Dáuto Faquirá – Treinador do FCB“Se fosse possível hoje, assinaria por 10 anos”

Por Cátia Pacheco
O Barreirense encontra-se, neste momento, numa óptima situação para ascender à II Divisão. Como é que a equipa está a reagir?
Está tranquila, estamos numa situação privilegiada, agora vamos tentar manter esta posição, conseguindo o maior número de pontos possível até ao final do campeonato, para conseguir-mos ascender à II Liga. Sabendo que é difícil, vão ser até ao fim, jogos que vão encerrar um grau de dificuldade imenso. Temos o Olhanense que também está a lutar pelo mesmo objectivo, mas também sabemos que só dependemos de nós, e temos todas as condições, penso eu e pensa a equipa, de conseguirmos chegar ao fim do campeonato mantendo esta posição.
Qual o balanço que faz destes últimos meses?
É um balanço muito positivo porque nós partimos para este campeonato, não com o objectivo de subir de divisão, mas as coisas foram acontecendo normalmente. A equipa foi crescendo ao longo do campeonato, e chegar a esta altura nesta posição, penso que é uma vitória. Espelha o trabalho que tem sido desenvolvido. Ao chegarmos a esta altura, queremos naturalmente mais, queremos sempre, como em qualquer profissão, chegar o mais longe possível. Nós não fugimos à regra. Partimos com um objectivo, mas neste momento penso que já o redefinimos, e passa neste momento por subir de divisão.
Nos últimos jogos tem-se verificado um grande apoio por parte dos adeptos. Isso tem motivado de alguma forma a equipa?
É óbvio, nós temos contado com esse apoio, como costumo dizer, o 12º jogador, tem sido incondicional, tanto em casa como fora. Isso dá força, é mais um motivo para nós conseguirmos suplantar os adversários, dar um pouco mais de cada um de nós, para podermos brindar e premiar as pessoas com o melhor que nós sabemos fazer. Penso que também temos jogado de modo a atrair as pessoas, e cria-se uma interacção positiva entre nós. Isso é bastante positivo.
No início da época falou-se muito da redução de orçamentos, no entanto isso parece não ter afectado muito a equipa?
Quando eu vim para cá fez-se esse corte orçamental, mas os tempos estão difíceis, não é só a equipa do Barreirense, penso que é geral. É lógico que quando há dinheiro é mais fácil escolher jogadores, escolher os melhores jogadores, mas nós tivemos algum critério na escolha. Penso que com o orçamento que havia, fizemos uma boa equipa. Não foi por aí que não conseguimos fazer uma equipa competitiva, forte e acima de tudo, que dignifique o Barreirense, e isso está patente.
A posição que o Barreirense conseguiu alcançar poderá, de alguma forma, dar uma resposta à falta de apoios que se tem vivido?
É normal que hoje em dia os apoios, mesmo de fora, para as equipas, não sejam os mesmos que existiam à uns anos. Em termos de fisco as coisas não são como eram, e as dificuldades não se restringem à nossa equipa, as outras também as têm. Em relação à nossa realidade, obviamente nós gostaríamos de ter mais dinheiro para gastar, para alargar o nosso universo. A escolha era mais fácil, as opções seriam outras, mas com o critério e o rigor que nós tivemos penso que conseguimos demonstrar que não é o dinheiro que faz tudo. Trabalhando bem, com jovens de valor, com vontade, penso que se consegue.
Que mensagem transmite aos seus jogadores antes de entrarem em campo?
É a mensagem que penso que é normal, que é comum aos treinadores. É uma mensagem positiva, uma mensagem de ambição, que acima de tudo eles consigam responder em campo com tudo aquilo que trabalhámos durante a semana. O grande trabalho de uma equipa de futebol é o trabalho que é feito durante a semana, para que os jogadores, naqueles minutos que antecedem o jogo, a competição, consigam em duas, três frases perceber que o que têm de fazer em campo é o que trabalharam durante a semana. Não há segredo nenhum. Eles durante a semana estão sempre a preparar-se. Sabem que se trabalha para chegar a domingo e dar uma resposta, de acordo com aquilo que são as suas potencialidades.
Por mais quanto tempo é que o Barreirense pode contar com o seu trabalho?
Nós estamos a tentar e vamos conseguir de certeza, chegar ao fim alcançando os nossos objectivos. A partir daí as pessoas sabem que da minha parte têm sempre abertura plena para quando entendermos, falar deste assunto, sabendo desde já que me sinto muito bem aqui no Barreiro. Estou perfeitamente integrado, mas também sou um profissional e obviamente se acontecer uma hipótese de ascender a algo melhor penso que é normal que tal aconteça, mas neste momento sinto-me bem e se falássemos disso hoje, penso que assinaria por dez anos se fosse possível. Mas estas coisas a seu tempo se discutirão.
Qual a mensagem que gostaria de deixar aos adeptos, nesta fase tão importante para o clube?
Nós estamos a fazer um campeonato muito bom, estamos num momento privilegiado em termos de tabela classificativa, mas até ao fim não iremos descansar porque o campeonato vai ser árduo, complicado. Vamos ter muitas batalhas pela frente, e é preciso que as pessoas compreendam isso, compreendam que o Barreirense ainda não ascendeu, não é um facto adquirido. Vamos ter de trabalhar muito, da nossa parte podem contar com isso, com trabalho e muita entrega até ao fim, e esperamos o apoio dos adeptos, sabendo que o vamos ter até ao fim. Em conjunto vamos manter o nosso nome, o nome do Barreirense lá bem alto.













