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Movimento de CidadaniaApela a visita ao Hospital do Barreiro da Comissão Parlamentar de Saúde

. Ainda não fomos recebidos pela ARS-LVT

“A valência de Oncologia do Hospital do Barreiro é considerada, desde há 15 anos, como uma área de desenvolvimento estratégico deste hospital” – sublinha o Movimento de Cidadania.

“Gostaríamos de ver, efectivamente, a Comissão Parlamentar de Saúde fazer uma visita ao nosso Hospital, para poderem verificar in loco as nossas preocupações e sensibilizarem-se para a necessidade de pressionar as entidades responsáveis para uma resolução rápida dos problemas apresentados.” – é salientado.

11 min de leitura
Movimento de Cidadania Apela a visita ao Hospital do Barreiro da Comissão Parlamentar de Saúde

Por Jornal Rostos

O Movimento de Cidadania foi constituído em 9 de Outubro do ano transacto, com o objectivo de defender a valência de Oncologia do Hospital Nossa Senhora do Rosário-Barreiro, integrante do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo (CHBM). Este Movimento, constituído pela Associação de Mulheres com Patologia Mamária (AMPM), uma representante da Petição levada a cabo pelas doentes oncológicas do Hospital Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, Cristina Santos, uma representante da Plataforma Cidadã Resistência à Destruição do Serviço Nacional de Saúde, Cristina Paixão, um representante das Juntas de Freguesia do Concelho do Barreiro, António Belchior, e um elemento fundador da AMPM, Apolónia Teixeira.
Este Movimento levou a efeito várias acções das quais deu conhecimento através de uma conferência de imprensa, realizada a 19 de Fevereiro..

Carência de médicos nas várias especialidades hospitalares

Refere que após a formação do Movimento, procedeu-se a um levantamento das dificuldades sentidas na valência de Oncologia e à elaboração de um documento que foi lido e aprovado na Marcha Solidária da AMPM de 21 de Outubro de 2012.
O documento foi entregue ao Conselho de Administração do CHBM a 22 de Outubro, no qual se expressava-se a preocupação face ao panorama do Hospital do Barreiro no que diz respeito à carência de médicos nas várias especialidades hospitalares, merecendo-nos maior preocupação a valência de Oncologia, nomeadamente as Unidades de Oncologia, Anatomia Patológica e Radioterapia.

Movimento recebido por Grupos Parlamentares

”Esta preocupação foi por nós expressa nas várias audiências concedidas por alguns Grupos Parlamentares, e que tiveram lugar no mês de Novembro do ano transacto” – é referenciado.
O Movimento foi recebido, até esta data, pelos Grupos Parlamentares do PCP (15-11-2012), do Bloco de Esquerda (28-11-2012) e do Partido Ecologista “Os Verdes” (28-11-2012).
O Partido Ecologista “Os Verdes” já tinha estado presente na Junta de Freguesia da Verderena, no dia 11 de Outubro de 2012, representado pela deputada Heloísa Apolónia, numa reunião sobre a situação da valência de Oncologia do Hospital do Barreiro, tendo este Movimento sido convidado a estar presente.

Petição levada das doentes oncológicas do Hospital do Barreiro

No dia 9 de Janeiro, o Movimento foi recebido pela Relatora, Dra. Mercês Borges, no seguimento do processo relativo à Petição levada a cabo pelas doentes oncológicas do Hospital do Barreiro. Esta audiência teve o objectivo de esclarecer a Relatora acerca dos fundamentos em que se baseou a Petição, que deverá depois elaborar uma apreciação e deliberar sobre o pedido de agendamento para discussão em Plenário, a ser entregue à Presidente da Assembleia da República. A partir dos esclarecimentos prestados nesta audiência, a Relatora ficou sensibilizada para a urgência deste problema, tendo já questionado o Governo sobre esta situação.

Questões colocadas ao Governo aguardam resposta

No dia 6 do corrente mês, foi recebido pela Comissão Parlamentar de Saúde, presidida pela deputada Maria Antónia Almeida Santos, na qual estiveram presentes deputados representantes de todos os Grupos Parlamentares. Foram-nos colocadas algumas questões relativas aos problemas sentidos na valência de Oncologia do Hospital do Barreiro, por parte dos deputados Carla Cruz (PCP), Isabel Neto (CDS-PP), Elsa Cordeiro (PSD) e Manuel Pizarro (PS). Tivemos a oportunidade de esclarecer e reafirmar aos senhores deputados que, segundo os dados de que dispomos, existe fundamento para as nossas preocupações. Os deputados mostraram-se sensíveis às questões levantadas, tendo o senhor deputado Manuel Pizarro feito uma intervenção onde lamentou a falta de humanização nas políticas que estão a ser aplicadas na área da Saúde. Na sequência desta audiência, o Grupo Parlamentar do PCP colocou já diversas questões ao Governo, que aguardam resposta.

