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GD ESSA BarreiroAs dificuldades para desenvolver projectos desportivos em Portugal são inúmeras e ainda mais o feminino

A vida de um clube, a parceria, o desalento, a amizade, as adversidades, a partilha de um estado de espírito, são sem dúvida, uma Odisseia. Tudo isto porque, «as características do Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo André (GDESSA), estão na base de algumas dificuldades, nomeadamente o facto de se tratar de um grupo escolar, o que lhe confere características distintas da generalidade dos clubes. Há ainda que acrescentar o facto do desporto feminino em Portugal não ser encarado em condições de igualdade, no entanto o saldo da época transacta, foi muitíssimo positivo, tanto ao nível sénior como da formação, onde conquistamos todos os Títulos Distritais nos diferentes escalões, assim como, também obtivemos excelentes classificações a nível Nacional.

A partir de Janeiro de 2010, altura que o Pavilhão da ESSA vai ficar indisponível, devido a obras, ter-se-ão que encontrar pavilhões alternativos, situação esta francamente preocupante, porque coincide com a altura em que as responsabilidades competitivas para as diversas equipas em prova são mais elevadas, face a participação nos Campeonatos Nacionais, contudo, existe um protocolo já assinado, que prevê, a continuidade da ligação entre o Clube e a Escola.»

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GD ESSA Barreiro As dificuldades para desenvolver projectos desportivos em Portugal são inúmeras e ainda mais o feminino

