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Encontro Internacional traz comunidades ribeirinhas a SesimbraTeatro João Mota rendido ao desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas

A Mútua dos Pescadores voltou a superar as expectativas na sua mais recente iniciativa. Desta vez, e com o objectivo de debater a questão do desenvolvimento sustentável e a situação das comunidades ribeirinhas, entidades e profissionais ligados à pesca reuniram-se no 3º Encontro Mútua, que decorreu no Cine-Teatro João Mota, em Sesimbra.

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Encontro Internacional traz comunidades ribeirinhas a Sesimbra Teatro João Mota rendido ao desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas

Por Jornal Rostos

No evento, realizado em parceria com o Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações (SOCIUS) do ISEG e com a Câmara Municipal de Sesimbra, o Dia do Mar deu o mote e os convidados responderam com uma adesão massiva. Sob o tema “Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Ribeirinhas”, várias individualidades fizeram questão de marcar presença no Encontro, onde o tema da globalização e dos seus efeitos na pesca actual esteve em destaque.

À discussão não faltaram questões relacionadas com a pesca actual e futura. A situação da Docapesca, e a sua possível privatização, a necessidade de uma parceria entre todas as entidades que compõem as comunidades ribeirinhas e o papel da participação social nos problemas ribeirinhos estiveram em evidência ao longo do dia, a par da importância dos projectos entre as organizações e as universidades, de que os programas do SOCIUS/ISEG e da Escola Municipal de Pescadores, em Macaé, no Brasil, são exemplos.

Na abertura das sessões de trabalho o Arq.to Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, destacou a importância da actividade pesqueira na região e do peixe espada preto e espadarte. A justificar a escolha da organização quanto ao local do encontro, o autarca referiu o exemplo de Sesimbra como uma comunidade ribeirinha sustentável. Da sessão de abertura fizeram também parte o Prof. José Maria Carvalho Ferreira, Presidente do SOCIUS/ISEG-UTL, João Lopes, Director da Mútua dos Pescadores, o Almirante José Bastos Saldanha, Presidente da Secção de Geografia dos Oceanos, Sociedade de Geografia de Lisboa, e a Dra. Helena Figueiredo, Sub-Directora Geral das Pescas e Aquicultura, em representação do Secretário de Estado Adjunto da Agricultura e das Pescas. Sendo Portugal um “mosaico” de entidades patrimoniais e culturais, o 3º Encontro Mútua foi exímio na afirmação do mar e da sociedade civil como importantes componentes para o desenvolvimento sustentável.

Durante a manhã, os presentes tiveram oportunidade de partilhar experiências e debater as perspectivas do POPesca 2007/2013, com as intervenções do Dr. Luís Duarte, Chefe de Projecto do POPesca, e o Prof. Henrique Souto, Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Luís Duarte pôs em destaque o incentivo ao desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida nas zonas onde são exercidas actividades de pesca, previsto pelo FEP para 2007-2013. Antes do almoço houve ainda tempo para assistir ao filme “Uma Pesca do Inferno”, de Vincent Bruno, que inseriu o tema dos “Desafios e Riscos num Mundo de Globalização”. De Bruxelas esteve presente o Dr. Brian O’Riordan, Secretário do Gabinete de Bruxelas do Colectivo Internacional de Apoio à Pesca Artesanal, que não quis deixar de apontar alguns dos novos reptos lançados ao sector no mundo actual. “A globalização leva à importância de homens e mulheres como actores nas suas comunidades ribeirinhas”, afirma Brian O’ Riordan.
Antes do debate que encerrou as intervenções da manhã, o Prof. José Maria Carvalho Ferreira voltou ao palco, desta vez para alertar para os perigos de uma globalização sem sustentabilidade. Segundo o presidente do SOCIUS/ISEG-UTL, a sociedade civil deve mobilizar-se para prevenir os inconvenientes de uma evolução pouco consciente da importância do desenvolvimento sustentável.

Para contactar de perto com a península de Sesimbra, uma zona de intensa actividade pesqueira, a Mútua e a Câmara Municipal de Sesimbra disponibilizaram o almoço no restaurante Canhão II, num dos locais com vista privilegiada sobre o mar. E porque não só com palavras se promove a pesca, a tarde trouxe ao debate alguns casos exemplares de progresso. Para salientar a eficácia do trabalho em rede e parceria, a Dr.ª Ana Vale, Gestora da Iniciativa Comunitária EQUAL, apresentou o programa financiado pelo Fundo Social Europeu, que tem contribuído para combater as desigualdades no mercado de trabalho. Como salienta Ana Vale, “o trabalho da EQUAL mostra que a participação dos profissionais da pesca é essencial para resolver as dificuldades das pessoas”. A moderar o debate esteve o Sr. Agostinho da Mata, Presidente da Organização de Produtores Propeixe, de Matosinhos, acompanhado pelo relator, o Sr. António José Macedo, da Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca. Também o apelo ao associativismo foi feito pela voz do Sr. Manuel José Pinto Alves, Presidente da Organização de Produtores ArtesanalPesca, de Sesimbra, que expôs o caso de sucesso da sua organização, com um intenso trabalho dedicado ao sector das pescas.

Já perto do final da tarde, que acabaria por deixar ainda tanto por dizer, foi aberto caminho às parcerias transatlânticas. Com o contributo do representante do Instituto António Sérgio das Cooperativas, o Dr. João Pedro Salazar Leite, que moderou o debate, e do relator Sr. José Luís Cabrita, Secretário Geral da Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores, o último painel destacou “A Experiência de Pesquisa – Acção na Cadeia Produtiva da Pesca em Macaé”. A Prof. ª Vera Maciel, Coordenadora Executiva da PAPESCA, SOLTEC (Departamento de Solidariedade Técnica) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reavivou a confiança na formação no sector, expondo a actividade desenvolvida na Escola Municipal de Pescadores, em Macaé. O Prof. Jorge Aziz, Secretário Especial de Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de Macaé, acompanhou-a e justificou porque razões esta é considerada uma escola de sucesso, onde o futuro dos alunos passa pela actividade marítima.

Na sessão de encerramento da terceira edição do encontro, as palavras de Augusto Pólvora deixavam traduzir o êxito desta iniciativa. Para que todos possamos seguir na mesma “maré”, o autarca fez um apelo a outros concelhos para que se construa uma rede de apoio à pesca, inter-municipal. “Sesimbra estará sempre disponível para acolher este tipo de eventos”, assinalou Augusto Pólvora. Desta forma será possível criar uma sociedade consciente e atenta aos problemas do sector das pescas. Uma sugestão que deu um desfecho de esperança ao encontro, que promete continuar a aposta na divulgação do sector, dentro e fora do país, nos próximos anos.

Marta Grilo

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