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Experiência voluntária na Associação Comunitária do BarreiroO CUSTO EMOCIONAL DO VOLUNTARIADO

Olhar aqueles rostos, salvo raras exceções, é um murro no estômago e uma pergunta permanente: Porquê? Que país é este onde cada dia mais pessoas precisam de enfrentar estas filas de desespero e humilhação?

São pobres resultantes duma conjuntura a que são alheios, pobres que tinham para comer fruto do seu trabalho e que, hoje, tudo, ou quase tudo lhes foi tirado, exceto as filas da humilhação.

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Experiência voluntária na Associação Comunitária do Barreiro O CUSTO EMOCIONAL DO VOLUNTARIADO

Por Jornal Rostos

Geraram muita polémica e alguma revolta, as declarações, insensatas e insensíveis, de Isabel Jonet, aos média. Ninguém lhe contesta o valor à frente do Banco Alimentar e, também nos parece que poucos foram os que deixaram de colaborar por essa razão, porque a solidariedade está acima de tudo e nós somos um povo solidário.

No entanto, é importante que se saliente, que o seu trabalho de direcção só é um êxito porque milhares de voluntários anónimos põem de pé todo um trabalho de recolha, organização e distribuição das muitas toneladas de alimentos, que são enviados para praticamente todas as cidades do país.

Mas vem isto a propósito da experiência voluntária e solidária que temos vivido, nestas últimas semanas, na Associação Comunitária do Barreiro. Uma associação que vive da dedicação sem limites de poucas pessoas e que, nalguns dias do mês, precisa de mais ajudas voluntárias para a distribuição dos alimentos diretamente às pessoas inscritas. E, é este contato com quem nada tem, que nos deixa um sentimento misto de tristeza e revolta, e uma grande incapacidade para aceitar que tenha de ser assim: estar numa fila aguardando o fornecimento de uma lista de bens essenciais, previamente atribuídos conforme os agregados familiares, as despesas e os rendimentos. Humilhante.

Olhar aqueles rostos, salvo raras exceções, é um murro no estômago e uma pergunta permanente: Porquê? Que país é este onde cada dia mais pessoas precisam de enfrentar estas filas de desespero e humilhação? Dir-nos-ão que todos os países têm pobres a necessitar de ajuda. É verdade que, também, sempre os tivemos, mas não a pobreza a que se assiste presentemente, aquela que temos visto nos rostos e nos gestos daqueles que nos entregam sacos vazios esperando o mínimo indispensável para um mês das suas vidas e, nunca são bifes, nem peixe, como muito bem sabe, Isabel Jonet.

São pobres resultantes duma conjuntura a que são alheios, pobres que tinham para comer fruto do seu trabalho e que, hoje, tudo, ou quase tudo lhes foi tirado, exceto as filas da humilhação.
Em dezembro de 2012.

Maria Aliete e Carlos Guinote

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