Comissão Parlamentar de Saúde vai questionar Ministro

Sublinha o Movimento que a Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde concordou que existem motivos de preocupação no funcionamento da valência de Oncologia e aproveitou para nos assegurar da sua disponibilidade para nos voltar a receber no futuro, caso houvesse necessidade. Irá propor uma visita da Comissão Parlamentar de Saúde ao Hospital do Barreiro para melhor avaliar a situação. Informou ainda que, no próximo dia 20 de Março, o senhor Ministro da Saúde irá estar presente numa audiência da Comissão Parlamentar de Saúde, onde irá responder a várias questões relativas à sua tutela, incluindo os problemas por nós denunciados.

Situação da falta de médicos-oncologistas

O Movimento divulgou as suas preocupações relativas ao funcionamento da valência de Oncologia do Hospital do Barreiro.
Relativamente à situação da falta de médicos-oncologistas na Unidade Oncológica, começamos por relembrar que, em Novembro de 2011, já tinha sido apontada a necessidade de contratação de um médico oncologista, de forma a assegurar o funcionamento do serviço prestado por esta Unidade. Ao invés de ser resolvida, a situação de carência de pessoal agravou-se durante o ano de 2012, altura em que se verificou a saída de dois médicos-oncologistas seniores da Unidade Oncológica, o que necessariamente afectou o bom funcionamento dos serviços, colocando em risco a qualidade de atendimento aos doentes oncológicos do CHBM. Em resposta a esta carência, foi apenas colocado um médico-oncologista (19-11-2012), que se encontra ainda em fase de adaptação ao serviço. Embora tenhamos conhecimento da abertura de um concurso para colocação de um médico-oncologista, este concurso aindaestá a decorrer, não havendo garantia de que este médico venha a ser colocado no Hospital do Barreiro. Presentemente, portanto, mantém-se a carência de dois médicos-oncologistas na Unidade Oncológica do Hospital do Barreiro.

Saída do Director de Radioterapia e de um Físico de Rádio

Em relação ao serviço de Radioterapia, assistimos, ao longo do ano de 2012, à saída do Director de Radioterapia e de um Físico de Rádio. Já este ano, a situação agravou-se, com a saída de outro Físico de Rádio. É de realçar que o Director cessante, o Dr. Paulo Costa, foi o responsável pela implementação da técnica de radioterapia estereotáxica corporal extra-craniana, uma terapia inovadora para o tratamento do cancro e que apenas existe, em Portugal, na Fundação Champalimaud e no Hospital do Barreiro. Quanto aos Físicos de Rádio, salientamos que são técnicos responsáveis pela Dosimetria, pelo Controlo de Qualidade dos Equipamentos, pela Planimetria e Controlo de Qualidade dos Tratamentos e ainda pelo Controlo das Condições de Protecção Radiológica de toda a Unidade Assistencial de Radioterapia. Não se perspectiva, a curto prazo, a contratação de nenhum técnico de rádio. Esta carência de pessoal poderá causar o fecho do mais recente acelerador linear de Radioterapia, instalado durante o ano de 2010, com um investimento de 2 milhões de euros. Apesar do Hospital do Barreiro possuir outro acelerador (mais antigo), o que se encontra em risco de encerrar é precisamente o que proporciona a técnica inovadora já indicada. Para além disso, este encerramento conduzirá, inevitavelmente, à formação de listas de espera para tratamentos de radioterapia, com impacto negativo no tratamento dos doentes oncológicos. Perguntamos: tendo em conta o investimento recente já feito, qual o sentido de encerrar um serviço desta qualidade, principalmente considerando o actual panorama de racionalização de meios e equipamentos hospitalares, promovido pela tutela?

