Remo – Taça Europeia da Juventude ‘06Remadores dos Ferroviários do Barreiro/Quimiparque
Em Groningen (Holanda) ao serviço da Equipa Nacional Júnior

Por Rostos Desporto
Foi algo decepcionante a participação portuguesa nesta competição onde, em anos transactos, foram alcançados resultados dignos de registo. Entre eles as duas medalhas de ouro e uma de bronze da remadora “ferroviária” Inês Cruz em 2003 e 2004.
De facto, embora com uma numerosa participação (22 remadores), talvez a maior de sempre, Portugal não logrou conquistar qualquer medalha. Algo vai mal no Remo Jovem Português! Provavelmente a quantidade não traz a melhor qualidade. Provavelmente os escassos recursos financeiros e humanos não permitem que se aposte na quantidade. Provavelmente isso prejudique a qualidade. Com toda a certeza, há que pensar muito bem em tudo isto, sob pena da desmotivação afastar os poucos valores que temos.
Passemos então aos resultados! Foram de facto decepcionantes. A melhor classificação, e que salvou a honra do convento, foi o quarto lugar alcançado em Double Scull masculino composto pelo remador “ferroviário” Samuel Rodrigues e pelo João Pinto, remador do Clube Portus Cale (Porto). Para o Samuel foi a repetição da classificação obtida o anos passado em Eton, Inglaterra, então ainda como juvenil.
Após um segundo lugar na eliminatória onde seguiram em 1º lugar até meio da prova, alcançaram o que acabou por ser uma excelente 4ª posição na final A, a menos de 2 segundos da medalha de bronze (entre 8 competidores), superando, ainda assim, a equipa suiça que os relegara para 2º lugar na eliminatória.
Algo que não se entende, foi o facto de o Samuel e o seu colega de equipa terem participado numa regata de Shell de 8 entre a eliminatória e a final do Double Scull. Naturalmente, para além de duvidosa prática em termos físicos e desportivos, isso fez com que os atletas fossem desgastados para a final da sua prova. Afinal, em pouco mais de 5 horas e com um calor abrasador, estes remadores tiveram que fazer três provas de 2000 metros. Porquê? Foi só para haver muita participação? E os atletas? Por acaso são “carne para canhão”?
A Marisa Silva, também remadora “ferroviária”, coube a ingrata tarefa de competir em Skiff (barco individual). Não se compreende tal opção! De facto sendo esta a sua primeira participação internacional, porque a colocaram num barco tão difícil, onde a experiência é tão determinante? Dá vontade de dizer: há razões que a própria razão desconhece! Porém, apesar de tudo a Marisa lutou. Faltou-lhe aquele toque da experiência. Mesmo assim, após uma eliminatória complicada onde concluiu em última posição e os nervos da inexperiência se sobrepuseram às suas reais capacidades, acabou por vencer a final B superando as remadoras do Paraguai (que participava fora de competição oficial) e a remadora italiana, alcançando, assim o 7º lugar da classificação geral entre nove participantes.
O resto foi um “rosário” de últimos e penúltimos lugares. Pouco há a comentar, a não ser o quanto tudo isto é negativo para os remadores e para a modalidade. Senhores da Federação, olhem para os resultados e emendem antes que seja tarde. Reduzam a quantidade e procurem alcançar mais qualidade.
Álvaro Branco













