Assembleia Geral da PLURICOOP - SetúbalAprova petição para discutir a situação das cooperativas de consumo na Assembleia da República
A sessão realizou-se na sede da Cooperativa em Setúbal, tendo decorrido de forma participada e interessada pelos cooperadores, de entre os quais também muitos trabalhadores.
“A suspensão da actividade de algumas lojas que têm mostrado maiores dificuldades em equilibrar os seus resultados, é uma medida que não pode mais ser adiada” – é referido na Resolução da PLURICOOP, aprovada na reunião da Assembleia Geral.
A Assembleia da cooperativa salienta que “esta situação não pode ficar apenas no interior da Cooperativa”, tendo aprovado a Petição, proposta pela FENACOOP, para que esta situação seja discutida na Assembleia da República.

Por Jornal Rostos
Com uma expressiva participação realizou-se na passada sexta-feira dia 11, uma Assembleia Geral para analisar a situação actual e o futuro da maior Cooperativa de Consumo portuguesa.
A sessão realizou-se na sede da Cooperativa em Setúbal, tendo decorrido de forma participada e interessada pelos cooperadores, de entre os quais também muitos trabalhadores.
A Direcção começou por expor a actual situação bem como os esforços que foram já desenvolvidos e que estão previstos desenvolver no sentido de encontrar as melhores soluções para a viabilização da Cooperativa.
Seguiram-se as intervenções dos cooperadores e as respostas da Direcção. Da discussão resultou uma resolução que foi aprovada pela Assembleia e que expressa a posição da Cooperativa.
Resolução aprovada pela Assembleia
Divulgamos o texto integral da proposta aprovada na reunião da Assembleia Geral da PLURICOOP:
Proposta de Resolução à Assembleia Geral da PLURICOOP de 11/Março/2011
Ao longo de dezenas de anos de muito empenho, esforço e até sacrifícios pessoais, os Cooperadores, os Trabalhadores e Dirigentes da PLURICOOP puseram de pé a maior cooperativa de consumo de Portugal.
Esta obra colectiva, é o resultado de vários e complexos processos reunindo uma história e um património social e material que não é possível ignorar.
As dezenas de lojas, as centenas de trabalhadores, servindo milhares de associados e as comunidades em que se inserem, com um movimento anual de muitos milhões de euros de transacções, são sinais objectivos desta realidade que contém ainda um património imaterial feito de laços, relações, formação cívica e profissional, acção cultural, não menos impressiva.
Porém, a partir de 2005 as dificuldades de mercado, subitamente agravadas pela crise mundial de 2008, geraram resultados negativos que não foram eficazmente combatidos.
A situação financeira da PLURICOOP apresentava também debilidades, já que os milhões de euros de investimentos na renovação das lojas e seus equipamentos foram apoiados por créditos de curto prazo, prática consentida e até estimulada pela banca na altura e com quase nulos apoios públicos nacionais ou europeus.
Os apoios que para muitos sectores chegaram e em muitos casos nem foram totalmente utilizados ou noutros casos geraram utilizações abusivas e até fraudulentas, foram inexpressivos para as cooperativas de consumo e em particular para a PLURICOOP, ora porque somos uma grande empresa, ora porque estamos na Região de Lisboa e Vale do Tejo, ora porque somos uma cooperativa e não temos os indicadores financeiros normais duma empresa privada.
Com a crise internacional a banca alterou substancialmente as suas práticas, as seguradoras de crédito reduziram os limites aos fornecedores e toda a operação sofreu uma mudança radical que afectou seriamente a vida da Cooperativa, que vive presentemente a sua maior crise.
Sem prejuízo de análises mais detalhadas, da necessidade de se extraírem lições que a todos nos ensinem a evitar trilhar caminhos menos seguros ou a cometer os mesmos erros, consideramos que é no contexto que sinteticamente se descreveu que realisticamente temos que nos situar para projectar o futuro.
Continuamos convencidos do valor do cooperativismo como forma socialmente justa de organizar a economia, e em particular como forma de servir os consumidores com produtos e serviços a preços justos, respondendo às reais necessidades do consumidor sem estimular o consumismo e o endividamento.
Estamos conscientes das dificuldades gerais que a todos afectam, sabemos que a situação não é fácil, mas não desistimos e por isso consideramos que a Direcção da Cooperativa deve ter em conta na sua actuação as seguintes linhas de orientação:
1. O Governo e os outros Órgãos de Poder, dando real cumprimento à Constituição da República, têm que apoiar a PLURICOOP evitando a perda de postos de trabalho e portanto mais custos sociais, evitando a perda de um canal alternativo e socialmente justo de distribuição de bens alimentares e a maior concentração nos grandes grupos económicos que a todos explorarão quando puderem ter uma acção cartelizada. O apoio atempado ao financiamento em moldes adequados à viabilização da PLURICOOP é pois o que se espera do Estado;
2. Os fornecedores têm que continuar a apoiar a PLURICOOP, as outras cooperativas de consumidores e o comércio tradicional, evitando o seu esmagamento a prazo pelos grandes grupos distribuidores;
3. A banca deve olhar para a PLURICOOP como um actor económico relevante regionalmente e que tem cumprido as suas obrigações;
4. Os trabalhadores, a quem está a ser pedido um grande sacrifício, devem continuar a agir consciente e responsavelmente na defesa da cooperativa que servem, como a melhor forma de defender o seu posto de trabalho, os seus direitos sociais e laborais.
A viabilização da PLURICOOP, neste quadro de crise, exige no imediato medidas que são duras e difíceis, mas inevitáveis:
5. A suspensão da actividade de algumas lojas que têm mostrado maiores dificuldades em equilibrar os seus resultados, é uma medida que não pode mais ser adiada;
6. A reestruturação de todos os serviços com a necessária redução de custos em ordem a obter no mais curto tempo possível o equilíbrio de resultados de exploração e os excedentes que permitirão cumprir com as obrigações contraídas e resgatar o património já onerado ou entregue a fundos imobiliários;
7. Finalmente a chamada a todos os Cooperadores para que retomem a sua ligação normal com a Cooperativa, abastecendo-se nas suas lojas, difundindo a Cooperativa como um instrumento importante dos consumidores e das suas comunidades.
Mas esta situação não pode ficar apenas no interior da Cooperativa, pelo que igualmente aprovamos a Petição proposta pela FENACOOP de levarmos a ponderação desta situação à discussão da Assembleia da República.
Setúbal, 11 de Março de 2011













