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Perspectivas

Fátima LopesBarreiro é uma terra que está no meu coração

«Eu sou barreirense. Digo-o com orgulho»

“O Barreiro é uma terra que está no meu coração. Está, e estará sempre, porque muito daquilo que eu sou são fruto das minhas vivências no Barreiro.
É uma terra de gente extraordinária, de gente empreendedora, de gente com muita garra de vencer” – referiu Fátima Lopes numa conversa com o jornal «Rostos».

"Há alguns momentos da história, que se pensa que o homem foi principal, mas não, o homem foi a cara visível da acção da mulher” - refere a propósito do seu livro «Mães e Filhas – com História».

7 min de leitura
Fátima Lopes Barreiro é uma terra que está no meu coração

Por Jornal Rostos

Fátima Lopes lançou no fim do ano 2013, o seu último livro «Mães e Filhas – com história», no âmbito das acções de lançamento marcou presença no Barreiro, no Pingo Doce, numa manhã que encheu o espaço com o seu sorriso, amabilidade e comunicação aberta.
Num intervalo da azáfama de assinatura de autógrafos, ali, enquanto saboreava uma bolinha de manteiga, conversou com o jornal «Rostos».
Sublinhava, a sua felicidade de vir ao Barreiro e sentir o sabor «solidário» das «Bolinhas de Manteiga».

Sou nascida e criada no Barreiro

Fátima Lopes, nasceu no Barreiro, na Clinica Laura Seixas, onde nasceram mais de dez mil barreirenses, foi registada em Lisboa, e com um sorriso nos olhos, afirma – “Eu nasci no Barreiro, sou nascida e criada no Barreiro”.
Viveu na zona do Alto da Paiva e frequentou o Ensino Primário, no «Viveiro Infantil», no Barreiro até concluir a 3ª classe.
Seus pais foram para Moçambique e Fátima Lopes acompanhou sua família nessa deslocação até à então colónia Portuguesa, onde viveu durante três anos.
“Quando voltámos fui estudar para a Escola Álvaro Velho e depois frequentei a Escola de Casquilhos”- recorda.

Redescobrir os sítios da infância e adolescência

Na nossa conversa com Fátima Lopes, interrogámos qual o seu sentimento sempre que se desloca ao Barreiro.
“Quando regresso é um misto de sentimentos. Eu vivi aqui até aos meus 20 anos. Aqui estudei, aqui pratiquei desporto, na Quimigal, aqui fiz os meus amigos. Aqui tenho uma parte da família e sempre que aqui regresso, venho naquela atitude de descobrir as mudanças.
Ah, isto não havia ali, ah, mas isto mudou, sabe é sempre aquela coisa da redescoberta.
Normalmente, venho ao Barreiro, nestas sessões de autógrafos, não tenho muita família cá, tenho alguma família, mas, regularmente onde nos encontramos é na casa da minha mãe, por isso não tenho necessidade de vir ao Barreiro, porque os almoços e encontros familiares são na casa da minha mãe. Venho pouco ao Barreiro.
Quando venho sabe-me bem, faz-me bem, passar nos sítios por onde passei milhões de vezes, na minha infância e da minha adolescência”.

Barreiro é uma terra que está no meu coração

Na nossa conversa sublinha que está sempre atenta às notícias do Barreiro.
“O Barreiro é uma terra que está no meu coração. Está, e estará sempre, porque muito daquilo que eu sou são fruto das minhas vivências no Barreiro.
É uma terra de gente extraordinária, de gente empreendedora, de gente com muita garra de vencer.
Eu não nasci num berço de ouro, fui criada, com gente que não vinha de num berço de ouro e isso foi óptimo para a minha formação.
É uma terra que eu digo que é minha e que eu digo com muito orgulho: Eu sou barreirense. Digo-o com orgulho.”

