4.º Encontro de Dirigentes Associativos de SetúbalMovimento Associativo tem de ser o fermento da cidade, da comunidade e da democracia
“O êxito de uma sociedade democrática depende do grau de participação dos seus cidadãos”, afirmou o presidente da Cooperativa de Habitação e Construção Económica Bem-Vinda a Liberdade, Sebastião Areias, no “4.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal”, realizado no Centro Multicultural.

Por Jornal Rostos
Este histórico do cooperativismo em Setúbal, participante no painel “Movimentos Sociais, Associativismo e Habitação”, considera que “nunca Portugal precisou tanto do movimento associativo como agora”.
O sociólogo Carlos Vieira de Faria, especialista na análise dos movimentos sociais urbanos, indicou, no mesmo painel, que o trabalho desenvolvido pelas associações tem capacidade para atenuar “a desconfiança e conflitualidade que reina na sociedade portuguesa”, aplicando os valores que, referiu, são próprios do associativismo – confiança, cooperação, reciprocidade e solidariedade.
O movimento associativo, segundo o sociólogo, “tem de ser o fermento da cidade, da comunidade e da democracia”, devendo, para tal, “sair do acantonamento da sua sede” e criar “novos dispositivos, novas técnicas”.
Carlos Vieira de Faria apontou, como factores de crescimento do movimento associativo, a formação de líderes, a definição de políticas conjuntas, a execução de campanhas de recolha de fundos, a organização de actividades em conjunto e a ligação ao meio escolar e universitário.
Sebastião Areias recordou o papel que as cooperativas e as comissões e associações de moradores tiveram, a seguir ao 25 de Abril, na resolução das carências das populações, em termos habitacionais e de instalação de equipamentos colectivos.
“Foi também muito importante o contributo no ordenamento do território. Passou a fazer-se planeamento urbano, a definir os usos que os terrenos podiam ter”, indicou.
No outro painel do “4.º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal”, com o tema “Os Municípios e o Movimento Associativo – Balanço e Perspectivas”, o vereador Eusébio Candeias elogiou a capacidade de realização do associativismo num concelho em que estão registadas cerca de 250 associações.
O vereador apontou a política de parcerias intensificada pela Autarquia, com vista ao desenvolvimento de programas em prol da população.
“Nestes últimos anos, foi dado um grande salto qualitativo, nomeadamente com o Regulamento Municipal de Apoio ao Movimento Associativo, uma ferramenta fundamental para a correcta disponibilização dos apoios em função da actividade de cada colectividade, com a definição de critérios para que não se cometam injustiças”, assinalou Eusébio Candeias.
Na sessão de abertura deste fórum de reflexão e debate sobre as questões do associativismo, a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, salientou para as associações, as colectividades e os clubes “contribuem significativamente” para as actividades desportivas, culturais e recreativas promovidas ao longo do ano.
“Só com a cooperação entre as associações e as organizações de natureza pública e/ou privada, com a conjugação de esforços e a rentabilização de recursos é possível a criação de um concelho coeso”, afirmou a autarca.
Maria das Dores Meira referiu que o trabalho das associações constitui “motivo de orgulho”, assinalando o facto de haver agora uma parceria efectiva, uma rede de trabalho, o que “não existia há oito anos”.
A presidente da Câmara indicou que essa política está “cada vez mais consolidada”, congratulando-se com o lançamento do “Guia do Associativismo de Setúbal”, apresentado no encontro.
Esta publicação editada pela Autarquia, além de coligir informação sobre as associações, com caracterização e contactos, apoia as colectividades em termos de legislação e descrição dos equipamentos existentes no Concelho, acabando por reflectir a diversidade e a riqueza do movimento associativo, explicou o técnico municipal Carlos Anjos.