Por Jornal Rostos

Como é gerir um clube como o Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo André (GDESSA)?
GDESSA - Como deve, calcular é uma tarefa muito complicada. As características do GDESSA, estão na base de algumas dessas dificuldades, nomeadamente o facto de se tratar de um grupo escolar, o que lhe confere características distintas da generalidade dos clubes. Para as estruturas do desporto escolar somos mais encarados como um clube e para as estruturas do desporto federado somos vistos como uma escola. Também a questão dos associados tem que ser gerida de uma forma diferente e a angariação de apoios fica muito mais complicada devido as características do clube. O facto de estar sedeado numa escola afasta-o de algum modo da comunidade local.
Na vossa opinião quais são as principais diversidades em dirigir um clube só com equipas femininas?
GDESSA - Às dificuldades atrás referidas, há ainda que acrescentar o facto do desporto feminino em Portugal não ser encarado em condições de igualdade com o masculino, nomeadamente ao nível da sua importância, da sua divulgação e do seu valor, passando por ser ainda objectivamente discriminado, relativamente ao desporto masculino. Isto verifica-se não só ao nível de cidadania, como também em relação as entidades públicas que têm como objecto apoiar o desporto em geral e o Basquetebol em particular.
Qual é o balanço que fazem da época de 2008/2009?
GDESSA – O saldo da época transacta, foi muitíssimo positivo, tanto ao nível da formação, onde conquistamos todos os Títulos Distritais nos diferentes escalões de formação, assim como, também obtivemos excelentes classificações a nível Nacional, nomeadamente no escalão de Sub-19, em que estivemos presentes na Final Four, realizada em Coimbra, onde ficamos classificados em quarto lugar.
Ao nível da equipa Sénior, foi muito gratificante a aposta que fizemos nas jovens provenientes dos nossos escalões de formação, e que acabou por resultar em pleno, com a obtenção de um honroso sexto lugar, no Campeonato Nacional da Liga Feminina de Basquetebol.
As equipas de formação desempenham um papel fulcral na dinâmica dos clubes, que iniciativas ou actividades poderiam ser mais apoiadas pelas autarquias e porque não, pelo poder central?
GDESSA – Efectivamente, todos nós sabemos que o acesso à prática desportiva é um direito que está consagrado na Constituição da República Portuguesa, e isso por si só, justificaria um apoio muito mais significativo por parte do poder central, uma vez que os Clubes se substituem ao Estado nessa sua obrigação, de levar a pratica desportiva a todos os cidadãos, independentemente da sua condição na sociedade. Não é isto que efectivamente se verifica, bem pelo contrário. Não são apenas os apoios e incentivos que são cada vez mais raros, como também são cada vez mais e maiores as dificuldades que são criadas aos diferentes clubes que têm como missão proporcionar a prática desportiva aos portugueses independentemente da condição, idade ou sexo.
Neste momento, o GDESSA-Barreiro é um clube “sem sede”, já que a mesma lhe foi “retirada”, por motivo da Escola Secundária de Santo André, se encontrar em obras de remodelação durante vários meses. Como vai ser?
GDESSA - Sim, é verdade, que estamos sem espaço para reunir e para trabalhar. Contudo esta semana, recebemos pessoalmente uma informação por parte do Coordenador do Plano de Desenvolvimento do Basquetebol da Câmara Municipal do Barreiro, comunicando que poderíamos utilizar transitoriamente como Sala de Apoio e Sede do GDESSA-Barreiro, uma sala existente no Pavilhão Municipal Luís de Carvalho, situado na Cidade Sol.
Embora, não seja a solução ideal para o problema com que nos debatemos, é a solução possível até á conclusão das obras que decorrem na Escola Secundária de Santo André.
Como e onde, vão ser ministrados os treinos diários, das mais de 150 atletas que o Clube movimenta e ainda da equipa sénior, que se mantém na mais alta competição Nacional, a Liga Feminina?
GDESSA - Vai ser um processo algo complexo, contudo, prevê-se que até Dezembro deste ano, os locais de treino se venham a manter análogos relativamente ao que já vem sendo hábito nos anos transactos, nomeadamente no Pavilhão Municipal Luís de Carvalho e no Pavilhão da ESSA.
A partir de Janeiro de 2010, altura que o Pavilhão da ESSA vai ficar indisponível, devido às referidas obras, os locais dos treinos e jogos terão que ser disseminados por diversos Pavilhões existentes no concelho do Barreiro. Isto só será possível se houver compreensão e apoio por parte da Câmara Municipal do Barreiro ajudando a encontrarem-se os espaços necessários, nos pavilhões que gere, ou noutros existentes no concelho.
Esta situação é francamente preocupante, porque coincide com a altura da época em que as responsabilidades competitivas para as diversas equipas em prova são mais elevadas, face à participação das diferentes equipas nos Campeonatos Nacionais e ao aumento da carga escolar (testes e provas de exames nacionais), e consequentemente com um dispêndio maior de tempo, em deslocações diárias para os treinos em pavilhões mais distantes.
E depois das referidas obras, como vai ser, há algum acordo ou protocolo para o regresso à Escola que faz jus ao nome do Clube?
GDESSA – Sim, existe um protocolo já assinado entre a directora executiva da Escola Secundária de Santo André, professora Arlete Cruz e o presidente do Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo André, Vasco Marques que prevê a continuidade da ligação entre o Clube e a Escola.
Este acordo, contempla entre outros aspectos, a utilização do remodelado Pavilhão Gimnodesportivo da ESSA e a cedência de uma Sala no referido pavilhão, onde irá funcionar a nova Sede e a secretaria do GDESSA-Barreiro.
Quais são os objectivos do Clube para a próxima época?
GDESSA – Existem vários… Mas, os objectivos mais proeminentes para próxima época, são continuar a apostar ao nível da equipa Sénior, na integração das jovens formadas pelo GDESSA, tentando apesar disso, manter ou mesmo melhorar as classificações obtidas na última época.
Já relativamente aos escalões de formação, o propósito é aumentar o número de jovens praticantes, sem perder de vista os resultados competitivos nas diferentes provas Regionais e Nacionais em que iremos participar com todos os escalões etários.
Por fim, e entre muitos outros propósitos, melhorar o Clube em termos organizativos, conquistando se possível, um maior envolvimento por parte dos pais das nossas atletas, nomeadamente, dando uma maior colaboração junto das equipas dos escalões mais jovens, isto porque, com as novas alterações ao Código da Estrada o transporte das jogadoras com menos de 16 anos, vai ser mais problemático, visto as mesmas só poderem ser transportadas no Minibus e não nas duas carrinhas que o clube dispõe, como anteriormente acontecia. As deslocações para as várias provas desportivas são muitas durante os fins-de-semana, a título exemplificativo, só uma das equipas do escalão de formação, durante a última época (entre Setembro e Junho) efectuou mais de 50 jogos e um número superior a 150 treinos. Temos aqui um bom exemplo concreto das dificuldades criadas aos clubes, pela rigidez e incompreensão da parte de quem nos governa desportivamente.
Como avizinha o futuro do clube face aos problemas económicos e sociais que cada vez mais se abatem sobre o Associativismo, termo este cada vez mais em desuso, na cidadania do século XXI?
GDESSA - Não sendo nossa intenção fazer futurologia, aquilo que gostaríamos que viesse a suceder, era que as muitas dificuldades com que já nos vamos confrontando presentemente no dia-a-dia, não se amplificassem ainda mais, em consequência do cenário de crise que estamos a atravessar. Seria natural nesta altura que os organismos públicos olhassem de uma maneira diferente para as instituições que neste país desempenham um papel fundamental e porque não, relevante, levando a prática desportiva a muitos milhares de portugueses e portuguesas.
Como vêem o Basquetebol Feminino em Portugal?
GDESSA – Bem… Por tudo, o que já foi dito até aqui, não será difícil concluir-se que o cenário não poderá ser, na nossa opinião, de grande optimismo.
De facto, as dificuldades para desenvolver projectos desportivos em Portugal, são inúmeras e o Basquetebol em geral e ainda mais o feminino em particular, não escapam a essas dificuldades.
Há de facto, muita falta de compreensão e apoios, ainda mais, quando se tratam de equipas femininas.
A sociedade em geral e pior que isso, as diferentes entidades oficiais responsáveis, ainda não prestam ao desporto feminino, a atenção que este merece, sendo implacavelmente secundarizado, face ao desporto praticado pelos homens. Também a nível da Comunicação Social, nomeadamente os grandes órgãos informativos de âmbito nacional (Televisões e Jornais) dão muito pouca relevância, ao trabalho que é realizado ao nível do desporto feminino em geral e do Basquetebol Feminino em particular.
A nível local, a realidade não é muito diferente, bastando para comprovar esta ideia, pensarmos quais os projectos concelhios abrangendo equipas femininas, que ao longo de mais de 100 anos de História do Desporto no concelho do Barreiro nasceram e tiveram sucesso. Os exemplos são tão escassos, ou efémeros que só por este facto o trabalho ininterrupto realizado pelo GDESSA-Barreiro ao longo de quase 30 anos consecutivos de existência, merecia que fosse “olhado com outros olhos”, pelas entidades públicas ou privadas, nacionais ou locais.

Jorge Pirote

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