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GRUPO DOS AMIGOS DO BARREIRO VELHOENTERRO DO BACALHAU
CONTA A TRADIÇÃO

Este ano, não deixe de vir recordar uma tradição que o Barreiro já viveu, mas deixou cair, nos últimos tempos.
Na 4ª feira de Cinzas, por volta das 20 H, apareça na Praça frente ao Fórum Barreiro, arranje a sua vestimenta fúnebre e junte-se ao GRUPO DOS AMIGOS DO BARREIRO VELHO.


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GRUPO DOS AMIGOS DO BARREIRO VELHO ENTERRO DO BACALHAU CONTA A TRADIÇÃO

Por Jornal Rostos

O cortejo fúnebre do “Enterro do Bacalhau” é uma tradição de riquíssimo valor cultural, que se perde nos anais dos tempos.
Esta tradição parece remontar ao séc. XVI, ao movimento da contra-reforma.
A Igreja Católica, a partir do Concílio de Trento, proibiu o consumo da carne, durante a Quaresma, para os que não comprassem a bula.
Porém, este indulto só servia os que a podiam comprar. Os mais desfavorecidos teriam de se socorrer do peixe para a sua alimentação, nas semanas da Quaresma. O peixe mais acessível era o bacalhau, que acabou por se instalar nos lares dos mais pobres.
Findo o período da Quaresma, o Tribunal dos filhos do povo, julgou e condenou à morte o dito bacalhau, por inveja da sua popularidade.
Entretanto, o advogado de acusação, cujas origens eram de um filho do povo, fundamentou o seu ataque ao bacalhau pelo facto de, durante o período de abstinência, só lhe ter calhado o mal-cheiroso do escamudo, do mal-curtido, do rabo e asa, etc.
Esta traição enraiveceu toda a gente simples que, durante o cortejo, pede a sua cabeça, para que se faça justiça ao bacalhau!
No Cortejo, todos os participantes se vestem a rigor: “Bispo”, “Padre”, “Freiras”, “Frades”, “Carpideiras”, “Homens das Lanternas”, “Urna do Bacalhau”e até o “Coveiro”.
Há três Sermões: “Vida e Morte do Bacalhau”, Testamento do Bacalhau” e “Exéquias do Bacalhau”. Estes, juntamente com as quadras cantadas ao som da música, formam um espectáculo digno de se ver.
Cada Sermão é lido em voz alta, intercaladamente com quadras, algumas bem brejeiras!
No final o bacalhau desce à cova e logo de seguida é lido um Sermão que, na aldeia de Soutocico é o seguinte:
“São Cipriano por Belzebu te invoco, pote das almas, toucinho cru, bruxas do inferno, luzecus do além, penas de corvo, sangue de frango, louvo o tranglomano, para sempre louvado, pater, filho e espírito sentado….”
Este ano, não deixe de vir recordar uma tradição que o Barreiro já viveu, mas deixou cair, nos últimos tempos.
Na 4ª feira de Cinzas, por volta das 20 H, apareça na Praça frente ao Fórum Barreiro, arranje a sua vestimenta fúnebre e junte-se ao GRUPO DOS AMIGOS DO BARREIRO VELHO.

Rosário Vaz

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