Um tema que sempre me apaixonou

Que razão motivou a escolha do tema «Mães e Filhas» para este seu livro? – perguntámos.
“Este é um tema que eu gosto particularmente, por ser mãe, por ser filha, por dar muita importância à relação que tenho com a minha mãe, por dar muita importância à relação que tenho com a minha filha.
É um tema que sempre gostei e sempre me apaixonou, por outro lado gosto muito de história, sempre li livros de história.
Por isso, resolvi juntar os dois temas, sobre a relação mães e filhas na história, até porque não havia muita informação sobre a relação mães e filhas na história, o que procurei foi com base nas informações que existem, procurei fazer a minha interpretação, dessa relação das mulheres, com as mães e com as filhas.

Mulheres que estavam à frente do seu tempo
Que razão a levou a escolher estas mães e mulheres que viveram em momentos de mudanças?
“Porque são duplas com impactos. Além de tudo o que elas têm para passar aos leitores em termos emocionais e das relações mães com as filhas, há o impacto da própria época que elas viveram, até porque, muitas das mulheres tratadas neste livro, são mulheres à frente na sua época. Isso para mim foi importante, tive isso em atenção, o tipo de cada uma delas, naquilo que elas podiam transmitir ao leitor, mas também pela própria época que estavam inseridas.
E como lhe disse, há muitas das mulheres aqui retratadas, que estavam à frente do seu tempo.

Experiências diferentes de ser mãe e filha

Porque escolheu todas ao nível da monarquia?
“Elas fazem parte da história. Foi uma escolha com uma ordem cronológica. Se me perguntar porquê, digo que é a minha escolha pessoal, foi uma escolha que me cativou, não tem uma razão especifica, é a minha escolha, é completamente pessoal.
As mulheres que escolheu também são profundamente religiosas?
“Não. Não são todas profundamente religiosas, pelo contrário, algumas têm uma relação distanciada da Igreja. Cada dupla transmite uma experiência diferente de ser mãe e filha.”

Uma mulher que transmitiu valores

Alguma destas personalidades a marcou?
“Sim, a dupla D. Filipa de Lencastre e D. Isabel de Borgonha, talvez seja a dupla que eu me identifico muito mais, pelo tipo de relação que tinham, pelo tipo de cumplicidade, pelo facto de ter sido uma mãe que naquela época, ter sido uma mulher que deu um amor incondicional aos filhos, pela formação e pelos valores que D. Filipa transmitiu a D. Isabel de Borgonha, talvez seja a dupla com a qual me identifico mais.”

O homem foi a cara visível da acção da mulher

Ao escrever este livro fica com a convicção que a mulher tem um papel determinante na história?
“Absolutamente determinante. Aliás, há alguns momentos da história, que se pensa que o homem foi principal, mas não, o homem foi a cara visível da acção da mulher”
Não é uma interpretação feminista?
“Não, não, é uma realidade histórica. Há muitos homens na história, que eram os reis, mas todas as suas decisões eram profundamente influenciadas pela mulher que tinham, como é o caso da D. Leonor de Teles, é uma mulher que a partir do momento que casou com D. Fernando, ela, na verdade, decidia, ela é que influenciava em cada uma das decisões e ele assumia-as publicamente. Ela preparava tudo nos bastidores”.

Apaixonante ser mãe e ser filha

Foi filha, é mãe. Com sente esses seus dois papeis?
“Acho que são os papéis mais apaixonantes desta vida, ser mãe e ser filha. E também são os mais compensadores, acho que nada preenche tanto o nosso coração, como quando estabelecemos uma relação forte e uma relação muito genuína com os nossos filhos, e manter essa relação com as nossas mães até ao fim dos dias, alimentando sempre esse afecto o mais possível” .

Barreiro solidário com «Bolinhas de Manteiga»

“Se eu viesse cá eu não levasse as Bolinhas de Manteiga, o Barreiro é que ficava mal, o Barreiro para ser solidário trás sempre as suas bolinhas” – comenta com um sorriso, agradecendo a oferta que foi feita pelo Senhor João da Pastelaria Moderna, do Barreiro.

Mulheres na história

O livro «Mães e Filhas – com História», de Fátima Lopes, da editora «A esfera dos Livros», faz uma abordagem da relação entre mães e filhas na história – o amor cúmplice, obsessivo, castrador, incondicional, avassalador, as diferentes formas de amar numa relação única e insubstituível. Uma obra que vale a pena e que nos faz viajar por dentro de épocas que marcaram a história da humanidade.

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