Grupo Desportivo ESSAOnde o desporto se escreve no feminino
Na Liga está mais uma vez na luta pela conquista do título de campeã nacional. A Supertaça foi o último troféu conquistado.
Vasco Marques, Presidente da Direcção do Grupo Desportivo ESSA, conversou com “Rostos” sobre a história e caracterizou a realidade actual da ESSA, que é, sem dúvida, uma referência no basquetebol feminino ao nível nacional.

Por S.P.
. ESSA – “Rosto do Ano” - Desporto
Vasco Marques recebeu-nos acompanhado por Rui Casinhas, Tesoureiro da ESSA, no Pavilhão Municipal, enquanto decorriam os treinos.
A ESSA movimenta mais de 120 atletas, em diferentes escalões, dos 6 aos 12anos.
Como começou esta ideia de criar um clube de Basquetebol feminino no Barreiro?
“Como deve calcular, não é do meu tempo. Estou na Direcção há dois anos, colaboro com o clube vai para três, mas do que tenho falado com os meus colegas, sei que este é um projecto que vem desde 1981.
Foi um projecto que nasceu no seio da Escola Secundária de Santo André, desenvolvido por alguns professores do Núcleo de Educação Física, no âmbito do desporto escolar, tendo por objectivo promover a prática do basquetebol a esse nível.
Entretanto, houve um grande acolhimento, quer da escola, quer dos estudantes e houve muita gente a aderir ao projecto, daí a necessidade de se criar uma associação, que é um Grupo Desportivo, tendo por finalidade colocar essas atletas a praticar o desporto federado.
Foi assim que, por volta de 1981,nasceu este projecto. A partir o clube foi crescendo, foram surgindo alguns apoios, quer de alguns patrocinadores, a própria Câmara Municipal do Barreiro começou a apoiar este projecto e, desde aí, o clube tem sempre vindo a crescer e tem-se mantido com cento e tal atletas”.
Qual a importância do Grupo Desportivo ESSA no concelho do Barreiro?
“A ESSA está virada só para uma modalidade, na área do desporto, que é o basquetebol, e só na área do feminino. É o único clube, com alguma dimensão que, dentro do Barreiro, tem o basquetebol feminino.
No meu entender, por essa razão, o clube tem uma importância muito grande, visto que permite a um grupo de jovens praticar o basquetebol feminino”.
Tem sido fácil ou difícil manter o clube?
“Não lhe posso dizer que tem sido difícil, mas, nota-se que há uma grande diferença, em termos de apoios, entre o basquetebol masculino e o feminino. Isto não só no basquetebol, acho que se verifica em todas as modalidades, o feminino, em termos de desporto, é visto como o parente pobre do desporto, daí ser mais complicado manter um projecto destes, sendo virado só para uma actividade feminina.
Um projecto que nasce na formação
Mas quais são os custos para se manter o clube em competição?
“Não gostava muito de falar de verbas. Mas, o orçamento de todo este projecto, e, claro que estamos a falar que temos uma equipa no topo do basquetebol feminino, a disputar os lugares mais cimeiros, é um projecto que em números redondos anda nos 150 mil euros (30 mil contos por ano).”
Quais são as várias dimensões do vosso trabalho ?
“Temos uma equipa feminina na alta competição. E de certa forma abrangemos todos os escalões do basquetebol, começando nas”bambis”, aquelas que nem têm idade para ser federadas.
Há um trabalho de formação que começa inserido no projecto da Câmara Municipal do Barreiro ( o Projecto EscolasBarreiro), através do núcleo de desporto da autarquia, é fomentado nas escolas todas o Basquetebol, depois a partir daí, faz-se a captação e ocupa-se os miúdos nas escolas.
Entretanto, a partir dessa acção de captação alguns aderem ao Grupo Desportivo e passam a treinar na escola, com uma prática a outro nível, no Centro de Formação que funciona no Pavilhão da Escola Secundária de Santo André. O Pavilhão é cedido pela escola ao Grupo Desportivo. É um projecto comum. Depois temos todos os outros escalões, todos eles, só com raparigas, envolvendo cerca de 120 atletas.
