Celebrada tradição do “Enterro do Bacalhau” no BarreiroPrestada uma homenagem ao actor Emídio Cabós
E agora estamos aqui, para te oferecer esta canção das utopias e do amor.
Na face salgada do amor” – foram palavras ditas por Abílio Apolinário, numa evocação da memória de Emidio Cabós, antes de ser dado início à celebração do “Enterro do Bacalhau”, uma iniciativa da Associação Grupo dos Amigos do Barreiro Velho.

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral que recebemos daAssociação Grupo dos Amigos do Barreiro Velho:
ENTERRO DO BACALHAU
Como vem sendo hábito, a Associação Grupo dos Amigos do Barreiro Velho saiu à rua, uma vez mais, para celebrar a tradição do “Enterro do Bacalhau”.
Diz quem viu que o evento está a ganhar qualidade e adeptos!
Para além da diversão, ao acontecimento está subjacente a ideia de preservarmos a nossa identidade, mantendo os costumes e tradições que nos acompanharam ao longo dos tempos.
Apesar da globalização e da miscigenação a que sempre estivemos abertos, a verdade é que continuamos a manter traços de caracterização como povo que se distingue de outros, por mais amigos ou próximos que sejamos.
O Enterro do Bacalhau deste ano, ficou marcado pela falta de um colaborador, o nosso habitual porta-estandarte, o nosso amigo Emídio Caboz.
Porque o Emídio tinha a nossa amizade, porque ele era um homem bom, um actor da nossa terra e um defensor de causas justas, a Associação Grupo dos Amigos do Barreiro Velho, antes de iniciar o cortejo, prestou-lhe uma pequena homenagem.
Ditas algumas palavras de evocação do seu habitual contributo, de início, foi depois lido por Abílio Apolinário, um texto escrito por Mário Rui Filipe e cantada uma canção de Zeca Afonso.
Veja-se o texto e a canção entoada:
Ao Emídio Caboz
Que amor não me engana (Zeca Afonso)
O teu amor aos outros sempre foi maior que a razão. Pela razão de estares sempre ao nosso lado, na amizade forte e inquebrável com que nos alimentaste.
Sei que queres ver-nos a sorrir e a continuar o espectáculo. A sermos Mestres na arte dos abraços, a nunca desistirmos das nossas lutas. Não queres o lamentável engano da monotonia. Sempre foste energia viva em efervescência. A quebrar regras e costumes, na mais pura e libérrima vida que pudemos conhecer.
A tua vida era o palco das emoções, no mais íntimo teatro do amor. Um homem apaixonado pelos olhos sensíveis do universo das palmas. Vamos lá, dizias sempre tu, no avanço permanente dos sonhadores.
E agora estamos aqui, para te oferecer esta canção das utopias e do amor.
Na face salgada do amor.
Cantem o tema, se conseguirem, dizia-nos Mário Rui, no final do texto.
E nós conseguimos!
“Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?
…………………….
……………………”
Zeca Afonso
A Associação Grupo dos Amigos do Barreiro Velho













