Sousa Marques, Presidente Associação de Futebol de SetúbalApoios aos clubes por parte do poder local e do tecido empresarial tem vindo a reduzir-se
. Associação de Futebol de Setúbal tem 114 clubes filados
. Na próxima época no escalão de sub-13 vamos fazer uma experiência com o futebol de 9
Joaquim Sousa Marques, Presidente da Direção da Associação de Futebol de Setúbal, entrevistado pelo jornal «Rostos», sublinha que – “a modalidade tem um papel muito importante na promoção da imagem do distrito, e principalmente dos concelhos e das freguesias”.

Por Jornal Rostos
Joaquim Sousa Marques, Presidente da Direção da Associação de Futebol de Setúbal, faz um breve balanço da época que terminou, abre algumas notas sobre a próxima época e refere diversos aspectos do papel da Associação, do Poder Local e do Poder Central no desenvolvimento da modalidade.
Incerteza nos vencedores existiu até ao final das competições
Que balanço da época que agora finda?
“O balanço é necessariamente positivo face a forma como decorreram, e estão ainda a decorrer, as inúmeras competições organizadas pela Associação de futebol de Setúbal.
No campo desportivo, onde a competitividade tem imperado (exemplos são os campeonatos distritais da 1ª e 2ª divisão de seniores onde a incerteza nos vencedores existiu até ao final das competições), quer no campo disciplinar, onde não se verificaram situações negativas dignas de registo, e em termos organizativos, onde tudo decorreu de uma forma normal e habitual, considerando a elevada atividade existente.”
Cartão Fair Play fomos pioneiros a nível nacional
Que novidades são esperadas para a próxima época?
“Ainda que em termos organizativos, face aos patamares atingidos, não exista muito para reinventar, existem sempre melhorias que procuramos implementar, fruto das avaliações que efetuamos no desenrolar das nossas atividades.
Por certo, face ao balanço positivo que se está a verificar no cartão Fair Play, em que fomos pioneiros a nível nacional, vamos consolidar esta iniciativa alargando-a a mais escalões, não apenas nas fases finais, mas durante toda a época. Vamos fazer um balanço com o PNED (Plano Nacional para a Ética no Desporto) e com todos os intervenientes, efetuar os ajustes que forem considerados necessários e expandir esta iniciativa.
Igualmente na formação, especificamente no escalão de sub-13 vamos fazer uma experiência com o futebol de 9, ainda não na forma de um campeonato distrital, mas num torneio de encerramento, por forma a permitir avaliar e ajustar regras e regulamentos, possibilitando uma preparação para o futuro, onde se espera a adoção desta variante, neste escalão, por parte da Federação Portuguesa de Futebol.
Como estamos numa fase de preparação da próxima época é prematuro estar a avançar com mais novidades, uma vez que estamos precisamente na fase da análise, discussão é de tomada de decisões relativamente a organização e planeamento da época desportiva 2015/2016.”
Subida de divisão é importante para o desenvolvimento desportivo do clube
Como encara a subida do FC Barreirense?
“Penso que uma subida de divisão é sempre o corolário do trabalho desenvolvido pelos clubes, e é o resultado da ambição que os seus dirigentes, atletas e adeptos colocam no início de cada época desportiva. Neste sentido a subida de divisão é importante para o desenvolvimento desportivo do clube, não só nesse escalão, mas também nos escalões de formação, face ao efeito catalisador que essa situação permite, assim como também é importante para a realidade sócio económica local.
Se é certo que a presença de um clube com o historial do F C Barreirense nas competições distritais permite valorizar as competições distritais, é também natural que o clube, sentindo que tem condições para participar em competições nacionais, procure fazer jus ao seu passado e almeje disputar outros patamares competitivos”.
Foram inscritos cerca de 9400 atletas
A Associação de Setúbal conta atualmente com quantos clubes? E Atletas?
“Na época que está a terminar a Associação de Futebol de Setúbal tem 114 clubes filados. Considerando todas as variantes da modalidade com atividade no seio da A. F. Setúbal, futebol de 11, futebol de 7, futsal, futebol de 5 e futebol de praia, masculinos e femininos, foram inscritos cerca de 9400 atletas. Estiveram em atividade 262 árbitros e 555 equipas que disputaram competições distritais. Organizámos na época que está a terminar cerca de 6600 jogos em torneios e campeonatos distritais.
Estiveram em atividade 5 seleções distritais, 1 de futebol de 11, 1 de futebol de 7 feminino, 1 de futsal feminino e 2 de futsal masculino, com resultados muito positivos a nível nacional e com 2 terceiros lugares obtidos a nível nacional.
