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Tróia - SetúbalFounette Pauthier, a «Mulher-Árbitro»
“Sempre me bati por ter o meu lugar”

A francesa Founette Pauthier é a única mulher Umpire (árbitro) presente no Tróia Portugal Women`s Cup. Founette leva uma vida inteira ligada ao mar, como Skipper e agora como Umpire (árbitro). “Sou marinheira, fiz imensas regatas desde muito nova e sempre me interessei pela Taça América, que é a base do Match Racing”.

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Por Jornal Rostos

No seu trabalho como Umpire, Founette acompanha todas as regatas no mar, algo que lhe agrada, pois é aí que se sente bem. “A arbitragem na água é a melhor, temos uma visão diferente e analisamos de uma forma mais correcta. O contacto com os concorrentes é muito agradável. A arbitragem directa é a minha preferida”, refere.

Founette Pauthier espera poder tornar-se Umpire profissional, mas por agora vai desenvolvendo outras actividades em paralelo. “Não sou profissional e aguardo que a Federação Francesa de Vela nos pague, é terrível. Para além da arbitragem, sou tradutora de francês e italiano no domínio náutico e marítimo e trabalho no Centro Hidrográfico Internacional. Tenho um diploma em arquitectura naval”, declara.

Ainda no mundo da Vela, Founette Pauthier é treinadora num Clube, onde ensina os mais novos. “Sou voluntária no meu Clube, trabalho muito com os jovens nas classes Optimist e Laser. Treino ao nível dos regulamentos, a forma como devem apresentar-se perante um júri, saber protestar, possibilitar-lhes o melhor conhecimento das regras de regata”, explica a Umpire.

Founette Pauthier vê com muita naturalidade a crescente entrada das mulheres na arbitragem da Vela, mas refere que se trata também de uma “questão cultural” e que em determinados países a situação ainda não é muito pacífica. “Temos cada vez mais mulheres a arbitrar, na ISAF somos 10 a 12 por cento. As americanas e as francesas conseguiram conquistar o seu espaço. Eu sempre me bati por ter o meu lugar. Por exemplo, as italianas são muitas vezes remetidas para a cozinha, eu não sei trabalhar aí. Muitas vezes é uma questão cultural.”, diz a francesa.

Para Founette Pauthier a Vela não pode ser só de um sexo: “O amor pela pertence aos Homens e às Mulheres”. Na sua perspectiva, as mulheres têm outro olhar na análise das diferentes situações que ocorrem no mar, no entanto, já se deparou com algumas dificuldades: “Já apanhei marinheiros que não queriam trabalhar connosco por sermos mulheres”.

Pauthier está encantada com Tróia: “Prefiro largamente Tróia ao Algarve. O estuário é fantástico e estamos perto de Lisboa. Uma vez o complexo totalmente construído será muito bom, perfeito”.

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