AP – Amoníaco de Portugal – BarreiroTrabalhadores defendem regresso da empresa ao Sector Empresarial do Estado

Por Jornal Rostos
Divulgamos o teor integral da Resolução aprovada pelo Plenário Geral dos Trabalhadores da AP – Amoníaco de Portugal
RESOLUÇÃO
As fábricas de amoníaco e de ureia, consideradas para encerramento e despedimento colectivo pela Administração da empresa, fizeram parte integrante de um conjunto de fábricas de várias Unidades Fabris que foram privatizadas em meados do ano 1997, processo de privatização que beneficiou o Grupo Mello/SAPEC, em detrimento de outro concorrente, decisão do Governo da época, por o grupo ter credibilidade para a criação de um grupo forte para a Indústria Química em Portugal.
- De facto, as referidas fábricas sempre foram consideradas problemáticas na Unidade Fabril do Lavradio, unidade que foi autonomizada em 2004, provavelmente com o objectivo de futuro encerramento.
O Grupo José de Mello com a participação e interesse e, vários sectores de actividade, situação que naturalmente é legitima, nomeadamente na EFACEC – 50%; EDP - 4,98%; Brisa – 30%; Saúde e Imobiliária, nos quais aplicaram investimentos importantes ( EDP – 457,4 milhões de euros) e mais valias ( 293,7 milhões de euros na Brisa), apresentou em 2007 ( não há ainda resultados de 2008) um volume de negócios de quase mil milhões de euros, o equivalente a um aumento de 11% face ao exercício anterior e resultados líquidos de 435 milhões de euros.
Em relação aos negócios de adubos, havendo problemas e condicionamentos, o volume de vendas cresceu 17% e foram apresentados resultados operacionais de 16 milhões de euros.
As razões e motivos da decisão do encerramento da produção de amoníaco e ureia e consequentemente despedimento de 152 trabalhadores, têm vindo a ser sistematicamente e continuadamente a ser referidas, não tendo havido contudo a decisão de avançar para as medidas adequadas para a manutenção da produção e do emprego, não se percebendo porque razão não se tem efectuado, ao longo dos anos, os investimentos necessários. Mas agora, fundamenta-se comulativamente com os elevadíssimos investimentos que ascenderiam a cerca de 69 milhões de euros (45 milhões nos próximos 2 anos).
Não se desconhecendo os problemas sobre os custos das matérias primas, de energia, da vida útil da empresa, etc.. etc... questiona-se se não haverá soluções, ou se estariam a agendar o momento mais adequado para efectuar o encerramento sem que tivessem grande exposição?
A concretizar-se o encerramento da produção de amoníaco e de ureia, significa perder-se a possibilidade de produzir-se 1200 toneladas/dia, na única fábrica dos produtos referidos, em Portugal, ficando-se dependente de terceiros, com incidências no fornecimento a outras empresas, ao sector da agricultura, no combate ao défice agro-alimentar e contribuindo de forma acentuada para o aumento do desemprego no concelho e na região, contribuindo para o agravamento da situação social já grave.
Os trabalhadores da AP – Amoníaco de Portugal, reunidos em Plenário Geral, dia 16 de Fevereiro de 2009, decidem :
1- Exigir que os accionistas da empresa, o Grupo José de Mello, através da Administração da AP – Amoníaco de Portugal, assumam a decisão de suspender o processo de despedimento Colectivo, cujo processo foi entregue em 11/02/09 à Comissão de TrabaIhadores.
2 – Que sejam solicitadas e efectuadas reuniões com carácter de urgência, com o 1º Ministro, Ministro da Economia, Ministro do Trabalho e Ministro da Agricultura, para apresentar as nossas propostas e conclusões, de acordo com o novo enquadramento.
3 – Assumir a exigência da intervenção do Estado, caso os actuais accionistas insistam no encerramento, com o objectivo da empresa regressar ao Sector Empresarial do Estado, par a defesa deste sector produtivo que é estratégico para a economia do País.
4- Disponibilizarem-se para participarem nas iniciativas que estão previstas, ou venham a ser aprovadas e agendadas, na defesa do emprego e dos direitos.
RESOLUÇÂO APROVADA PO MAIORIA, com 4 ABSTENÇÔES e 3 VOTOS CONTRA













