Patinagem Artística no Barreiro - G D FabrilA patinagem não é como um desporto é como uma arte

Por Jornal Rostos
A Patinagem Artística nasceu em Portugal na década de 50. Esta modalidade de rara beleza alia a técnica de patinar com a expressão corporal e o acompanhamento musical, atingindo por vezes, uma simbiose quase perfeita.
Joana Guerreiro é treinadora de Patinagem no Grupo Desportivo Fabril e, com apenas 24 anos de idade, conta já com uma larga experiência nesta matéria. Joana começou a praticar Patinagem Artística com apenas 4 anos no Sport Lisboa e Benfica onde arrecadou diversos prémios a nível nacional. “Na altura eu e os meus colegas do Benfica estávamos no auge”, explicou a treinadora. Passou ainda pelo Sporting mas acabou por regressar à margem sul, dado que este desporto terminou nos dois clubes.
Começou com 10 atletas conta agora cerca de 40
Mais tarde surgiu o convite para treinar a modalidade na S.F.R.U.A. – “A Velhinha” em Alhos Vedros e Joana Guerreiro não pensou duas vezes. De facto, o grande sonho desta jovem patinadora e finalista do curso de Gestão de Empresas, é dedicar-se por inteiro à Patinagem Artística. “Gestão é só um escape”, afirmou esta apaixonada da patinagem. “Não me vejo a fazer outra coisa”, confessou ainda.
Joana está apenas há seis meses no Fabril. Mencione-se que foi a própria a sugerir a integração da Patinagem Artística no clube. “Fiz a proposta ao presidente, ele mostrou-se bastante receptivo e já temos uma data de miúdas”, atestou a treinadora. A modalidade que começou com 10 atletas conta agora cerca de 40 e a treinadora refere que “todos os dias vem gente nova a querer patinar”. “Temos tido muita procura”, constatou por fim.
Esta finalista de Gestão concilia os seus dias entre as manhãs de aulas e as tardes de treinos mas garante que: “Se o número de pessoas aumentar, poderei sempre vir fazer mais horas de treino” afinal como a própria diz “quem corre por gosto não cansa”.
O que é certo é que em apenas seis meses, a equipa de Patinagem Artística do Fabril já trouxe para casa duas taças, uma de 1º e outra de 2º lugar, alcançadas no Campeonato Distrital. Recebeu recentemente o Campeonato Nacional de Figuras Obrigatórias e em breve será de novo anfitrião, desta vez do torneio da Associação de Patinagem de Setúbal (APS).
A patinagem não é como um desporto é como uma arte
Conheçamos melhor a Patinagem Artística. A competição desta modalidade apresenta três vertentes: Individuais (Figuras Obrigatórias, Patinagem Livre e Solo Dance), Pares Artísticos (Patinagem Livre) e Pares de Dança (Danças Obrigatórias que inclui a Dança de Criação e Dança Livre).
No Grupo Desportivo Fabril treina-se as Figuras Obrigatórias e a Patinagem Livre. A primeira, desconhecida para a maior parte do público, consiste em que o atleta cubra com os patins um traçado com a postura corporal o mais correcta possível enquanto que a patinagem livre “é aquela que mais vemos na televisão, com os saltos, os peões, a música”, referiu Joana Guerreiro. A escolha do que se vai praticar é opção do atleta, porém a treinadora revela que a mais procurada é a vertente livre, sendo que a obrigatória é normalmente preferida por pessoas com um maior grau de concentração.
Joana aclarou ainda que qualquer pessoa, de qualquer idade ou género pode praticar patinagem, mesmo não tendo preparação física anterior.
“A patinagem não é como um desporto é como uma arte, um sentir, um misto de emoções”, afirmou a jovem treinadora.
Patinagem artística normalmente fascina as pessoas
Contudo, no âmbito nacional, Joana Guerreiro considera que a Patinagem Artística “está em desvantagem em relação aos restantes desportos”. “Quase toda a gente aprecia ver patinagem artística, normalmente fascina as pessoas, no entanto, todos os anos temos campeões europeus e ninguém fala deles”, lamentou. A finalista de Gestão lastima ainda o facto da Federação de Patinagem ser partilhada com o Hóquei em patins. “O meu maior sonho e dos restantes amantes da modalidade é que a Patinagem Artística um dia venha a ser independente”, declarou.
A nível mundial, Joana acredita que para que as equipas nacionais singrem é necessário “muito empenho, dedicação, paixão pela patinagem e pela arte e muitas horas de treino”. Como diz a treinadora, atletas como Manuel Magalhães, Diana Ribeiro, Liliana Andrade são bons exemplos, “e isso reflecte-se nos lugares que temos conquistado”, atestou Joana Guerreiro. “Por este andar, acredito que cada vez mais obteremos melhores resultados”, rematou por fim.
Ângela Tavares Belo