Dispensa de medicamentos oncológicos tem vindo a agravar-se

Como se esta situação de carência de pessoal já não bastasse para nos causar preocupação, a forma como são dispensados os medicamentos oncológicos por intermédio da farmácia hospitalar tem vindo a agravar-se desde há alguns meses. Se, inicialmente, estes medicamentos eram dispensados por períodos de um mês, actualmente a farmácia hospitalar apenas os fornece por um período de uma semana. Tal situação obriga os doentes a múltiplas deslocações ao hospital (muitas vezes, por transportes públicos), o que representa um esforço acrescido para quem já se encontra fragilizado pela doença. Aqui temos de realçar que o CHBM abrange uma área geográfica bastante vasta, que engloba 4 concelhos: Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, para além de receber doentes de toda a região Sul do País. Para além do óbvio desgaste físico, não podemos esquecer a precária situação sócio-económica de muitos dos doentes oncológicos. De facto, às múltiplas deslocações para consultas e tratamentos acrescem, agora, as deslocações semanais para fornecimento de medicamentos, uma situação que se torna, por vezes, impossível de suportar.

Reunião com Conselho de Administração

“Após a entrada em funções do actual Conselho de Administração (C.A.), em Novembro do ano passado, o Movimento solicitou o agendamento de uma reunião onde pudéssemos expor todas as nossas questões. Até esta data da conferência de imprensa ainda não se verificou qualquer contacto por parte do C.A. do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, facto que muito lamentamos” – é referido na nota enviada para o Rostos..
“Era, para nós, importante perceber quais os projectos que este C.A. tem para o futuro do CHBM e como pretende concretizá-los. Relativamente à resolução dos problemas que afectam a valência de Oncologia, gostaríamos ainda de perceber quais as medidas que dependem do C.A. e quais as medidas que estão pendentes da orientação da tutela” – é sublinhado.
Pelo que nos constou, entretanto o Movimento já reuniu com o Conselho de Administração do Hospital.

Ainda não fomos recebidos pela ARS-LVT
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Da mesma forma, apesar do nosso pedido de reunião, ainda não fomos recebidos pela ARS-LVT. Desta entidade depende a aprovação de contratação de pessoal para o Hospital do Barreiro. Tivemos conhecimento que esta Administração Regional não sancionou a contratação dos Físicos de Rádio e de um médico-oncologista por uma suposta falta de verba. Tem esta entidade conhecimento dos problemas de falta de pessoal que atravessa a valência de Oncologia do Hospital do Barreiro? Está consciente das consequências do encerramento de um dos serviços prestados pela Unidade de Radioterapia?
“Não podemos deixar de manifestar a nossa apreensão por não termos sido recebidos pela ARS-LVT e pelo actual C.A. do CHBM. Pretendemos deslocar-nos ao Hospital do Barreiro, para reiterar o nosso direito a sermos ouvidos pelo C.A., o que acontecerá brevemente. Pedimos o vosso apoio para divulgar esta situação junto da população, que tem o direito de estar informada sobre as dificuldades que se vivem no Hospital do Barreiro.” – é sublinhado na nota de lida na conferência de imprensa.

Apelo a visita da Comissão Parlamentar de Saúde

“Gostaríamos de ver, efectivamente, a Comissão Parlamentar de Saúde fazer uma visita ao nosso Hospital, para poderem verificar in loco as nossas preocupações e sensibilizarem-se para a necessidade de pressionar as entidades responsáveis para uma resolução rápida dos problemas apresentados.” – é salientado.

Oncologia área de desenvolvimento estratégico do hospital do Barreiro

“Queremos terminar este comunicado realçando que a valência de Oncologia do Hospital do Barreiro é considerada, desde há 15 anos, como uma área de desenvolvimento estratégico deste hospital. Em resultado de avultados investimentos, tem vindo a afirmar-se como uma referência nacional nos serviços prestados. Actualmente assegura o ciclo completo de tratamento ao doente oncológico, uma prestação única na península de Setúbal, e dispõe também de um oncologista todos os dias do ano, até às 24h00, indo assim de encontro às recomendações internacionais. Este serviço tem vindo a crescer de uma forma sustentada e significativa, como se comprova pelo facto de, em 2011, ter realizado cerca de 14000 consultas, 9500 sessões de hospital de dia e 350 internamentos. Apesar de não termos ainda em nossa posse as estatísticas relativas ao ano de 2012, fontes hospitalares asseguram-nos de que houve um aumento no número de consultas prestadas.” – é sublinhado

Elevado nível de profissionalismo e empenho para com os doentes

“Temos de agradecer ao grupo multidisciplinar de profissionais de saúde que, apesar das restrições existentes, se tem esforçado para continuar a prestar um serviço da maior qualidade possível aos doentes oncológicos. Queremos aqui demonstrar-lhes a nossa solidariedade, conscientes de que o funcionamento da valência de Oncologia se deve ao seu elevado nível de profissionalismo e empenho para com os doentes, quantas vezes à custa de sacrifícios pessoais.” – foi referido na conferência de imprensa.

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