No Barreiro – 4 Olhares sobre a Cultura“O vírus da participação é o vírus da cultura”
Canaveira Campos referiu que devemos “criar comunidades em que participamos”, porque, “o vírus da participação é o vírus da cultura”.

Por Jornal Rostos
Nuno Soares, da Direcção da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, no decorrer da sessão de apresentação do livro : “4 Olhares sobre a Cultura”, salientou que “não foi fácil chegar aqui” e que tal só foi possível com “o trabalho voluntário e gracioso” de diversos barreirenses que deram o seu contributo para tornar possível a edição desta obra.
“4 Olhares sobre Cultura” é o título do livro editado pela Cooperativa Cultural Popular Barreirense que reúne um conjunto de palestras integradas no Ciclo de Colóquios, com o mesmo tema, realizadas no ano 2004, nas instalações daquela cooperativa cultural.
Nuno Soares recordou que “olhar a cultura é em si mesmo um acto cultural”.
A sessão de apresentação contou com a presença dos prelectores, cujos textos integram a obra apresentada, nomeadamente : António Pedro Pita, José Luis Garcia, Luís Augusto Costa Dias e Paulo Granjo, para além de Canaveira Campos, Presidente do INSCOOP – Instituto António Sérgio.
Ter aqui gente é um motivo de espanto
Luis Costa Dias, salientou que “há uma componente gratificante nesta iniciativa” da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, que “é o facto de termos gente” interessada em assistir, quer aos Colóquios, quer nesta sessão de apresentação do livro que é um fruto dessa iniciativa.
“A presença de gente nestas sessões é uma lição que se colhe” – sublinhou Luis Costa Dias, recordando que nos meios científicos, por vezes, os prelectores “debitam as suas comunicações e as pessoas voltam as costas”.
“Ter aqui gente é um motivo de espanto” – sublinhou.
Cultura é uma condição de liberdade
Manuel Correia, responsável pela realização do Ciclo de Colóquios e autor do “prefácio” da obra, recordou que a edição do “livro é um gesto cultural que começou com a realização dos Colóquios”.
“A afirmação da cultura é também uma condição de liberdade. Dificilmente será livre quem desconheça o delinear dos processos em que está envolvido.
A modelação dos trajectos possíveis dependerá do grau de domínio que tivermos sobre as nossas condições de existência e de conseguirmos fazer algo para o transformar” – refere Manuel Correia, na sua apresentação da obra “4 olhares sobre a Cultura”.
Recorda que “esta série de olhares sobre a cultura foi produzida num momento particular da história da cooperativa.
História dos encontros e desencontros dos indivíduos
Pedro Pita, após se escutar um trabalho audiovisual, editado por José Encarnação (Mini), com base na música de José Mário Branco – “Eu vim de longe” – recordou que – “vimos de longe, vamos para muito longe”, e, esse longe “é sempre muito mais”.
“Somos mais passado do que cada um de nós somos e mais futuro do que, cada um de nós, individualmente terá sido” – salientou, referindo que cada um de nós tem “uma dimensão cósmica” e vive um “distanciamento da natureza”.
“Toda a história é a história dos encontros e desencontros dos indivíduos na sua singularidade” – sublinhou Pedro Pita.
“O futuro é na história e na dialéctica uma espécie de reconciliação” – salientou, acrescentando que – “o que permanece actual é o que está marcado pelo tempo em que aparece”.
José Garcia, referiu que o importante, desta iniciativa – “é ler e discutir os textos” que integram a obra editada.
A forma do homem apreender o mundo e agir
Paulo Granjo, sublinhou que - “O homem deve ter medo do seu terrível poder, deve ser humilde e não tem que ser arrogante” – recordando que “o futuro é a conservação da experiência”.
Na sua opinião a “cultura é a forma do homem apreender o mundo e agir para o transformar, cultura é também reflexão sobre o mundo”.
Participar é sermos comunidade
Canaveira Campos, Presidente do INSCOOP, recordou que é gratificante sentir que as cooperativas continuam a caminhar, estão presentes – “ e já vêem de muito longe”.
“Nas cooperativas nós procuramos atingir o social pelo económico, de forma a encontrar o sentido que a vida vale” – referiu , sublinhando que é responsabilidade de cada um de nós ter consciência e deixar “a marca dos passos que cada homem deixa no mundo”.
Canaveira Campos, salientou que cada um na “marca dos seus passos no mundo” deve dar o seu contributo para construir uma “sociedade sustentável” onde é preciso “sermos comunidade”.
“Ser homem é uma coisa séria, é sermos capazes de dar contributos para enriquecer a nossa vida, no olhar, no participar” – referiu, acrescentando que – “participar é mais que poder falar alto”, na sua opinião, “participar é sermos comunidade”.
O vírus da participação é o vírus da cultura
“Não há homens que sejam capazes de falar sozinhos, pelo que é essencial assumirmos o compromisso de comunidade, que significa assumir o compromisso de ser homem” - salientou Canaveira Campos.
A finalizar o Presidente do INSCOOP, referiu que esta iniciativa da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, deve visar “criar comunidades em que participamos”, porque “o vírus da participação é o vírus da cultura”.
De referir que o livro "4 Olhares sobre a Cultura" está inserido na "Colecção Olhares", edição da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, a concepção e design foi de Jorge Sol e revisão de texto de Rosário Vaz.













