GALARDÃO “BARREIRO RECONHECIDO” 2010Associativismo
Benedito dos Santos Marques
Do seu empenho resulta a fusão das duas colectividades da freguesia facto que, em 10 de Junho de 1971, origina a inauguração da URCD de Coina.
Em 1974, e na qualidade de Presidente da
Assembleia-geral, decide ausentar-se por uns anos mas logo regressa ao seio da colectividade em 79, assim que ouve dizer que há risco desta fechar. “Enquanto for vivo isto não fecha”.

Por Jornal Rostos
Aos oitenta e oito anos, sessenta dos quais dedicados à União Recreativa de Cultura e Desporto de Coina, Benetido dos Santos Marques continua a praticar o associativismo e a contagiar com a sua dinâmica os que com ele privam ou trabalham.
A sua história começa a escrever-se aos 16 anos quando o pai, um colectivista de gema, o leva a assumir o primeiro cargo associativo – Secretário no Grupo Recreativo Bolinhense. Razões profissionais levam-no a sair e a conhecer uma colectividade na Costa de Caparica onde de jogador de futebol passa a dirigente desportivo.
O serviço militar afasta-o… mas por pouco tempo. Regressa à Costa e à colectividade - Centro de Ajuda aos Pescadores - agora como Vogal da Direcção. Tem na altura 22 anos. Uma curta passagem pela Junta Nacional dos Vinhos interrompe o seu percurso associativo mas na CUF, aos 24 anos, o bichinho colectivista volta a pregar-lhe uma
partida. No seu percurso diário, de bicicleta para o trabalho, Benedito foi vendo nascer o edifício do Grupo Desportivo Operário de Coina. No mesmo percurso diário também viria a conhecer a que é hoje sua mulher. Num caso e no outro foi amor para toda a vida!
Este filho de trabalhadores rurais de Azeitão que ainda hoje recorda com saudade a Casa da Brincadeira , designação pela qual era conhecida a colectividade fundada pelo pai e que ele frequenta na infância, adopta Coina como sua terra natal e aí cria raízes.
Do seu empenho resulta a fusão das duas colectividades da freguesia facto que, em 10 de Junho de 1971, origina a inauguração da URCD de Coina. Grande responsável por esta união, Benedito Marques gere conflitos e discórdias e assume a presidência da Direcção durante os três anos seguintes. Em 1974, e na qualidade de Presidente da
Assembleia-geral, decide ausentar-se por uns anos mas logo regressa ao seio da colectividade em 79, assim que ouve dizer que há risco desta fechar. “Enquanto for vivo isto não fecha”.
Esta máxima, que tem guiado a sua acção, faz com que seja ele o primeiro a dizer que sempre gostou de ajudar a fazer coisas para um colectivo. Por isso, nos poucos anos em que esteve fora da URCD, passou pelas direcções do “22 de Novembro” e “Grupo Desportivo da CUF”. Benedito dos Santos Marques integrou, igualmente, a Comissão de
angariação de fundos para a construção do antigo Hospital do Barreiro. Em 1982 quando Maria Elisa pensou em criar um Centro de Assistência à Terceira Idade convidou-o, assim como a outros, para fazer parte da implantação do CATICA. Aceitou esta missão e ainda hoje exerce actividade como secretário da Assembleia-geral.
As direcções iam e vinham mas Benedito integra-as quase todas. Aos cargos de direcção somam-se os de vogal, de tesoureiro e de secretário. A cada nova Direcção, novo fôlego. As actividades desportivas e os troféus e medalhas sucedem-se nas modalidades de ginástica e futebol feminino, por exemplo. Corria a década de oitenta quando é formada a escola de música e uma orquestra infantil. A primeira actuação foi tão bem sucedida que dos 11 alunos iniciais passaram a 39. Assim nasceu a Banda de Música da URCDC e um projecto denominado “Prevenção Primária” que ajudou alguns alunos a evitar a droga.
Em 2005 e porque não havia ninguém que quisesse continuar, Benedito Marques convidou seis mulheres para integrarem a Direcção da URCD de Coina. Aceitaram e lá estão até hoje.
Emocionado, recorda que já o seu pai dizia - “uma colectividade é um grupo de indivíduos que associados entre si formam um colectivo. Instalada na sua sede própria a colectividade é uma porta aberta à socialização entre as pessoas. À solidariedade, ao diálogo”. Isto ficou-me na memória e na acção. Nunca o esqueci.
E porque o Barreiro também não esquece, a Câmara Municipal do Barreiro tem a honra de atribuir a Benedito dos Santos Marques, o Galardão «Barreiro Reconhecido», na área do ‘Associativismo’.













