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Ferroviários do BarreiroRemadores barreirenses fizeram história no Nacional de Remo

. Teremos de recuar a 1974 para encontrar o último clube do nosso distrito vencedor desta regata - o GD da CUF.

Os Ferroviários do Barreiro apresentaram-se nos Nacionais de Remo 2023 (Juvenis, Juniores e Seniores) com 14 equipas, algumas a sonharem com o título nacional, outras a pensarem nas medalhas e outras ainda com perpetivas do apuramento para as finais “A”.

4 min de leitura
Ferroviários do Barreiro Remadores barreirenses fizeram história no Nacional de Remo

Por Jornal Rostos

Entre todas elas havia uma equipa que era uma tripulação-surpresa – o Shell de 8 Júnior. Uma equipa mista formada por três remadores do Naval Setubalense e cinco remadores e um timoneiro dos Ferroviários do Barreiro. Tudo começou com uma experiência piloto realizada nos Regionais em Avis, em junho, que resultou no titulo regional e criou expetativas para a participação no Nacional em Montemor-O-Velho. Porque não…?

Em Montemor-O-Velho, todos os oito remadores competiram nos seus barcos habituais em representação dos seus clubes e depois reuniram-se para disputar o Shell de 8, a regata-rainha do campeonato, no último dia das competições. A regata de Shell de 8 é, por tradição, a última regata dos Nacionais em todos os países do mundo, nos campeonatos internacionais e nos Jogos Olímpicos.
Acresce ainda o facto de esta tripulação de nunca ter treinado em conjunto, o que é um handicap tremendo para a harmonia da equipa. Também temos de enaltecer a adaptação dos remadores porque todos eles remam em “parelhos” (2 remos por atleta) e o Shell de 8 é constituído por remos de “ponta” (um remo por cada remador).

A tripulação mista (Ferroviários/Setubalense) alinhou na pista 1 e durante o alinhamento foi surpreendida com a voz de “prontos…larga”. Após as quinze remadas da largada, a nossa tripulação-surpresa já tinha um atraso de um barco e meio face à equipa do Caminhense que liderava a regata, devido a uma largada menos conseguida. Ninguém esmoreceu… aplicaram uma cadência de 38 remadas por minuto e foram paulatinamente, remada após remada, aproximando-se da cabeça da regata.
Na passagem dos 1000 metros, os nossos remadores remavam a 36 remadas/minuto e já discutiam a liderança da regata, com a tripulação da pista 5 e da pista 2 (AN Lisboa). As tripulações do Infante, de Viana do Lima e do Caminhense seguiam com meio barco de atraso, mas tudo muito igual e ainda indefinido.

Após a excelente recuperação da tripulação mista dos Ferroviários/Setubalense ninguém se acomodou, bem pelo contrário e, incentivada pelo seu timoneiro, acentuou ainda mais o andamento implementado. Aumentou a cadência para 38 remadas/minuto e começou a distanciar-se na liderança da regata, apesar de uma boa resposta da tripulação da pista 5.

Aos 1500 metros, a nossa tripulação-surpresa já liderava a regata, alargou ainda mais a distância para os seus diretos adversários e passou os 1750 metros com um barco de vantagem. Os últimos 250 metros foram realizados a mais de 40 remadas por minuto para a consagração, com uma magnífica vitória, plena de personalidade e realizada de trás para a frente, como se recomenda numa regata de remo.
Regata espetacular e muito renhida, bem conseguida, com o tempo de 6’:40” e com o ultimo classificado (6º) a concluir com 6’:53”. Mesmo considerando que o Shell de 8 é o barco mais veloz de todas embarcações de remo, deveremos destacar os escassos 12,98 segundos entre o primeiro e o último classificado.

Este foi um feito único, que merece ser visionado no YouTube e no site da Federação de Remo. Teremos que retroceder ao ano de 1974, para encontrarmos o último clube do nosso distrito vencedor da regata de Shell de 8 júnior – o GD da CUF.
No site da Federação podemos ler: “O que dizer da regata de 8+ júnior masculino? Parece que uma tripulação mista fez história à vista de todos”. O próprio locutor das competições, em plena pista dizia: “Espero que a regata de Shell de 8 sénior (na altura… ainda por realizar) seja tão bem disputada como a regata de júnior”.

MAGNÍFICA vitória de uma tripulação mista (Ferroviários do Barreiro e Naval Setubalense) sem um único treino de conjunto, com remadores habituados a “remos parelhos”, mas a remarem em barco de “ponta”, com o azar de uma largada menos conseguida, mas com uma recuperação espetacular, numa regata renhida, realizada de trás para a frente, como “mandam as regras”.
Sem esquecer os técnicos e dirigentes que acreditaram que poderia ser possível, o destaque e os parabéns vão diretos para os atletas que fizeram história ao vencerem o Shell de 8 júnior, a saber: Dinis Calisto (GDFB); Pedro Vales (GDFB); Francisco Caetano (GDFB); Diogo Ferreira (CNS); André Ramos (CNS); Gabriel Munteanu (GDFB); Afonso Rosado (CNS), Gabriel Lourenço (GDFB) e João Fernandes – timoneiro (GDFB).

Carlos Assunção

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