Seminário - “Pobreza Oculta”“No Barreiro Velho vivem famílias em situações degradantes”
- “Que se pretende erradicar a pobreza ou discriminar os pobres?”
“Que se pretende erradicar a pobreza ou discriminar os pobres?
Somos, ou não somos solidários? Acreditamos ou não em politicas socializantes?” – foram perguntas colocadas pela representante da CARITAS de Setúbal

Por Jornal Rostos
Na Biblioteca Municipal do Barreiro decorreu o Seminário “Pobreza Oculta”, uma iniciativa da Clínica Frater, que contou com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro
A sessão de abertura foi moderada por Maria Isabel Pinotes, médica e membro da Direcção da Associação Frater.
A Prevenção e Diagnóstico e as Redes de Apoio da Pobreza Oculta foram temas debatidos. nesta iniciativa da FRATER, que assinalou o seu 4º aniversário.
“No Barreiro Velho vivem famílias em situações degradantes”
No painel moderado por Fernando Ferreira estiveram em reflexão diversas situações ao nível da saúde pública e pobreza.
O Padre José Manuel Andrade, recordou que as coisas do quotidiano devem ser reflectidas sob o ponto de vista do coração e, comentou, que “há muito dentro de nós que é apenas o racional”.
Na sua intervenção sublinhou que “a Segurança Social complica a vida das pessoas” e, por outro lado, referiu que “cada vez chegam mais pessoas à Igreja, com depressões, com problemas sérios, não só económicos, mas também sociais”.
José Manuel defendeu que a vida deve ser vivida com pequenos gestos que ajudem a melhorar situações dramáticas que afectam a vida das pessoas, recordando que “com a força de cada um de nós podemos ir mais longe, fazendo uma Igreja para o diálogo, a interacção e a verdade”.
“No Barreiro Velho vivem famílias em situações degradantes” – sublinhou o Padre José Manuel Andrade.
20% dos portugueses vivem abaixo do patamar da pobreza
A representante da CARITAS de Setúbal, Margarida, falou da sua experiência de trabalho com doentes de HIV, mães solteiras e com os Sem Abrigo.
“A Caritas é uma janela aberta para ser anúncio e denúncia de causas” – sublinhou, recordando que, no ano 2005, “20% dos portugueses viviam abaixo do patamar da pobreza”.
Recordou que, em Portugal, “o fosso entre ricos e pobres continua a ser o maior na União Europeia”, sendo este um exemplo de que “os bens não estão justamente repartidos”.
Na sua opinião – “cabe à Igreja denunciar” e perguntou : “Que se pretende erradicar a pobreza ou discriminar os pobres?”
Na sua intervenção sublinhou que “o país não dispõe de recursos para erradicar a pobreza” nesse sentido considerou que é necessário “realizar trabalho em rede e parcerias”, assim como a “articulação do trabalho ao nível social”.
Acreditamos ou não em politicas socializantes?
A representante da CARITAS salientou a necessidade de serem encontradas respostas sociais.
Na sua intervenção teceu criticas aos que referem que “sem rendimento económico não é possível soluções” para os problemas sociais.
Na sua opinião por trás desta afirmação “há incapacidade” e “falta de respostas” – “é dizer que os problemas sociais dos pobres pode esperar até que hajam soluções”.
Neste contexto defendeu a necessidade de existir uma vontade organizada de encontrar respostas, promovendo a “entreajuda nas situações mais difíceis”.
“Somos, ou não somos solidários? Acreditamos ou não em politicas socializantes?” – foram perguntas colocadas pela representante da CARITAS de Setúbal.
Ultrapassar a situação de utentes de 1ª que têm médico de família
Francisco Gouveia, Director do Agrupamento dos Centros de Saúde ds concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo, alertou para os problemas existentes, ao nível de saúde, devido ao envelhecimento da população e também fruto da migração.
Recordou que Portugal começa a receber muitos emigrantes e, na sua opinião, é necessário desenvolver acções de vigilância e avaliar situações de risco para a saúde pública.
Recordou que todas as mulheres grávidas, tendo ou não médico de família, têm condições de ser seguidas nos Centros de Saúde.
Referiu as acções que são desenvolvidas ao nível da vacinação e no âmbito da saúde oral.
Francisco Gouveia considera que é necessário “ultrapassar a situação de utentes de 1ª, que têm médico de família e os outros que não têm médico de família”.
Na sua inteervenção, sublinhou o importante papel que é desempenhado pelas Assistentes Sociais, nomeadamente – “no estabelecer a ligação entre parceiros”.
Francisco Gouveia, referiu a experiência que está a ser desenvolvida pelos Centros de Saúde de acompanhamento das crianças, em suas casas, na primeira semana de vida, com a deslocação das enfermeiras nesses contactos.
Esta experiência permite, referiu, identificar os mais variado conjunto de situações na 1ª fase da vida, referindo, que “há situações que são assustadoras”.













