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Perspectivas

Vítor Santa Bárbara, a paixão pelo Teatro de Marionetas«Gostava de abrir uma escola de Marionetas no Barreiro»

. O derradeiro exemplo de teatro ambulante de fantoches em Portugal

Vítor Santa Bárbara, nasceu em Cascais, vive há cerca de dois anos no Lavradio, concelho do Barreiro, exerce a sua actividade profissional no concelho do Seixal, e dedica-se nos seus tempos livres a manter viva uma tradição que herdou de seu pai – a arte das marionetas – sendo um dos onze que em Portugal se dedica a esta arte popular, e, como ele diz – “sou o mais genuíno e o mais antigo”.

Este ano representou Portugal no 5º Encontro de Manulengos de S. Paulo, no Brasil.

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Vítor Santa Bárbara, a paixão pelo Teatro de Marionetas «Gostava de abrir uma escola de Marionetas no Barreiro»

Por Jornal Rostos

Vítor Santa Bárbara, é um dos onze marionetistas que continua a manter viva a tradição do Teatro de Marionteas, uma arte que está um pouco espalhada pela Europa, em Espanha, Itália ou Alemanha.
Pode dizer-se que é o único marionetista que herdou esta tradição por via familiar, de seu pai João Santa Bárbara ( que residiu na Baixa da Banheira, concelho da Moita), que por sua vez, também herdou a arte de seu sogro uma das figuras míticas dos pavilhões das feiras, nos anos 40, o Mestre Manuel do Rosado.

Não é para viver

Vítor Santa Bárbara continuou a seguir o ofício que herdou de seu pai, e mantém-se activo desde 1983.
“Faço-o porque gosto de fazer e porque não quero deixar morrer esta tradição. Faço-o nas feiras e nas escolas. Não é para viver, é para se fazer quilo que se gosta e ganha-se alguma coisa nas feiras” – sublinha.
“Esta é uma actividade que existe com larga tradição em Espanha, Itália, França e na Alemanha” – refere.

Muito criticada pelo regime de Salazar

Na nossa conversa recorda que antes do 25 de Abril, o Teatro de Mariontas não era muito bem aceite – “quando o meu pai usava os bonecos do Padre ou do Policia era complicado. Por exemplo, em cenas que o Policia era agredido, muitas vezes havia intervenção policial a proibir. Chegou a ser preso”.
“Sabe, as marionetas eram muito criticadas pelo regime de Salazar” – sublinha.

Eu aprendi com o meu pai de feira em feira

“Eu aprendi com o meu pai de feira em feira. Em casa brincava com os bonecos. Um dia, em Setúbal, meu pai na hora de começar não apareceu. As pessoas estava à espera e eu, na ausência do meu pai, avancei e fiz o espectáculo. E foi a partir dessa altura que decidi começar a fazer sozinho, de feira em feira” salienta Vítor Santa Bárbara.
“As barracas – guaritas como lhe chamamos, de dia são para apresentar o espectáculo e à noite servem de tendas para dormir” – diz.

Herdei a tradição da família

Recorda que em Portugal são poucos os que mantêm viva esta tradição – onze no total.
“Eu sou o único genuíno, que herdei a tradição da família, os outros aprenderam nos teatros. Eu aprendi com a tradição nas feiras, numa tradição oral e genuinamente popular” – sublinha.
Vítor Santa Bárbara foi um dos participantes no 1º Encontro Internacional de Marionetas que decorreu em Montemor-oNovo , na Maratona de Marionetas em Lisboa, e representou Portugal, no Brasil, no 5º Encontro de Manulengos de S. Paulo, assim como no Encontro de Guarulhos ( manulengos são as marionetas típicas do Brasil).

Tenho ideias e tenho sonhos

Vítor Santa Bárbara, pode dizer-se é “o derradeiro exemplo de teatro ambulante de fantoches”.
“Tenho ideias e tenho sonhos. Gostava de abrir uma Escola de Marionetas no Barreiro, ter um espaço para promover Workshops.
Gostava de promover o 1º Encontro de Marionetas no Barreiro, aqui na região de Setúbal” – refere com um brilho nos olhos.

Antigamente era dificil trabalhar

Recorda que “antigamente era dificil trabalhar em espaço públicos, exigiam sempre licenças”.
“Nós temos que trabalhar na rua, levar a arte às pessoas. Precisamos que nos apoiem. Apoiar-nos não é darem-nos dinheiro, é deixarem-nos trabalhar nas ruas. Quero dizer que a Câmara Municipal da Moita sempre nos deu esse apoio” – afirma.
Vítor Santa Bárbara, continua com o seu sonho, mantendo viva esta tradição que herdou de seu pai, percorre as feiras do país – Moita, Setúbal, Alcobaça, Vila Franca de Xira, Nazaré, Santiago do Cacém.

No Dia da Bruxas nas escolas do Lavradio

“No próximo ‘Dia das Bruxas’ vou estar presente numa acção para 200 crianças das Escolas do Lavradio” – refere.
Já marcou presença em programas da RTP, da SIC e mantém uma estreita relação com o Museu de Marionetas em Lisboa.
“O Barbeiro”, “A Tourada” são alguns das suas peças de teatro de fantoche, “D. Roberto e o Cemitério Assombrado” é o seu mais recente trabalho.
“Antigamente as pessoas olhavam os Robertos um pouco de lado, hoje em dia já nos convidam para ir a escolas e à televisão. Acho que o Raul Solnado deu um contributo importante para isso, com o seu trabalho D. Roberto, contribuiu para mudar a forma como as pessoas olham para o teatro de marionetas” – refere Vítor Santa Bárbara.

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