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Apresentado pedido de insolvência da COOPLISBOA – SetúbalMarca início de uma nova fase na vida das cooperativas de consumo

Em comunicado do Secretariado da FENACOOP – Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores, é referido que – “o investimento realizado pelas cooperativas de consumo, que atingiu na última década mais de 15 milhões de euros, não contou com apoios públicos, nacionais ou comunitários”.

“A partir de Novembro de 2010 começou a ser impossível cumprir atempada e integralmente com o pagamento aos trabalhadores e neste momento a União e a maior Cooperativa estão em falta desde o mês de Fevereiro, situação que a todos nos penaliza e que exige alteração” – é sublinhado.

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Apresentado pedido de insolvência da COOPLISBOA – Setúbal Marca início de uma nova fase na vida das cooperativas de consumo

Por Jornal Rostos

DIVULGAMOS O TEXTO INTEGRAL DO COMUNICADO QUE RECEBEMOS NA NOSSA REDACÇÂO :

AS COOPERATIVAS DE CONSUMO

As cooperativas de consumo, associando os consumidores, têm como missão adquirir para fornecimento aos seus membros e respectivo agregado familiar, nas melhores condições de qualidade, informação e preço, bens e/ou serviços destinados ao seu consumo ou uso directo.
Como associações de consumidores as Cooperativas de Consumo formam os consumidores para um consumo sustentável e saudável.
Como cooperativas não têm ânimo de lucro e a sua acção tem como objectivo servir os consumidores.
Têm um longo historial no Mundo e em Portugal, representando em alguns países mais de 50% da distribuição alimentar, garantindo um serviço aos consumidores com valor estratégico.
São um obstáculo à especulação dos grandes grupos privados de distribuição que têm vindo a aniquilar o comércio tradicional, a impor condições absolutamente leoninas aos produtores nacionais, a fomentar a importação de produtos preterindo os nacionais e a usar cada vez mais trabalhadores precários.

Em Portugal são representadas pela FENACOOP, Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores fundada em 1978, e em 1985 criaram a sua central de compras e logística a COOPLISBOA, União de Cooperativas de Consumo.
Estas estruturas têm tido um papel fundamental rompendo o isolamento entre cooperativas e fomentando as fusões, a remodelação de lojas, a formação de pessoal, o cumprimento das normas e exigências sanitárias e de segurança alimentar, a utilização de novas tecnologias e metodologias de gestão, a aquisição em condições razoáveis dos produtos e sua distribuição pelas cooperativas associadas e, como não podia deixar de ser, o respeito pelos princípios e valores cooperativos mundialmente estabelecidos e que o Código Cooperativo Português acolheu.

De salientar que o investimento realizado pelas cooperativas de consumo, que atingiu na última década mais de 15 milhões de euros, não contou com apoios públicos, nacionais ou comunitários, pois a vária legislação regulamentadora destes não tem tido em conta a especificidade das Cooperativas, que são organizações de pessoas e não de capitais pelo que, o investimento assentou, fundamentalmente, em fundos próprios e no recurso a crédito de curto prazo.

A partir de 2005 (Lei nº. 12/2004) deu-se uma ainda maior liberalização na implantação das grandes cadeias comerciais e as condições para o pequeno comércio retalhista e independente foram fortemente alteradas, tendo igualmente as cooperativas de consumo sentido novas e acrescidas dificuldades.
Porém, é com a crise financeira mundial de 2008 que tudo se precipita. Em 2009 os bancos e as seguradoras de crédito reduzem drasticamente os seus plafonds, e uma operação comercial que esteve alicerçada em crédito de curto prazo durante anos a fio, entra em clara quebra de fornecimentos, consequente quebra de vendas e os prejuízos de exploração atingem valores altamente perigosos, deteriorando os capitais próprios que nunca foram muito elevados.

A principal consequência foi a impossibilidade de cumprir os prazos de pagamento a fornecedores, muitos deles pequenos produtores e outras cooperativas, que já tinham também as suas próprias dificuldades.
A partir de Novembro de 2010 começou a ser impossível cumprir atempada e integralmente com o pagamento aos trabalhadores e neste momento a União e a maior Cooperativa estão em falta desde o mês de Fevereiro, situação que a todos nos penaliza e que exige alteração.

O Governo foi directamente e por diversas vezes alertado para a situação, para os riscos que corriam centenas de postos de trabalho e as propostas apresentadas, não tiveram a aceitação esperada. Não foram aprovados os créditos que teriam permitido dar continuidade à actividade destas cooperativas.

De referir também que o Presidente da Assembleia da República não acedeu recentemente a um pedido de audiência para a entrega de um abaixo-assinado que recolheu mais de 7 mil assinaturas e que solicitava a atenção da Assembleia da República para esta situação.

Entretanto, corre em tribunal o pedido de insolvência da COOPLISBOA e, no nosso entender, este tem que ser o início de uma nova fase na vida das cooperativas de consumo.
Vamos apresentar e defender um plano de viabilização não só para a União, mas também para as maiores Cooperativas que estão com dificuldades financeiras, em que o Estado, os Bancos, os Fornecedores e os Trabalhadores se comprometam, devendo implicar uma reestruturação financeira, económica e organizativa das entidades envolvidas.
As cooperativas de consumo são viáveis e necessárias e continuarão a prestar serviços relevantes aos Consumidores, são aliadas importantes do Estado e dos Produtores Portugueses, são reconhecidas pelas Autarquias como estruturas relevantes para as respectivas comunidades e têm uma política de recursos humanos onde os Trabalhadores são respeitados e parceiros.

É esta nova fase que começa agora a ser planeada e esperamos que em breve possa ser executada porque estamos convictos de que tal corresponde ao interesse de todos os actores que temos vindo a referir e da economia nacional.
O ano de 2012 foi escolhido pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Ano Internacional das Cooperativas e para as cooperativas de consumo em Portugal ele deve ser o ano de reorganização e de esperança no futuro.
Esta é a vontade dos Cooperadores, Trabalhadores e Dirigentes, que não pouparão esforços, vontades e capacidades mas que também não deixarão de exigir ao futuro Governo e a todos os Órgãos de Poder o cumprimento da Constituição da República Portuguesa que estabelece o princípio de que o “Estado estimula e apoia a criação e a actividade de cooperativas” (Artigo 85º).

Setúbal, 25 de Maio de 2011
O Secretariado

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