Quinta da Conde – SesimbraUtentes da Quinta do Conde esperam meses pela consulta

Por Jornal Rostos
Transcrevemos o teor da carta enviada a Rui Monteiro, pela comissão de Utentes da Quinta do Conde, enviada para a nossa redacção:
“Como V. Exa. muito bem sabe, a prestação de cuidados de saúde primários aos residentes na Quinta do Conde é péssima há muito tempo e deteriorou-se no seu mandato. Apenas quatro médicos de família para um universo de 25 mil habitantes é - decerto concordará connosco - abusivamente pouco.
Agora, em consequência da transferência dos médicos de família da Quinta do Conde para o SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Sesimbra, aquilo que parecia impossível ser pior agravou-se ainda mais. Os utentes da Quinta do Conde esperam meses pela consulta, até ao dia marcado, em que se deslocam à Extensão de Saúde e… não têm outra vez consulta porque, desta vez, o médico foi requisitado para o SAP!
Demasiadas vezes, os quintacondenses deslocam-se a Sesimbra, ao SAP e, embora este esteja aberto, não serve de nada porque não há lá médico. Vinte quilómetros para lá, vinte quilómetros para cá e outros tantos para o Hospital Garcia de Orta, para engrossar as intermináveis filas de espera. Só mesmo quem passa por elas é que avalia com rigor!
Dizem-nos que não há médicos mas essa responsabilidade é, também, dos governos socialistas desde 1995. Se tivessem admitido mais alunos nas Universidades, como nessa altura foi insistentemente pedido, hoje havia médicos suficientes!
Por outro lado, a construção da Extensão de Saúde da Quinta do Conde continua a não merecer a atenção devida. Quando V. Exas. chegaram ao poder tinham verba em PIDDAC, projecto completo e terreno disponível com todos os requisitos exigidos pelo Ministério da Saúde preenchidos. Havia até acordo quanto ao teor da minuta do contrato programa a estabelecer com a autarquia para a execução da obra. Infelizmente, decorridos mais de dois anos após a posse do governo socialista, o que vemos são adiamentos, retrocessos, desperdício de dinheiro e nada, mesmo nada de positivo.
A última carta que recebemos do Ministério da Saúde, de 14/02/2007, diz: “Encontra-se em preparação o processo de concurso para adjudicar a obra para a construção da Extensão de Saúde da Quinta do Conde. Em consequência, espera-se que a referida obra venha a ser lançada, ainda, no corrente ano.” Como se vê a resposta é uma não resposta. Nem sequer um paliativo. Não há nenhum compromisso nesta carta como, aliás, tem sido prática dos responsáveis pelo sector da saúde, no país e na região, nos últimos anos.
Sr. Coordenador: Os utentes da saúde residentes na Quinta do Conde pagam impostos como a generalidade dos restantes portugueses; os utentes da saúde da Quinta do Conde pagam pelos medicamentos os insuportáveis aumentos que V. Exas. recentemente ditaram (não obstante a propaganda, a verdade é que na farmácia os utentes pagam mais!); os utentes da saúde da Quinta do Conde pagam pelas taxas moderadoras os incomportáveis valores por V. Exas. estabelecidos.
Não considera V. Exa. que os utentes da saúde da Quinta do Conde devam ter direito à assistência em caso de doença, para já não falar da prevenção desta? Não considera V. Exa. que estes cuidados devem ser prestados em condições condignas quer para os utentes, quer para os profissionais? Então, se concorda connosco, coloque médicos na Quinta do Conde e desbloquei a construção do Centro de Saúde!”













