SETÚBAL - Cooperativas de Consumo consideram“Aumentos na electricidade são socialmente incomportáveis”
Patrícia Gomes, técnica da Federação, explica esta posição referindo que “a decisão da entidade reguladora está demasiado afastada do contexto da realidade actual, não reflectindo de forma apropriada o impacto das variações tarifárias, alheando-se do contexto socio-político adjacente”.

Por Jornal Rostos
“Socialmente incomportáveis” é desta forma que a FENACOOP – Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores, FCRL com assento no Conselho Tarifário da ERSE, em representação dos consumidores em Baixa Tensão Normal - BTN, considera os aumentos na factura da electricidade. Patrícia Gomes técnica da Federação explica esta posição referindo que “a proposta da entidade reguladora está demasiado afastada do contexto da
realidade actual, não reflectindo de forma apropriada o impacto das variações tarifárias, alheando-se do contexto socio-político adjacente”.
Assim, é opinião desta Federação que as tarifas reguladas de venda a clientes finais para o ano de 2010 acarretam “aumentos expressivos para todos os clientes (em termos médios de 2,9%, 2,8% e 2,7% respectivamente no Continente, RAM e RAA) muito acima da taxa de inflação de 1,3% estimada para 2010”.
No caso especifico dos consumidores enquadrados na Baixa Tensão Normal (a grande maioria das famílias, empresas de serviços, comércio e pequena indústria), a FENACOOP considera “muito gravosos os aumentos de 2,9%, 4,3% e 4,4%
respectivamente no Continente, Região Autónoma da Madeira e Região Autónoma dos Açores dado o actual contexto económico e social que onera directamente o já debilitado estado das famílias (baixos salários e reformas, endividamento, desemprego)” e chama a atenção para o facto de que o aumento “terá reflexos de forma indirecta e,
igualmente, no preço de vários bens e produtos, dado o peso da componente energética na cadeia de valor, pelo que é expectável aumentos no cabaz de produtos essenciais”.
As razões dos aumentos são conhecidas e derivam do pagamento da dívida tarifária herdada fundamentalmente pelos acréscimos ocorridos ao nível dos custos de produção, num ambiente internacional desfavorável, bem como dos custos de interesse económico geral (CIEG’s) – custos suportados pelas tarifas eléctricas mas resultantes, entre outras,
das decisões da política energética nacional, contudo a FENACOOP insiste que a medida é “socialmente incomportável e economicamente desajustada face à conjuntura nacional e internacional” e, por isso, a sua representante no Conselho Tarifário da ERSE, na reunião deste, do passado dia 16 de Novembro, votou globalmente contra parecer emitido.













