Crónicas de uma Breve Viagem ao BarreiroTerceira Etapa: Coina
A participação não é um acto cego, implica trabalho prévio sobre o assunto ou assuntos sobre os quais queremos fazer ouvir a nossa voz, dar o nosso contributo.

Por Jornal Rostos
Colocámos na nossa conversa anterior um conjunto de interrogações que, pela sua importância, gostaríamos de retomar.
Julgamos que temos todos de percorrer um longo caminho de aprendizagem sobre a nossa história e identidade, sobre as responsabilidades de cada organismo e instituição na salvaguarda dos nossos bens materiais e imateriais e ainda sobre os mecanismos de exercício dos nossos deveres e direitos de cidadãos e do nosso trabalho em comunidade.
Conhecer parte significativa da nossa história é imprescindível para a compreensão do nosso presente e dos contornos da nossa identidade. A nossa memória colectiva é instrumento fundamental do nosso desenvolvimento integral. Saberá calcetar melhor quem aprendeu a arte de calcetar.
A participação não é um acto cego, implica trabalho prévio sobre o assunto ou assuntos sobre os quais queremos fazer ouvir a nossa voz, dar o nosso contributo.
Também não é um acto de individualismo, embora neste se afirme a cidadania. É um acto complexo porque implica ouvir e compreender os outros e os seus diferentes pontos de vista, harmonizar vontades, encontrar os caminhos mais significativos e de maior afirmação da comunidade. É por isso também um acto de cedência, mas terá de ser sempre de cedência esclarecida.
Sem mais delongas, comecemos a terceira etapa dedicada a Coina. Em 1516, D. Manuel I, através do foral novo de Coina, vem clarificar os poderes dados ao Mosteiro de Todos os Santos, relativamente à administração deste espaço, revalidando o compromisso firmado em 1346. Coina e o Barreiro são as únicas freguesias que pertencem hoje ao Concelho a receberem foral, o que mostra a sua importância. Em 1328, sinal da intensidade do tráfego fluvial, entre Coina e Lisboa, há notícia da existência de um porto das barcas do Coina, na Ribeira Lisboeta.
O Sapal do rio Coina: é um dos ecosistemas mais produtivos.
Terra alagadiça, à beira rio, que dá casa e alimento a uma grande variedade de espécies.
A título de exemplo, e só no que diz respeito às aves, entre outras, podemos ver habitualmente flamingos, garças reais e boeiras, gaivotas, corvos marinhos, patos reais...
A Quinta de São Vicente ou do Manique: foi adquirida por Manuel Martins Gomes Júnior, nascido em StºAntónio (1860), filho de gente humilde. Republicano convicto, acérrimo defensor da instrução pública.
Desenvolveu actividades ligadas à agricultura na Quinta do Manique, onde começa a construção da famosa Torre. Fundou a Companhia da Agricultura de Portugal e foi criador de gado.
Ficou conhecido como Martins de Coina, Martins das Carnes e “Rei do Lixo” - por causa da indústria de adubo animal que instalou em Coina com os lixos recolhidos na Capital.
Associação Barreiro Património Memoria e Futuro













