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Misericórdia de Alhos Vedros - MoitaTorna-se assim imperioso que o Estado cumpra os compromissos assumidos

"A dívida do Estado à Instituição, de alguns milhares de euros – que, a ser saldada, poderia resolver de imediato algumas dificuldades financeiras –, a ausência da atualização dos Protocolos por parte do Governo e de regras mais simples nas chamadas “cantinas sociais”, tal como estava prometido, e ainda o acréscimo das situações de incumprimento no pagamento das mensalidades, tanto nos Lares como nas Creches, são exemplos e resultado desta política de extrema insensibilidade social que penaliza o trabalho da Misericórdia no nosso Concelho." - refere um comunicado da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros.

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Misericórdia de Alhos Vedros - Moita Torna-se assim imperioso que o Estado cumpra os compromissos assumidos

Por Jornal Rostos

A MISERICÓRDIA COM OS SEUS 512 ANOS NO CONTEXTO ATUAL

Num contexto nacional gravoso, a Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros assinalou, no dia 14 de Outubro, a passagem do seu 512º aniversário. O programa comemorativo do aniversário integra, este ano, além da sessão solene, o colóquio “Reflexão Sobre Cuidados Continuados”, no dia 17 de Outubro, em que são oradores:
- Dr.º Caldas de Almeida, Secretariado da União das Misericórdias pelo Pelouro da Saúde e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Mora.
- Dr.º Jorge Carvalho, Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Azeitão.

Segundo as informações Paroquiais de Alhos Vedros de 1747, a Santa Casa da Misericórdia foi inicialmente instalada na Ermida da Nossa Senhora da Victória, situada a norte da Vila, junto ao Largo da Graça. A criação desta instituição, destinada a prover os pobres e os necessitados, data de 14 de Outubro de 1500, logo após a fundação da Misericórdia de Lisboa em 1498.

O zelo e o espírito generoso de alguns benfeitores da época foram dotando esta Instituição de alguns rendimentos e obras pias, de acordo com as suas capacidades económicas e motivos político/religiosos. Assim, nos anos de 1590 a 1591 (segundo a mesma fonte acima referida), procedeu-se à construção da Santa Casa da Misericórdia, na Praça da Vila de Alhos Vedros.

As Santas Casas de Misericórdia primavam por tratar todos os seres humanos como irmãos, independentemente da sua raça, linguagem e cultura. Instalavam e mantinham hospitais e outros equipamentos de promoção e ação social à disposição de toda a população.

Nestes cinco séculos de existência, continuam a ser instituições pujantes, assumindo um variado leque de serviços. Respondem, na prática, às atuais formulações de proteção e solidariedade social que decorrem do apelo da dignidade da pessoa humana.

Porém, face à atual situação política, social e económica, marcada pela demissão do Estado Social que não apoia mas apoia-se neste sector, as Misericórdias, e concretamente a de Alhos Vedros, depara-se com enormes problemas de sustentabilidade e, portanto, de capacidade de resposta, consequência dos inúmeros pedidos que nos chegam por parte das famílias que, hoje em dia, enfrentam dificuldades ainda mais dramáticas, resultado do desemprego galopante, do aumento exponencial dos impostos e do incremento do custo de vida, sendo este um fenómeno interclassista.

A dívida do Estado à Instituição, de alguns milhares de euros – que, a ser saldada, poderia resolver de imediato algumas dificuldades financeiras –, a ausência da atualização dos Protocolos por parte do Governo e de regras mais simples nas chamadas “cantinas sociais”, tal como estava prometido, e ainda o acréscimo das situações de incumprimento no pagamento das mensalidades, tanto nos Lares como nas Creches, são exemplos e resultado desta política de extrema insensibilidade social que penaliza o trabalho da Misericórdia no nosso Concelho.
Torna-se assim imperioso que o Estado, em todos os sectores, cumpra os compromissos assumidos para que se possa reclamar junto dos cidadãos a manutenção de um Estado Social que, sem as misericórdias, seguramente não existirá em Portugal.

Perante este cenário, deveras preocupante, reservamos uma palavra de reconhecimento aos nossos fornecedores, que continuam a trabalhar connosco apesar de todas as dificuldades e limitações pelas quais o sector está passar.

Por fim, e de maior importância para nós, um sincero agradecimento aos trabalhadores. São eles os agentes fundamentais que, com o seu esforço e um trabalho sério e perseverante, prestigiam o bom nome da Misericórdia de Alhos Vedros, mesmo tendo em conta os constrangimentos por todos reconhecidos.

A Mesa Administrativa

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