSS, e a falta de controlo das autoridades.
Em causa estão muitas vezes questões económicas, que levam as empresas aéreas a optar por equipamento e tripulação sem formação e sem condições, não assumindo que a segurança tem prioridade sobre tudo o resto.”
É preciso obter um equilíbrio entre a economia de empresa e garantir a segurança dos passageiros. Além disso, a segurança faz parte do sucesso financeiro da empresa, caso contrário, esta apenas obtém descrédito.
“A melhoria da qualidade do transporte aéreo apenas pode ser conseguida com uma aplicação de toda a estrutura por detrás desse transporte, dos aviões à tripulação, passando pelos aeroportos, operadores e autoridades de controlo do tráfego aéreo.
Apesar disso temos sempre de ter em conta que há um factor de risco que não é possível evitar, mas é possível de controlar até certo ponto.”
Uma mulher num universo masculino
Maria da Graça Araújo, presidente do Rotary Club de Cascais-Estoril, esteve também presente nesta reunião e o Rostos não resistiu a uma pergunta: Como é ser um membro feminino num Club tipicamente masculino?
“É um pouco complicado, porque ainda existem indivíduos, muito machistas, que consideram que o lugar das mulheres é em casa e que têm tendência a sentir-se diminuídos com a presença das mulheres, e isso acontece em todo o país.
Torna-se cada vez mais necessária e muito importante a presença de mulheres no Rotary, porque nós temos uma sensibilidade diferente que nos ajuda a resolver e encarar os problemas. No entanto, a escolha de ter ou não mulheres nos respectivos Clubs apenas recai sobre os seus membros.”
Em relação às possíveis diferenças entre os Clubs do país, Maria da Graça não encontra nenhumas “talvez porque só conheça bem a realidade do Rotary de Cascais-Estoril, mas julgo que na sua essência são todos semelhantes, com pessoas que se envolvem de todo o coração no que fazem e no que podem dar.”
Maria do Carmo Torres













