Amélia Antunes, Presidente da Câmara do Montijo“Ricardo Pereira prestigia Portugal e a terra que o viu nascer”
A presidente da Câmara Municipal de Montijo, Maria Amélia Antunes, na reunião da Câmara, apresentou uma saudação ao guarda redes Ricardo, da Selecção Nacional, a qual foi aprovada unanimemente pelos restantes vereadores.
Na referida saudação, sublinha-se que “o povo português precisa de heróis do tipo de Ricardo, de homens determinados, simples, auto-confiantes e respeitadores dos seus adversários”.

Por Jornal Rostos
Divulgamos integralmente o texto da Saudação, apresentada por Amélia Antunes, Presidente da Câmara Municipal do Montijo, na reunião de Câmara, que foi aprovada, por unanimidade, pela Vereação da autarquia.
Saudação
A prestação do montijense e guarda-redes da selecção nacional Ricardo Pereira no campeonato do mundo de futebol prestigia Portugal e a terra que o viu nascer há 30 anos, no dia 11 de Fevereiro de 1976.
O escritor britânico Aldus Huxley, que viveu entre 1894-1963, escreveu o seguinte: “Como qualquer outro instrumento inventado pelo homem, o desporto pode ser usado para fins bons ou maus. Usado mal, pode encorajar a vaidade pessoal e a vaidade do grupo, o desejo ávido de vitória e até o ódio pelos adversários, um espirit de corps (apego exclusivo ao grupo a que se pertence) intolerante e desprezo pelas pessoas que estão para além de uma área seleccionada e arbitrária”.
Eram os ingleses que deviam ter tido em consideração estas palavras sábias e premonitórias de um conterrâneo seu, já falecido.
Em vez disso, a imprensa inglesa procurou exibir a arrogância, o desprezo por Portugal, pela sua História e pelos portugueses.
Ao contrário destes comportamentos, Ricardo e os outros colegas seus da selecção nacional têm mostrado, jogo após jogo, uma grandiosa humildade e reconhecimento pelo valor dos adversários.
Para o povo, Ricardo é um herói nacional, afinal é o único guarda-redes a defender, até aos dias de hoje, três grandes penalidades em campeonatos do mundo, o que ajudou a colocar Portugal entre as quatro melhores selecções do mundo, um feito inigualável desde 1966.
Na verdade, o povo português precisa de heróis do tipo de Ricardo, de homens determinados, simples, auto-confiantes e respeitadores dos seus adversários.
No entanto, sabemos que Ricardo recusa o título de herói nacional, já o disse publicamente, preferindo valorizar todo o trabalho de grupo e o espírito de coesão e amizade construído em torno da selecção. Não esperávamos outra coisa de Ricardo.
Por reconhecer há muito os méritos de Ricardo é que o município de Montijo o distinguiu no dia 23 de Setembro de 2004 nas comemorações da Semana da Costa Azul e o entrevistou para a revista Municipal em Dezembro de 2004.
Eu própria, o felicitei em momentos diferentes, pelos seus feitos desportivos.
Sou dos que acreditam que a arte do futebol assemelha-se muito à arte da guerra, implicando muito treino, conhecimento aprofundado de si e dos adversários.
O montijense Ricardo é um exímio dominador dos pontos fortes e débeis dos adversários, procurando sempre tirar de cada um deles o maior proveito para a equipa.
Se vê o adversário de cabeça baixa, pouco confiante e descrente, Ricardo finge-se distraído, mantendo-se sereno e concentrado naquilo que lhe pode dar forças para o iludir e vencer.
Quando olhava os ingleses que iam marcar as grandes penalidades, Ricardo via neles combatentes ou atletas pouco convictos e confiantes. Nesse vazio ele encontrou força anímica para acreditar que podia defender a baliza da selecção portuguesa, a mesma força anímica que encontrou no adepto português (pequeno fisicamente) que abanava um cachecol nacional no meio de uma multidão de ingleses.
Em ambos os casos procurou transformar as fraquezas (do adversário e nossa) em força.
Transformar as fraquezas em força (as nossas e as dos outros) é uma qualidade só ao alcance dos vencedores natos, ao alcance de homens simples, mas com uma inteligência emocional da grandeza da de Ricardo.
A grandeza de Ricardo reside na sua humildade, na sua determinação, na sua capacidade rápida de estudar o adversário, bem como nos seus reflexos e na sua capacidade de trabalho e sofrimento.
Como escrevia Confúcio, “a nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em nos levantarmos sempre depois de cada queda” Das várias vezes que o tentaram fazer cair, Ricardo soube sempre levantar-se com o apoio da família e dos amigos, mostrando, também, que nas adversidades foi sempre um atleta tão grande, como o foi nas vitórias.
Por reconhecer estas qualidades e méritos, saúdo mais uma vez o montijense e grande desportista que é Ricardo Pereira, uma saudação, estou certa, partilhada por toda a Câmara Municipal de Montijo, que lhe deseja a continuação dos maiores êxitos desportivos, com saúde e na companhia da sua família.
Montijo, 5 de Julho de 2006
A Presidente da Câmara Municipal de Montijo
Maria Amélia Antunes