Este ano, tal como em anos anteriores a ESSA é Campeã Regional em todos os escalões – Iniciados, Cadetes e Juniores. Fomos campeões nacionais de cadetes na época 2002/2003, e participámos em diversas finais. Em juniores já fomos
Quatro vezes campeões nacionais. Sermos campeões regionais já faz parte da rotina, praticamente em todos os escalões.
Na Liga Feminina já ganhámos a Taça de Portugal, conquistámos a Supertaça e estamos a lutar para ganhar este ano o campeonato.”
E a nível Europeu já pensaram dar passos?
“Há uma grande pressão e toda a gente quer ir ás competições europeias. Nós por direito, já há dois anos que podíamos ir, só que isso implica um investimento na ordem dos 20 mil euros. Porque, infelizmente, este tipo de competição tem que ser toda suportada pelos clubes, a comparticipação da Federação é apenas 50% para as deslocações do clube.
Achamos que apesar de ser importante, em termos de curriculum, participar numa prova europeia, na situação actual em que estão todos os clubes e o país, não se justifica estar a fazer um investimento desses, e, é preferível canalizar esse dinheiro para as áreas de formação, transportes, prioridades para o clube e pensar nisso um dia mais tarde, se surgir um patrocinador, ou se houver condições.
Mas não perdemos a esperança de um dia participar em competições europeias”
Quais são as prioridades e os sonhos do clube?
“Neste momento na área da formação já chegámos ao topo, em todas as modalidades. Só nos falta conquistar o título de Campeões Nacionais da Liga Feminina, para atingirmos o pleno em todos os escalões.
Outros projectos já se concretizaram, nomeadamente, nos transportes, com o apoio da Câmara e de patrocinadores.
O protocolo que estabelecemos com a Câmara Municipal permitiu-nos a aquisição do mini bus, que é um bom apoio aos transportes das nossas equipas.
Por parte da Escola Secundária houve a cedência de salas, onde já funcionam as nossas instalações, que não tínhamos.
Deram-se bons passos nesta área, que eram sonhos que vínhamos a alimentar, há algum tempo.
O sonho do clube, neste momento, é continuar a ganhar títulos.”
Nomes de referência nacional
O projecto da ESSA é um projecto sustentado?
“O projecto está sustentado. Nada leva a crer que possa cair. Agora há um problema que não é da ESSA, penso que é geral na área do associativismo, que é a falta de pessoas, e isso é que pode falhar. A falta de dirigentes e colaboradores. Cada vez há menos gente disponível para estas coisas.
Nós não somos um clube. Nós somos um Grupo Desportivo, ligado a uma escola, que mantém este projecto, no sentido de proporcionar aos jovens a prática de uma modalidade desportiva.”
Há nomes do basquetebol nacional que saíram aqui do clube?
“Saíram e estão cá. É uma referência da ESSA a jogadora mais internacional de Portugal, que é do clube, da formação do clube, a Susana Soares.
Temos jogadoras que começaram aqui na formação e hoje estão a jogar nos Estados Unidos.
Temos atletas no Centro de Alto Rendimento da Federação.
Temos cinco jogadoras na Selecção Nacional, da equipa da Liga. Já temos visto a equipa da ESSA a jogar contra as equipas de outros países. Ás vezes é o nosso cinco que está a representar a selecção.
Pensamos, efectivamente, que a ESSA , apesar de não ser o Orçamento mais elevado, em termos de Liga Feminina, é o clube que tem mais jogadoras nacionais e de melhor craveira”.
Que mensagem quer deixar aqui para a população barreirense?
“Que venham conhecer o Basquetebol Feminino e que assistam aos jogos. Apoiem o basquetebol feminino. A ESSA é um projecto da cidade, da escola, da edilidade, de todos nós. Apoiem o basquetebol feminino, numa mensagem dirigida às senhoras e ás meninas, para que saibam que há um clube na cidade de desporto só feminino, que não é abraçado como devia ser, quando decorrem os jogos e as pessoas deviam vir assistir ao que se faz na cidade.”
E, de facto, ficamos à espera do título nacional…













