Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Barreiro - Rostos do Ano 2013Ana Porfirio «Rosto do Ano Autarca»
«Sinto-me muito honrada»

O jornal «Rostos» atribui anualmente a distinção «Rostos do Ano», numa acção que contamos com a colaboração dos jornalistas da imprensa regional. Vamos começar a divulgar os distinguidos do ano 2013.
Ana Porfirio, vai receber a distinção «Rosto do Ano – Autarca».
“Ser autarca nos dias de hoje é como navegar, sem bussola nem gps, num mar de destroços” – sublinha Ana Porfirio.

6 min de leitura
Barreiro - Rostos do Ano 2013 Ana Porfirio «Rosto do Ano Autarca» «Sinto-me muito honrada»

Por Jornal Rostos

Ana Porfirio, autarca, eleita presidente da União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, anteriormente membro do executivo da extinta Junta de Freguesia da Verderena, foi a personalidade distinguida como «Rosto do Ano 2013 – Autarca».

O meu "Rosto" é o rosto de uma equipa

Que significado atribui ao facto de receber a distinção «Rostos do Ano»? - perguntámos
“A Comunicação social tem um papel importante não só na formação da opinião pública como na divulgação dos múltiplos aspetos da vivência do dia a dia, dos mais tristes aos mais felizes.
Na Comunicação Social "local" tudo se torna mais próximo, é a nossa terra as nossas gentes, as nossas coisas, não estando fora de um horizonte mais vasto é um olhar de proximidade.
Um espelho do quotidiano.
Receber esta distinção é algo que não estava à espera e sinto-me muito honrada, considero-me uma mulher vulgar, acredito em causas, acredito que todos, mesmo todos, juntos, conseguimos transformar o mundo, que todos os contributos são válidos, que todos os pontos de vista são importantes e tento dar o meu contributo sempre com o sentido de que os meus conterrâneos confiaram em mim.
Considero ainda que o meu "Rosto" é o rosto de uma equipa, de homens e mulheres que trabalham no mesmo sentido.” – referiu Ana Porfirio

"Poupou-se" na proximidade, na representatividade e na democracia

Que é ser autarca nos tempos de hoje? – perguntámos.
“Ser autarca nos dias de hoje é como navegar, sem bussola nem gps, num mar de destroços.
Tudo o que era verdade, certo, inscrito em quadro legal, muda a cada instante, no caso das Freguesias mudou tudo, mesmo tudo.
De repente, vemo-nos a braços com uma reorganização administrativa com muitas falhas legais, que teve por si só custos ainda não totalmente contabilizados de adaptação (carimbos, selo branco, programas informáticos, todos os contratos alterados, seguros, etc) com redução de verbas, com aumento de responsabilidades, sem os meios técnicos, humanos e financeiros devidamente comtemplados, com proibição de contratação, no fundo numa teia de "sufoco", burocrático que impede o funcionamento normal.
Paralelamente a imposição de União de Freguesias resulta que onde existiam dois Executivos com dez pessoas no total (no caso do Barreiro Lavradio) passou a existir um Executivo com cinco elementos, apenas um elemento a tempo inteiro, para as duas áreas.
"Poupou-se" na proximidade, na representatividade e na democracia” – sublinha Ana Porfirio

Uma espécie de sucursal de múltiplos serviços públicos

“Confrontamo-nos ainda, com situações no mínimo caricatas, como a existência de cinco quadros diferentes de financiamento de Freguesias a nível nacional: as do município de Lisboa, com um quadro de financiamento exclusivo; as da Região Autónoma da Madeira, onde as Freguesias receberam um aumento de verbas por parte do Orçamento de Estado de cerca de dois milhões de euros; as Uniões de Freguesia, que aceitaram a situação e que recebem uma majoração de 15% e as que não aceitaram (como a nossa) que recebem uma diminuição de 15%, para não falar das Freguesias não agregadas em que nalguns casos a verba inscrita em Orçamento de Estado mantém-se, noutros casos aumenta e noutros diminui, sem se perceber quais os critérios subjacentes.
As opções centrais "empurram-nos" para opções que não queremos e com as quais não concordamos, ser uma espécie de sucursal de múltiplos serviços públicos, que vão sendo retirados ás populações” - acrescenta.

Solicitações principalmente de âmbito social "chovem"

“Uma parte importante desta equação é ainda a dos trabalhadores, hoje confrontados com redução de direitos, de salário, de aposentação, muitos deles com salários no limiar da pobreza e que todos os dias ainda assim se desdobram para prestar a sua função e em muitos casos, muito para além das suas funções.
Não subestimar que no Poder Local, particularmente nas Freguesias "damos a cara", face a face com os munícipes, com quem nos elegeu, na rua à porta de casa, no supermercado, sendo assim confrontados diariamente e sendo também, solicitados para acompanhar e tentar resolver muitas situações que vão muito para além do que são as nossas competências legais.
As solicitações, principalmente de âmbito social "chovem", de referir que é uma área para as quais as Juntas não possuem técnicos, meios ,verbas nem tão somente quadro legal mas ainda assim, atuamos em parcerias, cedendo transportes, camas articuladas, cadeiras de rodas, fazendo de elo de ligação entre instituições, agilizando os mais variados contatos. Mas neste campo a situação é dramática.
Da mesma forma que não temos competências para atividades de carater cultural, recreativo e desportivo.
Mas temos muita vontade, imaginação, e acima de tudo não cruzamos os braços, tentamos dar resposta na medida do possível a todas as solicitações, resposta a todas as questões, acompanhar todas as situações, tudo isto cumprindo a nossa função, o nosso trabalho diário, mantendo em funcionamento o que consideramos ser duas Freguesias distintas, com a sua identidade, dinâmica e vivência própria” – salienta a autarca.

Transportar a tal gota de água é gratificante

A finalizar solicitámos que “outros comentários” considerava oportuno referenciar, Ana Porfirio, afirmou: “Face a tudo o que disse antes será legitimo perguntar: Porquê aceitar a candidatura? O cargo?
Existe uma história que fala de um "colibri", que face a um incêndio na floresta carregava uma gota de água no bico, os outros animais disseram-lhe que era louco, uma gota de água não era nada...
O colibri respondeu "Se todos carregarmos uma gota de água, podemos apagar o incêndio!"
Há de facto pequenos incêndios que apagamos diariamente, um problema que se resolve numa escola, uma cama articulada para um idoso, uma iniciativa conjunta onde se leva cultura, um conjunto quase incontável de pequenas coisas, onde podemos fazer aquela diferença, a tal gota de água.
E transportar a tal gota de água é gratificante.”

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção