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Rotary Club do BarreiroÁlvaro Gaspar eleito «Profissional do Ano»

Realizou-se ontem a tradicional cerimónia do Rotary Club do Barreiro de atribuição da Distinção “PROFISSIONAL DO ANO” do ano rotário 2010/2011, sendo o galardão entregue ao CONTRA-ALMIRANTE ÁLVARO RODRIGUES GASPAR.

Álvaro Gaspar actualmente é presidente da Direcção da ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DO BARREIRO, cargo que exerce desde os finais de 2006. É reformado da Armada desde Agosto de 2010, quando completou 65 anos. Recorde-se que em 1994 foi escolhido para comandar a Esquadrilha de Submarinos de Portugal.
ÁLVARO RODRIGUES GASPAR nasceu em Lisboa, na freguesia de Alcântara no dia 13 de Agosto de 1945.

14 min de leitura
Rotary Club do Barreiro Álvaro Gaspar eleito «Profissional do Ano»

Por Jornal Rostos

Na cerimónia de ontem o comandante Esteves Mendes, membro do Rotary Clube do Barreiro, divulgou a biografia e o reconhecimento a Álvaro Gaspar.
Divulgamos o texto integral proferido por Esteves Mendes:

CURRICULUM VITAE

CONTRA-ALMIRANTE ÁLVARO RODRIGUES GASPAR

O CONTRA-ALMIRANTE ÁLVARO RODRIGUES GASPAR nasceu em Lisboa, na freguesia de Alcântara no dia 13 de Agosto de 1945. Filho de uma família humilde, frequentou a Escola Primária no Bairro do Alto de S. Amaro e posteriormente o Ensino Secundário no Liceu D. João de Castro.
Enquanto estudante do ensino liceal e no natural desenvolvimento da sua adolescência, sente-se vocacionado para seguir Arquitectura ou Belas Artes. Este sonho da juventude foi naturalmente desfeito, face à diminuta capacidade económica familiar.
Em 1964 alista-se na Escola Naval, decidido a seguir uma carreira militar na Armada. É nessa altura que o Cadete do 1º ano da classe de Marinha Rodrigues Gaspar, inicia os primeiros passos de uma longa e brilhante carreira. Durante quatro anos, a intensa formação técnica/militar molda o jovem cadete para as árduas lides do mar, ao mesmo tempo que lhe incute as inalienáveis virtudes militares.
Terminou a licenciatura em Ciências Militares Navais em 1968; embarcando de seguida como oficial de guarnição em fragatas e navios patrulhas. Foi um ano de intensa navegação, sulcando mares nacionais e internacionais, cimentando na prática os conhecimentos teóricos anteriormente adquiridos, em que o jovem oficial de guarnição, foi por diversas vezes colocado à prova perante situações reais.
É neste período, navegando no extenso mar português, por entre nevoeiros e borrascas num meio anti-natural, onde poucas vezes se experimenta o embalo da bonança, que o Guarda-Marinha e posteriormente 2º Tenente Rodrigues Gaspar, em momentos de sofrimento e algum perigo se descobre a si próprio. Para trás ficavam outros sonhos, a aventura e o desafio do mar estavam ganhos.
Em 1969 o 2º Tenente Rodrigues Gaspar especializa-se em Armas Submarinas, tendo ficado como professor nesta mesma Escola durante os anos lectivos de 1970 e 1971
Em 1972 especializa-se em Submarinos e em 1973 é promovido a 1º Tenente.
Nesse ano o nosso homenageado casa-se e fixa residência no Barreiro.
Uma vez especializado, o 1º Tenente Rodrigues Gaspar serve a bordo dos submarinos, inicialmente como oficial de guarnição, e posteriormente como Oficial Imediato até meados de 1978.
Em Setembro de 1978 é promovido a CAPITÃO-TENENTE.
Foi nesta altura da sua carreira que o Comandante Rodrigues Gaspar é nomeado para comandar o Submarino Albacora e, posteriormente o Submarino Delfim, situação que se manteve até 1982.
Foram nestes anos de intensa navegação e extensos períodos longe de casa e da família, que as suas duas filhas nasceram e cresceram, assistindo a muitas despedidas do pai, mas também com chegadas sempre agradáveis, porquanto algumas destas significavam novas prendas.
Uma vez desembarcado, o Comandante Rodrigues Gaspar, foi nomeado para o exigente cargo de Chefe do Estado-Maior da Esquadrilha de Submarinos e posteriormente o de 2º Comandante da Esquadrilha, cargo em que se mantém até 1985.
Durante este longo período ao serviço da arma submarina, o Comandante Rodrigues Gaspar frequentou o Curso Geral Naval de Guerra e participou inúmeras vezes no planeamento e condução de exercícios da NATO, em Comandos Nacionais e Internacionais, bem como em Quartéis-Generais da Aliança Atlântica, o que lhe permitiu obter uma experiência ímpar nas áreas operacional e estratégica, a qual sempre soube empregar, de forma exemplar, ao serviço da Marinha.
No período de 1972 a 1985, o Oficial da Armada Álvaro Rodrigues Gaspar foi por diversas vezes louvado pelos comandantes das unidades onde serviu, tendo sido agraciado pelo Chefe do Estado-Maior da Armada em 1980 com a MEDALHA MILITAR DE COMPORTAMENTO EXEMPLAR – PRATA.
Em 1984 foi condecorado com a MEDALHA MILITAR DE SERVIÇOS DISTINTOS – PRATA.
Em 1985 recebeu nova condecoração, desta vez a MEDALHA MILITAR DE MÉRITO MILITAR DE 2ª CLASSE.
Em 1986 o Comandante Rodrigues Gaspar foi nomeado para frequentar em Newport nos EUA o “NAVAL WAR COLLEGE”, onde obtém uma pós–graduação designada por “NAVAL STAFF COURSE”.Regressado a Portugal, foi nomeado para prestar serviço na Divisão de Operações do Estado-Maior da Armada, onde permaneceu até 1990.
Em Julho de 1988, quando prestava serviço no Estado Maior da Armada, é promovido a CAPITÃO-DE-FRAGATA.
Em 1990 quando termina a comissão no Estado Maior, o Capitão de Fragata Rodrigues Gaspar, é novamente condecorado pelo Almirante Chefe do Estado Maior da Armada com a MEDALHA MILITAR DE SERVIÇOS DISTINTOS – PRATA, e é indigitado para frequentar em Roma Itália o curso “NATO DEFENSE COLLEGE”.
Terminado o curso em Roma, foi seleccionado para servir como Adjunto de Marinha, do Representante Militar junto do Comité Militar da NATO, no Quartel-General da Aliança, em Bruxelas – Bélgica.
Esta comissão de 3 anos, sendo deveras cansativa, tornou-se contudo extremamente aliciante. Numa altura em que tudo estava em mudança na Aliança, fruto da queda do muro de Berlim e da implosão da União Soviética, para apenas 3 oficiais de um pequeno País no Staff do Representante Militar, foram longas e constantes reuniões a defender os interesses nacionais, quantas vezes na ausência do desejável apoio de Lisboa. Foi contudo, e também, um período em que a família teve oportunidade de conhecer uma boa parte da Europa, e as filhas tomarem contacto com outras realidades escolares.
Pelos relevantes serviços prestados nesta comissão em Bruxelas, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, condecora o então Capitão de Fragata Rodrigues Gaspar com a MEDALHA MILITAR DE SERVIÇOS DISTINTOS – PRATA.
Em 1994 é escolhido para comandar a Esquadrilha de Submarinos, e exercer as funções delegadas de Autoridade Operacional de Submarinos, cargos que desempenha até Julho de 1997.
Em 1995, a meio desta comissão é promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra.
Pela forma exemplar como exerceu o Comando da Esquadrilha de Submarinos, é novamente condecorado, com a MEDALHA MILITAR DE SERVIÇOS DISTINTOS – PRATA.
Em Agosto de 1997, o CAPITÃO–DE-MAR-E-GUERRA Rodrigues Gaspar, é nomeado Chefe do Estado-Maior do Comando Naval, cargo que desempenha até ser escolhido para o curso de promoção a oficial general, no “NAVAL WAR COLLEGE”, em Newport, Rhode Island, EUA, onde obtém a sua 2ª pós-graduação designada”Naval Command Colllege”.
Em 1998 é condecorado coma MEDALHA MILITAR DE COMPORTAMENTO EXEMPLAR – OURO e pelos serviços prestados no Comando Naval, com a MEDALHA MILITAR DA CRUZ NAVAL DE 2ª CLASSE.
Concluído o curso de oficial general nos EUA, é colocado no Instituto Superior Naval de Guerra, onde exerce as funções de Coordenador da Área de Ensino das Operações Navais, e lecciona esta matéria aos futuros comandantes e almirantes.
Em 6 de Outubro de 2000 foi promovido ao posto de CONTRA-ALMIRANTE, tendo sido nomeado para Comandante da Zona Marítima dos Açores, acumulando com os cargos de Chefe do Departamento Marítimo e Comandante Regional da Polícia Marítima.
Nesta região do atlântico, extremamente extensa e recortada por várias linhas de navegação, onde a escassez de unidades navais fiscalizadoras é permanente, a acção estratégica do Almirante Rodrigues Gaspar foi preponderante para manter a presença naval na área, e obter assinaláveis resultados na execução das missões efectuadas, como foi superiormente reconhecido.
Pelos serviços prestados no Comando da Zona Marítima dos Açores, durante 3 anos e 8 meses, o Contra Almirante Rodrigues Gaspar, foi condecorado com a MEDALHA MILITAR DE SERVIÇOS DISTINTOS – PRATA, a quinta durante a sua carreira militar.
Em 30 de Junho de 2004 o Contra Almirante Álvaro Rodrigues Gaspar passa à situação de Reserva da Armada, culminando assim uma exemplar carreira militar de 40 anos de serviço activo.
Passado algum tempo nesta situação, volta a dar o seu contributo á Marinha. Como oficial na Reserva, voltou a prestar serviço efectivo com as funções de professor, no Instituto Superior Naval de Guerra e posteriormente como Vogal do Conselho Superior da Disciplina da Armada, cargos que desempenhou até finais de 2008.
Em Novembro desse ano, a seu pedido, regressa definitivamente a casa, deixando o serviço efectivo.
Em 13 de Agosto de 2010, dia do seu 65º aniversário, o Almirante Álvaro Rodrigues Gaspar passou à SITUAÇÃO DE REFORMA de acordo com o Estatuto dos Militares das Forças Armadas.
Este último acto foi o culminar de uma carreira profissional de mais de 45 anos dedicados à Armada e a Portugal.
Ainda no serviço activo o nosso Companheiro Álvaro Gaspar, tem conhecimento do movimento Rotário no Barreiro. Convidado a frequentar o Clube, rapidamente abraça a filosofia humanística deste movimento, revelando-se um dos seus membros mais activos. Ao longo destes anos em Rotary, desempenhou em prole do Clube e do Movimento, quase todas as funções inerentes a um sócio representativo. Neste ano rotário 2010/2011, o nosso homenageado é o GOVERNADOR ASSISTENTE para os clubes do arco ribeirinho sul da zona metropolitana de Lisboa, designado por Grupo 11.
A face social e humanitária, a nobreza de carácter e o elevado sentido de cidadania, do nosso homenageado, estão ainda evidenciados na ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DO BARREIRO, organismo do qual é Presidente da Direcção desde finais de 2006. A sua acção ao leme desta instituição humanitária, demonstra o elevado espírito de solidariedade e amor ao próximo, valores intrínsecos à personalidade do nosso Homenageado, Amigo e Companheiro Álvaro Rodrigues Gaspar.
O nosso homenageado é casado com a D. Maria da Graça. Tem duas filhas – a Patrícia e a Joana e três netos – a Leonor, o Daniel e o João.

Álvaro Gaspar agradeceu a distinção do Rotary Club do Barreiro. Aqui divulgamos, o texto integral da sua intervenção:

ROTARY CLUB DO BARREIRO
HOMENAGEM AO PROFISSIONAL DO ANO (2010/2011)
08 de Novembro de 2010

Meus Amigos e Companheiros

Podem acreditar que este momento é mais um Marco na minha vida.
Vida que já vai longa, mas que parece tão curta!! Vejam só como é possível transcrever toda uma carreira de 44 anos, para umas folhas de papel, tal com acabámos de ouvir da boca do nosso Companheiro Esteves Mendes.
Obrigado Companheiro e Camarada.
E como pode um previsível destino mudar do dia para a noite em menos de 24 horas.
Mas a vida é mesmo assim; cheia de surpresas.
E de facto, parece que foi ontem, quando andava a jogar ao berlinde ou a arrastar a asa às miúdas do meu bairro, quando tinha dores de barriga nas vésperas dos exames no liceu, quando, saindo quase do nada, me vi, com vinte e poucos anos, sozinho na ponte de uma fragata, responsável pela vida de muitos homens. Foi nessas noites inesquecíveis, ao sabor das vagas do Atlântico e do cheiro arrepiante do balde onde ia vomitando, que me fiz um Homem.
Um homem e um Oficial. Oficial da Marinha que acabei por servir durante 44 anos.
Como devem calcular, para alguém que abraçou esta carreira, a qual terminou há tão pouco tempo, este é um momento muito especial, mas também bastante doloroso.
Gostaria de falar de improviso, mas como sou muito emotivo, achei por bem escrever estas palavras, para que a emoção não me faça esquecer aquilo que de mais importante gostaria de aqui deixar realçado.
E se por acaso algumas lágrimas não conseguir conter, perdoem-me, mas terei de fazer uma ou outra pausa para limpar a vista.
De facto, nasci no seio de uma família pobre e humilde, que me ensinou a lutar pela vida, sem artimanhas, sem cunhas e sem influências.
Que eu saiba, nenhum antepassado meu serviu na Marinha ou nas Forças Armadas, e quando decidi abraçar a Marinha devo confessar que não fazia a menor ideia do que iria ser a minha vida.
Depressa aprendi que só lutando pelos nossos ideais e seguindo os princípios da lealdade, da disciplina e da sã camaradagem, poderia ter uma carreira normal, digna, e chegar até onde o meu trabalho, dedicação e sorte, me pudessem levar.
Tudo o que fui e sou devo-o à Marinha, mas isto só foi possível através do meu trabalho e dos meus sacrifícios; a mim, a Marinha nada me deve.
Tive a sorte de ter sempre encontrado comandantes e chefes que muito me ensinaram, bem como muitos sargentos e praças que me deram a honra de com eles passar horas difíceis e vencer muitos desafios; mas que também me proporcionaram momentos de muito prazer.
Quando há alguns anos deixei o meu último Comando, dirigi algumas palavras ao meu pessoal, que hoje posso em parte, repetir.
Meus Amigos, meus Companheiros; continuem a seguir o trilho da honestidade, seja esforçados, dêem o melhor de vós nas vossas actividades e profissões, sejam verdadeiros lideres, tratem os vossos superiores e subordinados, patrões ou empregados, com educação, justiça, com a dignidade e amizade que todos merecem, sem nunca esquecer a pessoa humana, a correcta frontalidade, o exemplo, a transparência e a educação.
Tal como eu, vocês sabem que mais cedo ou mais tarde a verdadeira recompensa aparecerá.
Somos livres de pensar, mas temos de ter a inteligência suficiente para saber discernir a altura adequada para dizer ou fazer o que melhor serve os nossos interesses, mas sempre sem pôr em causa os interesses de terceiros. Será isto uma utopia ? Julgo que não ! Mas o vosso juízo e inteligência, serão fundamentais para que tal seja sempre uma realidade.
Este prémio que hoje recebo, tal como outros que tive o prazer de receber ao longo da minha carreira, deixa-me deveras orgulhoso e convicto que as opções que tomei ao longo da minha vida, foram as mais indicadas.
Sempre procurei a excelência, o rigor, a auto-disciplina, o conseguir a amizade dos outros, a entrega honesta e constante às causas da solidariedade e da ajuda aos que a minha modesta contribuição pode alcançar.
Por tudo o que passei, por tudo o que arrisquei e gozei, por tudo o que sofri e por tudo o que meu prazer, tenho de confessar que embora nunca tivesse tido uma rica vida, tive sem qualquer dúvida uma Vida muito Rica.
E meus caros Amigos e Companheiros, foi de facto no Mar, e muito especialmente enquanto Comandante, que vivi os dias mais ricos da minha carreira, que significa da minha vida. Foram mais de 16.000 horas de navegação, das quais cerca de 11.000 em imersão; o que corresponde a quase 110.000 milhas navegadas, equivalente a cerca de 15 voltas ao globo terrestre na latitude do Equador; foram mais de 7.300 dias de embarque.
Mas isto só foi possível superar, porque tive o imprescindível apoio e contributo da minha mulher.
Cada um fala por si, e sabe de si. Por isso posso afirmar com total convicção, que se não fosse a Graça, que todos bem conhecem, a minha vida teria sido muito mais triste e muito mais pobre.
Companheira exemplar, nunca hesitou entre o seu emprego e seguir-me nessas comissões que nos levaram à Europa, aos Estados-Unidos e aos Açores. Para mais, além do seu amor e dedicação, deu-me 2 filhas espectaculares, soube educá-las nas minhas ausências e transmitir-lhes princípios e valores que se revêem na sua vida profissional e familiar.
E que já me deram três netos que são o meu orgulho e estímulo para ultrapassar os permanentes escolhos do dia a dia.
Amigos e Companheiros, não quero roubar-lhes mais tempo. Mais uma vez o meu eterno obrigado por esta maravilhosa distinção, a qual recairia muito bem nos ombros de alguns de vós. E não digo de todos, porque ainda há alguns que são muito jovens; mas que vão igualmente no bom caminho. Continuem e o futuro se encarregará de os recompensar.
Obrigado a todos.
Viva o Barreiro, viva o Rotary Club do Barreiro.




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