Saltar para o conteúdo
Movimentos

CARITAS sublinha“A ausência de valores ou a sua relativização pode conduzir à “tirania da indiferença”

“O sentido dinâmico da Paz como um valor positivo exige um esforço de construção, por oposição ao conceito de Paz como simples ausência de conflitos” – foi uma das ideias-força destacada no Colóquio promovido pela CARITAS de Setúbal, no âmbito da Operação “10 Milhões de Estrelas.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

No âmbito das iniciativas que estão a ser realizadas a propósito da Operação “10 Milhões de Estrelas -um gesto pela paz”, decorreu, no passado dia 16, um colóquio subordinado ao tema em epigrafo, que teve como orador Guilherme de Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas.

Da reflexão efectuada destacam-se as seguintes conclusões:

- O sentido dinâmico da Paz como um valor positivo exige um esforço de construção, por oposição ao conceito de Paz como simples ausência de conflitos;

- A eclosão do novo mundo que não conhece barreiras nem de espaço nem de tempo - o mundo da Comunicação, da Globalização do ciber-espaço -, trouxe uma nova dimensão para a Paz. Esta terá de saber conviver com as diferenças de toda a espécie: de território, raça, língua, cultura, religião, ideologia, economias etc. Uma Paz que tem que saber viver com os conflitos resultantes dessas diferenças, superando os afrontamentos na aceitação, compreensão, tolerância, com renúncia a egoísmos e interesses particulares;

- Os fundamentos para a Paz apontam para os Direitos e Deveres da Humanidade, que resultam da dignidade da Pessoa Humana; não de uma Humanidade, como abstracção mas de pessoas concretas;

- A necessidade de se criarem e desenvolverem, mecanismos de mediação, para a harmonização dos direitos e gestão dos conflitos, o que implica dinamismos de “promoção” da Paz;

- O Desenvolvimento, reduzido apenas a preocupações económicas, só por si, não conduz necessariamente à Paz, se esse desenvolvimento for corrompido por egoísmos que ponham os bens, dele resultantes, apenas ao serviço de alguns, quer se trate de bens materiais quer de toda a outra espécie de bens;

- A ausência de valores ou a sua relativização pode conduzir à “tirania da indiferença”; a própria ausência de valores religiosos conduz a uma sede e sensação de vazio que as superstições, as seitas e as “magias” não conseguem preencher, sendo mais um factor a afectar a coesão e a prejudicar os caminhos para a Paz;

- A Paz construída pela singularidade de cada indivíduo tem a força evocada pela parábola evangélica do grão de mostarda que na sua pequenez contém a força germinativa do arbusto e da árvore, capaz de vir a dar abrigo às aves do céu. Assim o esforço de Paz de cada um.
A Presidente da Direcção do Clube Setubalense, local onde decorreu o colóquio, congratulou-se pela realização deste evento no Clube que dirige e pelo pertinência do tema, tendo ofertado ao orador e o Presidente da Caritas Diocesana a medalha comemorativa dos 150 anos de existência da Associação.
Presidiu ao colóquio o Vigário Geral da Diocese, o Rev. Pe.Lobato, que encerrou a sessão corroborando que todos os valores referidos, sendo profundamente cristãos, são por isso profundamente humanos, e nessa qualidade são um património comum da Humanidade e não coutada de qualquer grupo.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção