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Movimentos

Remo - Ferroviários do Barreiro /QuimiparqueMantêm a qualidade a que já habituaram os amantes da modalidade

Num ano repleto de dificuldades, fossem financeiras, fossem motivadas pela instabilidade directiva na Federação, que levou à não realização de importantes regatas do calendário nacional, os “Ferroviários” alcançaram, apesar de tudo, resultados de referência no Remo Nacional.

10 min de leitura
Remo - Ferroviários do Barreiro /Quimiparque Mantêm a qualidade a que já habituaram os amantes da modalidade

Por Jornal Rostos

Foi um ano processo eleitoral federativo repleto de peripécias motivadas por comportamentos que muito ficaram a dever aos valores democráticos e que, infelizmente, acabaram por introduzir ruído na vertente desportiva da modalidade, a tal ponto que não se realizaram ou, realizando-se, com baixíssima participação e com ausência dos principais clubes nacionais, algumas das mais importantes regatas a nível nacional.

Ainda assim, mesmo não tendo participado em três daquelas competições – os três campeonatos de Inverno - os Ferroviários do Barreiro/Quimiparque lograram manter os resultados de elevado nível, fazendo jus à sua progressiva afirmação no panorama do remo português. Agora, não só no sector da formação, onde de há muito se vem afirmando como referência, mas agora, também, no sector do remo de competição (sénior) e veterano.

Tendo somente competido nos três campeonatos de Verão – de Seniores; Infantis, iniciados e juvenis e de veteranos – foram excelentes os resultados obtidos, saldando-se a época, mesmo assim, em cinco títulos nacionais e um lugar de vice-campeão nacional.

Os mais Jovens

Assim, começando pelos mais novos, de destacar a excelente e muito “badalada” vitória do quadri scull masculino iniciado que, sem qualquer margem para dúvidas, afirmou a sua superioridade em relação aos seus adversários, conquistando o título nacional com uma confortável margem de 13 segundo, após ter ganho as eliminatórias com 22 segundos de vantagem. A jovem tripulação constituída por Luís Martins, Miguel Costa, João Raposinho e Hugo Oliveira foi amplamente enaltecida pelos presentes, incluindo dos clubes adversários, pelas excelentes prestações, mas, sobretudo, pela qualidade individual e de conjunto, tida com rara nestes escalões em que os remadores têm 12 e 13 anos.

De resto, estes atletas já tinham dado excelentes indicações, ao vencerem, de folgadamente, as duas provas do Troféu Mestre de Avis disputado sensivelmente um mês antes naquela localidade alentejana.

Nos escalões jovens há ainda a realçar o 4º lugar do Bruno Fragoso em skiff juvenil, depois de ter obtido a qualificação para a final com o 5º melhor tempo das eliminatórias, entre 18 concorrentes. O facto de lhe caber, por força dos resultados da eliminatória, a pista mais varrida pelo vento lateral, acabou por o prejudicar grandemente. A tal ponto que este 4º, que o afastou tangencialmente do pódio, não reflecte fielmente o real valor do remador. Mas são contingências com que os atletas têm que aprender a conviver. Não faltarão oportunidades de expressar em resultados o seu verdadeiro valor. Assim se continue a empenhar como o tem feito.

Referência ainda para os restantes participantes “ferroviários” mais jovens: ainda no escalão de juvenis, Gustavo Rodrigues, com um para de meses de prática da modalidade, participou, mais que tudo para viver a experiência. Muito naturalmente quedou-se pela 16ª posição tendo, porém uma grande margem de progressão que só a ele compete aproveitar.

Alexandre Vasques, único representante “ferroviário” no escalão de iniciados, teve um início de participação azarada, não virando por pouco na eliminatória após bater com o remo numa bóia da pista. Este incidente fê-lo perder tempo, de tal forma que se ficou pelo 12º melhor tempo, o que lhe valeu, à tangente, o apuramento para a Final B. Aí, foi claro o seu domínio ao vencer a prova com uma vantagem de 6 segundos e com menos 4 segundos que o último da Final A. Arrecada, assim, a 7ª posição da geral, entre 26 competidores. Um resultado auspicioso se se tiver em conta que este atleta completou a sua primeira época na modalidade. Trata-se, sem dúvida, de um atleta “disciplinado” e “trabalhador” bastante promissor a que devemos estar atentos.

Adrian Munteanu, Eduardo Sousa e Carlos Oliveira, os três infantis “ferroviários”, classificaram-se, respectivamente na 10ª, 15ª e 17ª posições entre 27 concorrentes na prova de skiff. Uma vez quê só se realizam as finais A e B, cada uma com os dois grupos dos seis melhor classificados nas eliminatórias, só o Adrian participou na Final B, obtendo, aí, a 4ª posição e 10ª na geral. Para estes jovens de 10 e 11 anos, tratou-se, sobretudo, de participar e de iniciarem o contacto com os momentos competitivos, sempre carregados de simbolismo e de emoções fortes. Faz parte do seu percurso de formação e é nesse e com esse espírito que o Clube os leva a participar.


A competição

Por condicionalismos vários com que houve que se conviver ao longo da época a representação “ferroviária” neste sector limitou-se à participação em double scull sénior pesos ligeiros e pesados, ambos no campeonato de Verão. Trata-se de um “barco” altamente competitivo. O mais competitivo do remo nacional. E por uma razão simples: é neste barco que competem os remadores Fraga e Mendes que se classificaram em 8º lugar, também neste barco, nos JO de Pequim, obtendo o melhor resultado de sempre de Portugal nos JO.

Pedro Afonso e o jovem Samuel Rodrigues, este regressado às lides da competição após interregno de dois anos, em pesos ligeiros, bateram-se exemplarmente com a dupla olímpica, bem mais experiente e rodada, até pelo estatuto que detém e do correspondente apoio oficial. Numa prova de nervos, pela expectativa que pairava, os “ferroviários” conseguiram, ainda assim, “acossar” os olímpicos do Sport Clube do Porto. Terminaram na segunda posição a seis segundos daqueles. Ficava o registo para o dia seguinte, em que as duas tripulações se confrontariam, agora em absolutos. Ou seja, sem limites de peso para os atletas.

Mais desinibidos pela quebra da incerteza relativamente aos seus categorizados opositores e ainda animados pela prestação do dia anterior, os remadores “ferroviários” iniciaram aprova com confiança redobrada. E até aos 1000 de prova, dos 2000 no total, lograram dar excelente réplica aos olímpicos que, com alguma naturalidade, se colocaram na dianteira.

Aí, o choque de um dos remos com as bóias que limitam os corredores fez com que levou à sua quebra, terminando a tripulação barreirense pela última posição com um só remador a remar

E isto porque, infelizmente, a única pista que temos em Portugal não reúne as condições regulamentares, tendo a balizagem dos corredores somente na segunda metade da pista. E isto porque a Federação Portuguesa de Remo se demite das suas responsabilidades e não promove, como o fez a Federação Portuguesa de Canoagem cujas provas se realizam na distância de 1000 metros, a correcta balizagem das pistas, tal como exigem os regulamentos. Há que dizer à Federação Portuguesa de Remo que deveria exigir de si mesma pelo menos o que exige aos clubes e outros agentes da modalidade. É que se é tão lesta a penalizar os agentes do remo, talvez seja chegado o momento de exigir a devida indemnização não só pelos danos sofridos no equipamento, mas também as perdas por investimento desportivos realizado pelo clube, gorado pela sua incapacidade por cumprir ela mesma os pressupostos a que está obrigada.

Enfim, provavelmente só temos mesmo a Federação que merecemos.

Certo é que, último lugar à parte, ficou o registo que nos permite pensar que o futuro só nos poderá reservar dias mais auspiciosos, assim as pistas passem a estar em conformidade com os regulamentos e a balizagem não constitua absurdamente um obstáculo. O resto os remadores saberão fazê-lo.


Os menos Jovens

E resta-nos, neste balanço, reportar os “feitos” dos menos jovens. Aqueles que fazem do remo a sua paixão e deixam tudo – até interrompem férias – para viverem o prazer de uma boa competição a lembrar os bons velhos tempos. São os Veteranos! Os “velhos” “lobos-do-mar”. Sempre empenhadíssimos fazem, ao longo do ano, “das tripas coração” para treinarem e irem, pouco a pouco, atingindo aquela forma que, em tempos os guindou ao topo da modalidade. Uns conseguem melhor, outros, nem tanto.

Foi com este espírito que partiram para Marco de Canavezes, local onde, este ano se realizou o respectivo campeonato nacional de Verão. Naquelas terras distantes, nas escuras águas do Tâmega, fizeram jus à forte tradição do Remo Barreirense e à fama dos “ferroviários”. E vai daí arrebataram, nada mais nada menos que quatro títulos nacionais nas cinco provas em que participaram, feito único em todos os clubes participantes, e mais um quarto lugar com um certo sabor “amargo”, já que foram passados mesmo em cima da meta, não subindo ao pódio por um escasso segundo.

De facto neste escalão de idade, o primeiro da categoria de veteranos, há ainda muitos atletas que competem nos campeonatos regulares de seniores, o que não sucede com os remadores “ferroviários”

Os resultados foram os seguintes: primeiros lugares em Shell de quatro com timoneiros, escalão C, com Hélder Assunção (Peri), Hermínio Caeiro, José Galhetas, José Fragoso e Sérgio Vinagre (Timoneiro); Double Scull, escalão E, com Carlos Oliveira (Unilogos) e Pedro Oliveira; Skiff, escalão G com Carlos Oliveira (Unilogos) e Shell de oito, escalão B, com Hélder Assunção (Peri), Miguel Lopes, José Galhetas, Hermínio Caeiro, Jorge Lourenço, Jorge Sousa, José Fragoso, Armando Rico e Sérgio Vinagre (Timoneiro). Em quarta posição, em Double Scull, escalão A, Miguel Lopes e Jorge Lourenço.

Resta dizer que, apesar das dificuldades com que todo pais, o desporto em geral e o remo em particular se debatem, foi ainda assim possível fazer-se um investimento na aquisição de embarcações remos em estado de uso, especificamente e essencialmente para o sector dos veteranos. Foi assim que foi adquirido um Shell de oito de marca Vespoli (USA) e um Shell de quatro com timoneiro de Marca Aylings (GB). Adquiriram-se ainda, também em estado de uso mas como novos, 16 remos de ponta e 5 pares de remos parelhos, para além de mais dois pares de topo de gama, estes para o sector da competição.

Em termos de instalações, conseguiu-se concluir a construção e equipamento dos balneários do Posto náutico, com capacidade para cerca de 50 praticantes de ambos os sexos.

Iniciou-se ainda a construção de um novo hangar para guarda de embarcações e palamenta, que terá capacidade par cerca de 50 barcos. Trata-se de um investimento estruturante na medida em que, sendo construído segundos os Standar da Federação Internacional de Remo, reunirá todas as condições para, finalmente podermos utilizar e preservar a frota em toda a sua plenitude.

Em conjunto com os balneários, já prontos, e mais alguns arranjos exteriores que haverá que concluir, para além da resolução da questão do acesso á agua, disporemos, finalmente, as condições mínimas para a implementação de projectos de verdadeiro desenvolvimento da modalidade, através, entre outros, da diversificação dos modos de prática, seja por captação directa, seja pela via indirecta, através da procura de parcerias protocoladas.

Assim mereçamos o apoio da autarquia, do tecido empresarial e, em geral, da comunidade barreirense. Há de facto que devolver ao Barreiro os seus rios.










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