Atletas paralímpicos chocados com Regulamento Paralímpico Rio 2016

Por Jornal Rostos
Na opinião dos atletas o Regulamento é uma proposta surrealista, já que, sinteticamente, propõe conseguir-se melhores resultados com menos atletas e em condições mais limitadas.
Assim sendo, a Associação de Atletas Portadores de Deficiência em conjunto com muitos dos atletas que integraram o Projeto Paralímpico Londres 2012, vêm chamar a atenção de jornalistas e editores para o seu descontentamento e preocupação relativamente ao conteúdo daquele documento. Após uma análise cuidada da proposta de regulamento, foi por nós unanimemente considerado que existem vários pontos a alterar e outros a esclarecer em nome da defesa do alto rendimento no Desporto Paralímpico.
Sobre vários dos tópicos que pretendemos ver alterados ou esclarecidos pelo Comité, deixamos aqui dúvidas e contra-propostas relativamente a alguns para vosso conhecimento:
1. Relativamente ao ponto: VI.6. Bolsas Paralímpicas
Os atletas não concordam de todo com os valores apresentados no Regulamento para as modalidades individuais. Estes valores mais uma vez vêm evidenciar as diferenças de tratamento entre atletas olímpicos e paralímpicos, estando estes claramente em desvantagem face aos primeiros.
Por várias vezes o presidente do Comité, em declarações à comunicação social, refere que os atletas de outros países são profissionais e que em Portugal o caminho terá de ser este. Assim sendo, não se compreende como é que se pretende atingir esse objetivo com os valores injustos e indignos sugeridos no Regulamento.
Com o intuito de se caminhar para uma profissionalização e para que os atletas portugueses possam estar nos Jogos Paralímpicos a competir - se não em condições de igualdade pelo menos com condições mais aproximadas às dos olímpicos – e como temos consciência de que a igualdade de tratamento entre olímpicos e paralímpicos é uma utopia a médio prazo, propomos valores que apesar de tudo consideramos menos injustos:
Nível 1 Paralímpico ------ 880€ (corresponde ao nível 3 de um atleta olímpico)
Nível 2 Paralímpico ------ 680€
Nível 3 Paralímpico ------ 485€ (corresponde ao ordenado mínimo nacional)
2. Relativamente ao ponto: VI.5. Níveis e Critérios de integração
2.1) Consideramos que Os mínimos A devem garantir o acesso ao nível 2: parece-nos que diminuir a bolsa dos potenciais participantes nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 em vez de garantir melhor qualidade nos resultados desportivos só propícia piores resultados; Não se compreende como é que se pretende exigir mais qualidade quando efetivamente cada vez são dadas menos condições àqueles que estão no Projecto.
2.2) Os mínimos B devem garantir ao atleta o nível 3 e dar acesso à entrada no projecto: consideramos este ponto de grande relevância. Não compreendemos porque razão o Comité impede que potenciais participantes nos Jogos Paralímpicos possam receber uma verba para se prepararem.
Associação de Atletas Portadores de Deficiência













