Nuno Manaia, treinador do Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo AndréGDESSA- Barreiro é um clube com “mística”

Por Jornal Rostos
Sente que cumpriu a missão no Campeonato da Liga Feminina e no Campeonato Nacional de SUB-19?
A decisão de treinar as duas equipas contínua, a ser uma aposta ganha e para continuar? Sim, sem dúvida, a Liga Feminina correu como esperava e se pensar que há um ano, estava a dar uma entrevista para o vosso jornal, em que disse que o sexto ou sétimo lugar era o objectivo... só posso ficar contente com o trabalho realizado.
Nas juniores voltamos a chegar à Final 4 nacional, que é onde o GDESSA deve chegar todos os anos, mas claro, que o quarto lugar soube a pouco, pois no ano passado tínhamos sido campeões.
E ainda, “alimentar” a equipa de seniores todos os anos, com jogadoras vindas do escalão de juniores, é também um objectivo permanente e foi também alcançado, pois no ano passado tínhamos cinco juniores no plantel da Liga, entre muitas outras que já tinham subido a seniores nos anos anteriores.
Entretanto, vou continuar a acumular a equipa de seniores com a de juniores, pelo menos durante a próxima época, pois se pensarmos que o plantel sénior vai ter quatro juniores, tudo fica mais simplificado, tal como gestão de esforço das atletas, horários de treino, métodos de trabalho, convocatórias, etc. De qualquer maneira, iremos fazer uns ligeiros ajustes no enquadramento técnico, para podermos corrigir algumas situações que correram menos bem no ano anterior.
O balanço da época findada, é sem dúvida alguma positivo, contudo qual é a sua opinião mais pormenorizada, em relação às duas equipas?
A equipa de seniores levou uma autêntica revolução, pois a equipa técnica mudou e foram também muitas as jogadoras que entraram e saíram do plantel. Tentamos claramente apostar na prata da casa, e como exemplo disso, temos a Luzia Lampreia que com 16 anos fez mais de metade dos jogos no “cinco” inicial.
Também tivemos os nossos azares – e não foram poucos – com a Larisse Lima, a ter de ficar parada seis meses quando tudo apontava para o máximo de três, a Luiana Livulo (jovem com grande potencial) teve de ser submetida a uma cirurgia ao joelho que apenas a deixou participar em dois jogos durante toda a época, a primeira jogadora estrangeira cancelou a sua vinda para Portugal, dois dias antes da sua chegada, etc.
Na 2ª volta da Liga acabámos por ser uma equipa incómoda para todas as equipas presentes no Campeonato, com a segunda estrangeira e a Larisse a darem-nos mais alguma consistência.
E no grupo das juniores…
Na equipa de juniores, tivemos sempre, a preocupação durante a primeira parte da época, em desenvolver o potencial individual de todas as atletas, de modo a chegarmos ao Campeonato Nacional com ganhos nesse parâmetro, centralizando a parte final da época nas questões de grupo.
Penso que na Final 4, houve três aspectos a considerar, dois negativos e um positivo: Nos pontos negativos, incluo o facto de a Luiana não ter podido ajudar a equipa, pelos motivos já explicados e a minha ausência da competição, por motivos profissionais. O aspecto positivo, foi que conseguimos criar um grupo de trabalho de três treinadores que me substituíram (Pedro Marinho, Susana Costa e o Prof. José Carruna), bem ajudados pelo incansável secessionista Carlos Patronilo, que agarrou com determinação a equipa e levou mais uma equipa do GDESSA a um ponto alto do nosso basquetebol.
Vai continuar ao serviço do clube de Santo André na próxima época?
Fui convidado e não hesitei. Vou para a quinta época e sinto-me bem aqui.
Sinto que as pessoas do clube também estão contentes com o meu trabalho, portanto não há motivos para pensar em sair.
A restante equipa técnica, é também uma “peça” fundamental para a aquisição de bons resultados, este ano essa “peça”, esteve sempre bem oleada, quer explicar como foi possível manter o “motor” em bom funcionamento?
