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Projecto desportivo – prática pedagógicaLigar as escolas às colectividades

Na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense decorreu um Colóquio subordinado ao tema: “Xadrez: projecto desportivo – prática pedagógica” que contou com a presença de António Bravo, Coordenador do Plano de Desenvolvimento do Xadrez do Barreiro; Sérgio Rocha, Mestre Internacional e dirigente do Plano e Fernando Silva, Mestre Internacional e Capitão da equipa da Selecção Nacional.
Criar espaços permanentes que permitam a prática regular do Xadrez, promover a ligação entre as escolas e as associações, são duas linhas orientadoras consideradas prioritárias para ser dado um salto qualitativo na promoção do Xadrez.
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Projecto desportivo – prática pedagógica Ligar as escolas às colectividades

Por Rostos Desporto

António Bravo teceu considerações globais sobre o Plano de Desenvolvimento do Xadrez no concelho do Barreiro o qual, sublinhou, é considerado ao nível nacional e apontado como um exemplo a seguir, como metodologia de dinamização da modalidade.
O Plano de Desenvolvimento do Xadrez nasceu, no Barreiro, no ano 1992, com uma fase experimental ao nível de escolas Preparatórias e Secundárias, seguindo-se a partir de 1996 o seu desenvolvimento ao nível do 1º Ciclo, tendo sido a experiência pioneira promovida na Escola de Palhais.

1800 alunos envolvidos no plano

Actualmente este plano conta com a participação de cerca de 1800 alunos do 1º ciclo. Segundo, António Bravo, o Plano de Desenvolvimento do Xadrez criou jogadores, técnicos e formadores – “esta é a única forma de assegurar que o plano tenha continuidade”, neste contexto salientou o facto de actualmente diferentes gerações participarem no Plano de Desenvolvimento de Xadrez do concelho do Barreiro.
No decorrer da sua intervenção este técnico considerou ser necessário, na actual fase do Plano, superar algumas lacunas de forma a que o mesmo possa evoluir, nomeadamente a ligação das Escolas com os clubes, a criação de Seccionistas e dirigentes que apoiem o desenvolvimento do Xadrez, na sua opinião – “tem que haver uma mais estreita ligação com os clubes, com o apoio dos professores e encarregados de educação”.
“Sendo esta uma modalidade que envolve poucos custos é estranho que não hajam mais clubes a aderir ao Xadrez” – sublinhou António Bravo.

A realização anual do Circuito de Xadrez, que há cinco anos se realiza, e que no próximo ano irá começar no da 12 de Janeiro, na SFAL- Lavradio, é uma iniciativa que segundo os responsáveis do Plano de Desenvolvimento de Xadrez tem contribuído para alargar a prática do xadrez à população, trouxe uma nova dinâmica à modalidade e está a despertar o interesse nos clubes pelo desenvolvimento do Xadrez.
No Barreiro, actualmente, existem 10 clubes com Xadrez, serão 11 se a SFAL avançar com o seu projecto de criação da Secção, sendo significativo dado que no distrito de Setúbal existem 16 clubes, dos 450 clubes ao nível nacional.
O Distrito de Setúbal é o 3º distrito mais representativo do xadrez a nível nacional, sendo o 3º distrito com mais jogadores filiados e aquele onde mais jovens praticam Xadrez.

Barreiro uma escola de xadrez

O Barreiro conta com uma equipa na 1ª divisão nacional – Futebol Clube Barreirense; duas equipas na 2ª Divisão nacional – Ferroviários e Santoantoniense e duas equipas na 3ª divisão nacional – Ferroviários B; Barreirense B e Bomfim.
De registar igualmente que Luís Fernandes, do Barreiro, conquistou o 3º lugar no Nacional e Luís Augusto, do Brincolândia, foi campeão nacional de sub 8.
“Há uma base de xadrezistas no Barreiro que permite continuidade. Hoje o que falta é suprir as deficiências de ligação das escolas aos Clubes” – salientou António Bravo.
Sérgio Rocha, por seu turno, salientou o facto de terem sido criados 20 Centros de Treino, em diversas colectividades, que envolvem a participação de cerca de 200 jogadores os quais irão permitir uma maior ligação das escolas aos clubes. Estes Centros poderão ser frequentados por todos os interessados.
Fernando Silva; Mestre Internacional salientou que “o desenvolvimento do Xadrez passa pela vida dos clubes, pela criação de espaços físicos onde, de forma permanente os jogadores possam competir e treinar. Os jogadores têm que ter possibilidades para jogar, para se encontrarem com adversários. Sou duma geração em que se jogava bastante nos clubes”.

Criar a Academia do Xadrez

Segundo Jorge Coelho, da Associação de Xadrez de Setúbal, o Plano de Desenvolvimento de Xadrez do Barreiro tem vindo a trazer uma dinâmica positiva á modalidade e contribui para que exista uma dinâmica de filiação de clubes na associação.
“Fora dos concelhos do Barreiro, Seixal e Almada o Xadrez é inexistente no distrito de Setúbal, mas a associação está apostada em criar Centros de Xadrez por todo o distrito” – salientou este dirigente, acrescentando que – “ o trabalho de base passa pela associação, mas a estrutura do xadrez tem que partir das entidades do distrito”.
António Bravo, no decorrer do debate sublinhou que continua em aberto a realização de um sonho que é a criação da Academia do Xadrez no Barreiro, um espaço direccionado para a formação e de “intercâmbio da acção dos clubes apostados no desenvolvimento desta modalidade. Este é um ponto chave para promoção de cursos de alta competição de dinamização dos jovens e promoção dos valores”.
Neste debate foi salientado que há falta de competitividade ao nível nacional no Xadrez, resultante de uma ausência de “uma linha estratégica de formação” da Federação Portuguesa de Xadrez.
“Não há uma filosofia. Não há uma ideia. Não há estratégia da Federação de Xadrez. Os resultados que são alcançados estão para além do esforço da Federação, os quais são nulos. Os resultados, por exemplo, da selecção nacional, são conseguidos pelo esforço individual dos jogadores” – disse Fernando Silva.
Segundo este Mestre Internacional, os jogadores portugueses são autodidactas – “não há uma escola, aos jogadores portugueses falta a troca de experiências. Há uma maneira de jogar portuguesa, é da capacidade de sobrevivência dos jogadores. Não há escola, isso é impossível sem Formação”.
Por exemplo, foi referido que num recente Congresso Nacional de Xadrez, o Plano de Desenvolvimento de Xadrez do Barreiro foi considerado um exemplo positivo e que “era o mais dinâmico e que tinha melhor trabalho na promoção do Xadrez”, no entanto, neste congresso, foi dito – “não foi convidado ninguém ligado ao Plano do Barreiro para apresentar e debater com os congressistas este projecto”.
No decorrer do debate foi ainda salientado que o xadrez pode ajudar ao desenvolvimento intelectual e que é uma importante componente de formação dos alunos em diferentes níveis de ensino mas – “o xadrez nas escolas tem que se afirmar com a acção dos professores”.

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