Para quando um monumento ao jogador de futebol no Barreiro ?O desfile é interminável...
João Malheiro, conhecida personalidade do mundo do futebol, num artigo editado no jornal «Correio da Manhã» lança o repto.
Será que esta é uma ideia que tem pernas para andar, no âmbito dos projectos de promoção de esculturas no espaço urbano?
«O desfile é interminável. Soeiro, Pireza, Azevedo, Quaresma, Félix, Arsénio, Moreira, Vasques, Carlos Gomes, Carvalho, José Augusto, Mário João, Alexandre Baptista, Adolfo, Chalana. Todos naturais do Barreiro.» - sublin ha João Malheiro.

Por Jornal Rostos
Divulgamos, o texto editado por João Malheiro, no jornal «Correio da Manhã»:
Barreiro capital da bola
JOÃO MALHEIRO
Soeiro Pereira Gomes falava dos “moços que parecem homens e que nunca foram meninos”. Referia-se aos moços do Barreiro? Não referia, mas poderia referir-se. A esses tantos moços do Barreiro operário, do Barreiro rebelde, do Barreiro solidário.
Nos areais, nos baldios adjacentes ao Tejo, anos consecutivos, a bola, a bola-menina, tantas vezes na versão de trapos, alucinava os moços, filhos de uma vida magoada.
Quase por instinto, por mero instinto, os moços aprimoravam técnicas, mimavam a bola, a bola-menina. Mais tarde, por fatalidade, por mera fatalidade, viravam artistas de futebol, mimavam a bola, a bola-crescida.
O desfile é interminável. Soeiro, Pireza, Azevedo, Quaresma, Félix, Arsénio, Moreira, Vasques, Carlos Gomes, Carvalho, José Augusto, Mário João, Alexandre Baptista, Adolfo, Chalana. Todos naturais do Barreiro. Esses todos e outros mais. Todos internacionais do futebol português. Esses todos e outros mais. Mais outros que também passaram por clubes do Bar-reiro e vestiram o traje nacional. José Carlos, Manuel Fernandes, Carlos Manuel, Arnaldo, Bento, Frederico. Esses todos e outros mais.
Cada um era “companheiro dos filhos das ervas, quantos desesperos engoliste, com quanto fervor estudaste e trabalhaste, suando gelo, mal-comido, maltratado, e que bem varrias a grande área com os teus chutos”. Urbano Tavares Rodrigues referia-se aos moços do Barreiro? Também a esses, seguramente a esses.
Numa centúria de bola, não houve, jamais haverá terra igual ao Barreiro. Tem o mais cobiçável património do futebol nacional. Fez desses “moços que parecem homens e nunca foram meninos” muito do melhor e mais belo pé-de-obra que se viu nas arenas desportivas do País.
O Barreiro, terra de gente insubmissa, de gente aguerrida, de gente corajosa, esse Barreiro, carente até de graças e honrarias, já se deu conta do que vale? Para quando no Barreiro, capital da bola, alfobre maior de talentos, um monumento ao Jogador de Futebol?













