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Encontro de Associativismo em SetúbalDebate a inovação no associativismo

A necessidade de a inovação do associativismo assentar nos valores da tradição foi apontada, hoje, em Setúbal, pelo presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Augusto Flor.

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Encontro de Associativismo em Setúbal Debate a inovação no associativismo

Por Jornal Rostos

"O movimento associativo só pode inovar com base em valores como solidariedade, fraternidade e entreajuda", afirmou Augusto Flor, no II Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal, organizado pela Câmara Municipal, que decorre durante todo o dia na Escola Profissional de Setúbal, sob o tema "A Inovação no Associativismo", com a participação de cerca de cem pessoas.

O responsável máximo por um sector com cerca de 17 mil colectividades indicou no seu discurso, sobre "Tradição, participação, inovação", que caso se perca a tradição "perdem-se valores fundamentais numa sociedade que é, hoje, muito mais individualista".

Augusto Flor referiu a existência de uma crise no movimento associativismo, em face de mudanças nas relações de trabalho, que originam, acrescentou, uma menor disponibilidade de tempo para assumir cargos nos órgãos de direcção.

"A crise no movimento associativo não é uma crise do movimento associativo: é uma crise da sociedade que se reflecte no movimento associativo", ilustrou, para apontar a dificuldade em rejuvenescer o dirigismo, um dos pressupostos da inovação no associativismo.

O presidente da confederação das colectividades alertou para a urgência em manter o associativismo vivo e activo porque ele constitui "a forma colectiva de resolver as necessidades individuais".

No discurso de abertura do II Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal, a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, apontou a importância desta iniciativa no estabelecimento de "uma parceria que se pretende cada vez mais forte, coesa e inovadora", para, através de plataformas de trabalho de equipa, melhorar o serviço público prestado em diversas áreas.

"A importância desta parceria para que se consiga uma maior união, coesão, cidadania e inclusão social e o formar de uma população mais activa e envolvida no destino que pretendemos para a nossa sociedade é para nós um assunto da maior importância", afirmou.

Referindo-se ao tema do seminário, a autarca acentuou que "a inovação assume cada vez maior importância, não só pela forma de agir mas também de comunicar e fidelizar, para que os projectos, programas, parcerias e actividades não fiquem desactualizados e possam continuamente aplicar-se às populações".

Da parte da manhã, Fernando Casaca, director artístico do Teatro do Elefante, deu a conhecer o trabalho desenvolvido por esta associação cultural, com dez anos de existência, concordando que "é na cultura tradicional que se pode encontrar respostas para o presente".

A intervenção de Fernando Casaca, subordinada ao tema "Inovar no local, projectar no global ou o ovo de Colombo", incluiu um momento de animação com a entrada de três actores munidos de instrumentos musicais, que serviu para ilustrar o teatro de rua, uma das componentes mais relevantes da actividade desta companhia setubalense, a par do teatro para bebés em que é "pioneira a nível nacional".

Seguiu-se uma intervenção de Luís Costa, técnico oficial de contas da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, sobre "O regime fiscal para o associativismo".

O orador advertiu os presentes para questões de fiscalidade que enquadram a actividade. "Não tenho números seguros, mas calculo que à volta de 80 por cento das colectividades não estão legalizadas a nível fiscal", alertou.

O técnico oficial de contas prestou esclarecimentos sobre a diferença entre actividades estatutárias e actividades acessórias, as primeiras isentas de IVA e de IRC, as segundas - geradoras de fontes de receitas que suportam financeiramente as colectividades - passíveis de taxação caso se ultrapassem os valores estipulados na lei.

O programa do Encontro incluiu ainda debate, mesas redondas sobre cultura, desporto, inclusão social e juventude, e uma intervenção de José Miguel Nogueira, do Observatório da Bela Vista, sobre "Modos de vida da população dos bairros da Bela Vista - apresentação de um estudo".

O II Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal foi realizado com o objectivo de unir dirigentes ligados ao associativismo, cruzando as diversas áreas de intervenção, com vista à formação e recolha de opiniões para alcançar estratégias de intervenção participadas por parte da Câmara Municipal de Setúbal.

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