Estamos também a organizar 4 cursos de treinadores de 1º e 2º nível de futebol e de futsal.
Estes são os números que espelham a atividade da A. F. Setúbal.”
Papel muito importante na promoção da imagem do distrito
Que papel pode ter o futebol na promoção da imagem do distrito?
“Face ao mediatismo que o futebol em particular tem, mas esta situação é extensiva ao desporto em geral, e portanto a outras modalidades, é evidente que a modalidade tem um papel muito importante na promoção da imagem do distrito, e principalmente dos concelhos e das freguesias, fundamentalmente nas competições de carácter nacional, porque quanto mais importante a competição em disputa, maior será essa exposição.
Essa promoção não é apenas conseguida pelos clubes, mas também o pode ser através de eventos desportivos com exposição mediática. Dou como exemplo a final tour da Taça de Portugal de futsal, recentemente disputada em Sines e que obteve uma exposição direta para o Concelho de Sines e indireta para o Distrito de Setúbal muito importante.”
Apoios aos clubes tem vindo a reduzir-se significativamente
A crise tem afetado o desenvolvimento dos clubes e gerado dificuldades?
“Evidentemente que a malfadada crise toca a todos, às famílias, às empresas, ao poder local, e quer direta, quer indiretamente aos clubes. De facto, se no passado as dificuldades com que os clubes se debatiam para desenvolverem as suas atividades, de acordo com os seus planos e com as suas expectativas, já existiam, no presente essas dificuldades são ainda maiores. E são maiores porque os apoios aos clubes por parte do poder local e do tecido empresarial tem vindo a reduzir-se significativamente, assim como a participação dos seus associados nas atividades desenvolvidas.
Portanto, com toda esta envolvente, os dirigentes dos clubes têm sido verdadeiros heróis em se disponibilizarem para assumirem a gestão dos clubes num cenário desta natureza e principalmente por terem conseguido manter os clubes vivos, intervenientes e com atividade, nalguns casos até crescente.
Clubes se substituem ao estado no papel de formação desportiva dos jovens
Qual a importância do Poder Local no desenvolvimento do futebol em diferentes escalões?
“Parece ser lugar comum afirmar-se que os clubes se substituem ao estado no papel de formação desportiva dos jovens, mas não é um lugar comum, mas sim uma constatação e uma realidade cada vez mais presente. A falta de apoios por parte do poder central, possivelmente por não reconhecer o papel desempenhado pelos clubes de base é uma realidade. Neste panorama o papel das autarquias no desenvolvimento do desporto em geral, e do futebol em particular é fundamental, nomeadamente no apoio para as criação ou requalificação de infraestruturas de suporte às modalidades. Mas também o poderá ser através no estabelecimento de planos de desenvolvimento das modalidades, em estreita colaboração com os clubes e as associações distritais, e até mesmo no apoio direto aos técnicos dos clubes, aos exames médicos, aos seguros desportivos, e nas mais variadas rubricas que os clubes necessitam para poderem crescer e desenvolver o seu trabalho. Assim o poder local tenha capacidade financeira para o fazer e permita fazer as escolhas que considerem mais adequadas à sua realidade, em termos da aplicação dos fundos existentes, em função naturalmente de critérios objetivos e do trabalho que os clubes apresentem”.
Contribuir para o crescimento da modalidade
Que dores de cabeça tem um presidente da AFS nos tempos de hoje?
“Não gosto de avaliar a função que desempenho por esse prisma, prefiro antes pensar a forma como a Associação pode contribuir para atingir os seus objetivos de promoção do futebol e do futsal no distrito de Setúbal, de contribuir para o crescimento da modalidade, para o desenvolvimento desportivo e social dos jovens praticantes e da intervenção que é necessário fazer junto das diversas entidades que superintendem o futebol a nível nacional.
Ainda que não se trate de dores de cabeça, não nos podemos esquecer do especifico setor da arbitragem que faz igualmente parte das atribuições da Associações Distritais, que é fundamental para o desenvolvimento da modalidade e que deve ser devidamente acompanhado, não só em termos quantitativos, por forma a que o crescimento do número de praticantes e do número de jogos, possa também ser acompanhado pelo crescimento do número de árbitros. Mas também a nível qualitativo, porque o futebol só pode ser melhor se todos os seus intervenientes também tiverem um melhor desempenho, e a arbitragem não é exceção e na arbitragem o recrutamento, a retenção e a formação contínua é um fator fundamental.”













