Na Cooperativa Cultural - BarreiroRecordado Manuel da Fonseca “um homem de mil amores e de mil ofícios”
Deolinda Saraiva recordou a frase de Manuel da Fonseca : “Vão dizer á minha neta que um homem sozinho não vale nada na vida” salientando que esta encerra, em si mesma, um “programa político”.

Por Jornal Rostos
Rosário Vaz e Deolinda Saraiva foram as prelectoras convidadas para falar do homem e da obra de Manuel da Fonseca em mais uma “Noite Literária” promovida “à volta da mesa” na Cooperativa Cultural Popular Barreirense.
Rosário Vaz, recordou que Manuel da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém e que na sua família existiam duas correntes de pensamento, uma mais liberal, outra mais conservadora, e que Manuel da Fonseca tratava o seu por “camarada”.
Referiu que na sua juventude foi “campeão de boxe”, tendo chegado a frequentar, em Lisboa, as Belas Artes.
Manuel da Fonseca “foi um homem de mil amores e de mil ofícios” salientou Rosário Vaz, referindo que foi amigo de Piteira Santos e de Alves Redol.
Sublinhou que no ano de 1914, Manuel da Fonseca, participou no movimento “o integralismo Lusitano” que era um “projecto de regeneração de Portugal”.
Um homem sozinho não vale nada na vida
A obra de Manuel da Fonseca é enquadrada no Neo-realismo ou Realismo Socialista, pois os seus textos são “uma leitura verdadeira da realidade”, salientou Rosário Vaz, acrescentando que através da sua obra Manuel da Fonseca tinha a sua “intervenção social” e tomava “uma atitude perante a vida”.
Referiu as diversas obras de crónicas, contos e poesia publicadas durante a sua vida e citando um texto de Manuel da Fonseca recordou uma frase em que este afirmava: “Um homem sozinho não vale nada na vida”.
Escrever depende da disposição e da vontade
Após o breve registo biográfico que efectuou sublinhou Rosário Vaz que o espaço geográfico da obra de Manuel da Fonseca “é um espaço alentejano”, um espaço que, sublinhou é “atravessado pelas suas memórias”.
Recordou que o seu estilo literário é “coloquial”, exprimindo “ironia” e “humor”.
“Escrever depende da disposição e da vontade” – afirmava Manuel da Fonseca, e acrescentava que - “Só escrevo quando estou cheio de personagens”, salientou Rosário Vaz.
Um exímio contador de histórias
Na sua intervenção Rosário Vaz recordou que Manuel da Fonseca é um homem do Alentejo profundo, “um exímio contador de histórias” e que viveu “Abril na sua esperança”.
Recordou aspectos das personagens dos textos de Manuel da Fonseca, as suas expressões poéticas, as profissões que retratou, muitas delas agora em vias de extinção, a muitas expressões alentejanas que utilizou, as referências a peças de vestuário, à gastronomia ou a valores culturais do Alentejo.
Fale baixinho, esse livro está proibido
Deolinda Saraiva, recordou que conheceu a obra de Manuel da Fonseca na sua adolescência, quando lhe falaram do livro “Seara de Vento”.
Deslocou-se à Biblioteca e solicitou esse livro ao Bibliotecário que lhe disse : “Oh menina fale baixinho, esse livro está proibido”.
Deolinda Saraiva deu a conhecer aos presentes a obra de Manuel da Fonseca “Cerromaior”, que referiu “foi a primeira obra de Manuel da Fonseca que passou pela censura”.
“Cerromaior é uma história ficcionada a partir de casos reais” – sublinhou.
Na sua intervenção recordou figuras da obra, salientou que este é um romance de personagens, ou um romance psicológico.
Deolinda Saraiva evocou a personagem do “Maltez”, figura do Alentejo oprimido que exprime “na sua opressão” a afirmação “orgulhosa da sua liberdade”.
Contestava o rótulo de neo-realista
Referiu que Manuel da Fonseca contestava que lhe colocassem o rótulo de neo-realista, que era um contador de histórias.
Recordou que a frase de Manuel da Fonseca : “Vão dizer á minha neta que um homem sozinho não vale nada na vida” encerra, em si mesma, um “programa político”.
Seguiu-se um período de diversas intervenções sendo recordado o homem, que cultivava amizade r que adorava estar à volta de uma mesa a conversar e beber um copo.
Foi mais uma “Noite Literária” na Cooperativa Cultural Popular Barreirense.













