Rotary Clube da MoitaMaior dinâmica quando o clube estiver mais consolidado
“Não professa nada, mas tem uma finalidade: prestar serviços à comunidade, tentando ajudar as pessoas desfavorecidas, trabalhando com as organizações de solidariedade.” É desta forma que Manuel Correia, actual presidente do Rotary Clube da Moita, define esta associação.

Por Jornal Rostos
Para compreender melhor os Clubes Rotários, é preciso recuar um pouco na história, e Manuel Correia fá-lo de bom grado. “O movimento Rotary nasceu no início do século XX, com a união de um grupo de empresários, técnicos e comerciantes, para ajudar a escoar os respectivos produtos e criando uma rede de entreajuda entre todos.
Ao mesmo tempo, os seus membros aperceberam-se do caos em que a sociedade norte-americana da época vivia e decidiram ajudar também fora das suas portas.
Essa atitude criou uma tal dinâmica que depressa se expandiu à sociedade civil, ao mesmo tempo que se afirmava como um movimento apartidário, sem religião e sem ideologia.”
Em conjunto com os órgãos das autarquias e outras entidades de apoio, os Clubes direccionam as suas forças para o apoio aos mais desfavorecidos, ao mesmo tempo que, através das palestras mensais, criam uma dinâmica cultural e social.
Teremos todo o gosto em receber senhoras
Actualmente com 24 membros, Manuel Correia, engenheiro na área da manutenção de máquinas e professor do ensino secundário, em Palmela, considera que “o nosso clube é ainda muito jovem, completou seis anos e teve ainda um período prévio de formação, mas apesar disso, posso dizer que este Clube já criou uma certa emancipação.
Houve também uma adaptação dos seus elementos para criarem a mentalidade Rotária, cujo um dos lemas que persiste até hoje é: «dar de si antes de pensar em si». Isto é o vector que nos orienta, para a sociedade e para a comunidade onde estamos inseridos.”
E lança também um apelo: “a todos os que se identificam com os nossos pressupostos e com o movimento Rotário, que se dirijam a nós e venham fazer parte. Se não nos conhece, procure conhecer-nos e eu terei todo o gosto em convidar quem tenha interesse para ser membro porque temos as portas abertas para quem quiser entrar.
Para se ser um rotário, basta ter um coração com determinadas características, e alguma disponibilidade financeira para ajudar o próximo.”
No entanto, como quase todos os Clubes Rotários, também este é exclusivamente masculino. Manuel Correia considera que se trata apenas de uma coincidência “porque não somos machistas e teremos todo o gosto em receber senhoras, mas estas têm normalmente mais dificuldades em encontrar tempo para se dedicarem ao Clube. Num curto espaço de tempo iremos convidar senhoras a ser membros do Clube, o que até agora ainda não se proporcionou.”
Apoiar quem precisa
E de que forma é que os apoios do Rotary Clube se concretizam?
“Temos participado com campanhas de ajuda a jovens carenciados e que precisam de equipamento de estudo, em conjunto com associações de solidariedade social. Realizamos também várias iniciativas, como serviços de diagnóstico e de rastreio de saúde à comunidade, entrega de cabazes de Natal e vários eventos para obter verbas que nos permitam auxiliar e dar resposta a todas as solicitações que nos chegam.”
No entanto, a crise económica que se faz sentir no país, também atinge aqueles que querem ajudar os outros. “Ainda estamos muito aquém do que desejávamos, fundamentalmente porque nos últimos três anos têm-se abatido uma grande recessão no país, que não nos é alheia, e que se transmite ao nosso movimento. Estou convencido de que poderíamos encontrar mais mecenas para nos auxiliar, mas infelizmente eles não têm surgido e isso também dificulta a nossa actividade.
Contudo, mantemos esta esperança e a convicção de que poderemos fazer muito mais do que o que temos feito e pensamos que num futuro próximo, com outra dinâmica e organização, poderemos abrir mais portas com o clube.”
As palestras estão abertas à população
A forma para dinamizar o Rotary Clube da Moita passa por apresentar novos projectos ao Rotary Internacional, mas Manuel Correia não quis levantar o véu sobre estes, “para podermos depois fazer uma surpresa a toda a população”.
Entretanto, vão decorrendo outros projectos, que passam pelo convite a vários palestrantes “de nomeada nacional”, em acções que estão abertas ao público.
“Reunimos sempre no Solar da Freira, aqui na Moita, às quartas-feiras, e as palestras estão abertas à população, qualquer pessoa pode vir aqui, desde que venha como convidado de um elemento do Clube, o que não é muito difícil, mas se não conhecerem ninguém, eu desde já me ofereço para convidar qualquer pessoa que deseje vir assistir. Isso permitirá também que convivam com os elementos do Clube e percebam quais os nossos pressupostos e a nossa filosofia e forma de estar. É com agrado que qualquer dos nossos companheiros trará até aqui convidados.
Para divulgarmos melhor as palestras, vamos passar a colocar cartazes à entrada da vila, para as anunciar, aguardamos apenas a autorização da Câmara Municipal da Moita.
Gostaríamos de fazer mais, mas estamos contentes com o que conseguimos, porque as dificuldades são de vária ordem. Prevemos que as coisas irão ter maior dinâmica quando o clube estiver mais consolidado e tudo vamos fazer dentro das nossas possibilidades.
O Clube Rotary encaixa com o meu espírito, e tenho pena de não poder dar mais de mim. Este é um movimento voluntário, mas apenas para quem tenha disponibilidade voluntária, quem não a tiver não vale a pena andar cá. Sinto-me bem com este encargo e predisposto para esta tarefa. Pode ser que algum dia tenha mais tempo para me dedicar a este grande projecto.”
Maria do Carmo Torres