Sim, já tinha trabalhado com o João Carvalho dois anos antes e penso que foi uma boa escolha para treinador adjunto. O Nuno Ferreira e o Jorge Pirote, foram os dirigentes que sempre nos acompanharam, tentando resolver todos os problemas que iam surgindo. Quem entra neste “barco” tem que estar preparado para lidar com as mais diversas formas de ser, de cada um e de reagir às diferentes situações que nos aparecem todos os dias. Houve coisas que correram bem e outras menos bem, embora esteja ciente que todos (eu incluído) vamos fazer um esforço, no sentido para ultrapassar algumas falhas da época passada. São muitas horas, muitos treinos, jogos, viagens e se não existisse amizade e objectivos comuns todos os problemas seriam muito mais difíceis de resolver.
A Liga Feminina portuguesa é tão competitiva em comparação, a algumas congéneres europeias, ou ainda temos muito terreno a percorrer?
Antes de falar em competitividade gostaria de falar em organização, e aí sim, nós estamos uns degraus abaixo de algumas Ligas europeias, embora ache que na época passada, demos alguns passos em frente. A publicação das estatísticas no site da FPB, a criação de uma Newsletter, entre outros, é exemplo de alguma melhoria. Falta também, consolidar projectos, nomeadamente por parte dos clubes, não é possível todos os anos não sabermos quem vai (ou não) participar na Liga Feminina. Sei que todos os clubes têm momentos bons e maus, o que não pode acontecer é que quando são maus, são mesmo muito maus, ou seja, na maioria das situações abandonam a competição.
As arbitragens são sempre um assunto muito polémico em qualquer modalidade, e o basquetebol não é excepção, qual a sua opinião em relação a esta temática. Que alterações poderiam ser efectuadas para melhorar ou aperfeiçoar este vértice do basquetebol?
Raramente falo de arbitragem, o árbitro faz parte de jogo e sem ele era impossível jogar, apenas digo que deve ser imparcial e não ir na "onda" dos que mais protestam, sentindo-se assim mais confortável. Isso sim por vezes deixa-me um pouco irritado.
Qual é o esforço, designadamente ao nível de contratações que um clube como o GDESSA, tem de fazer para poder participar em provas nacionais e que lhe permita pontuar para uma qualificação de destaque tanto nos escalões de formação, quer na Liga Feminina?
O GDESSA tem que se preocupar em colocar o maior número de atletas da sua formação a jogar na equipa sénior, devendo também estar, atento a jogadoras jovens de qualidade inegável que possam ingressar no clube e ter duas estrangeiras que possam ser um exemplo para as nossas atletas mais jovens dentro e fora do campo. Não peço mais!
E a equipa da próxima época, quer levantar o véu?
Nestas coisas por vezes o segredo é a alma do negócio, embora possa dizer que estou extremamente satisfeito com o plantel da próxima época. É uma equipa muito jovem mas muito trabalhadora, composta por jogadoras que conheço muito bem e em quem confio. Desculpem a expressão mas "é a minha equipa".
O plantel está fechado e das 13 jogadoras apenas três nunca treinaram comigo, as duas americanas e uma jovem promessa que vai entrar no clube este ano. Portanto é, como disse, uma equipa em que confio muito. Se quiserem saber mais têm que seguir o nosso site nas próximas semanas (risos).
Finalmente, quais são os seus maiores objectivos de carreira, como treinador e que investimento pessoal/familiar, tem que ser efectuado, quais os prós e os contras?
Bom… em termos de carreira, tentar conseguir atingir os objectivos a que me proponho no inicio de todas as épocas, pois se conseguir isso, quer dizer que estou a subir, pois a meta é sempre melhorar o trabalho do ano anterior.
Em termos familiares, tentar estar o máximo tempo possível com a minha família, que por vezes atura as minhas indisposições, quando o basket não corre diariamente da melhor maneira.
Quer deixar um último conselho para as jovens atletas que na próxima época vão ser suas “pupilas”?
Conselho não, mas um pedido sim. As jogadoras mais "velhas" devem ser responsáveis por passar a mensagem do clube/equipa para as mais novas. Quero com isto dizer que as atitudes, comportamentos, empenhamento e o sacrifício, em prol do clube e da equipa devem ser "injectados" nas mais novas. Chamo a isto “mística”, e nós temos essa “mística”, mas por vezes está adormecida. Assim, cabe às mais antigas essa tarefa e não andarem por ali como se fossem mais uma…
Jorge Pirote













