Carlos Moreira, presidente da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena«Há problemas de pobreza na freguesia. Daí a nossa prioridade no trabalho social»
A União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, numa área central do concelho do Barreiro, conta com 41.700 habitantes é maior freguesia do concelho.
As Festas da Freguesia estão a decorrer entre 17 e 21 de Junho, no Parque da Cidade.

Por Jornal Rostos
Carlos Moreira, presidente da União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, em entrevista ao jornal «Rostos» refere que o modelo de festas que foi iniciado o ano passado e de novo este anos – “é um modelo para manter enquanto houver esta União de Freguesias, que foi feita à força, e nós tudo faremos para que voltem a existir as três freguesias e as respectivas juntas.
Enquanto não houver essa alteração, que irá ao encontro das justas reivindicações da população, entendemos manter este modelo, umas festas da União de Freguesias, únicas, feitas no Parque da Cidade, que é um núcleo central, no meio das três freguesias ”.
Criar um evento que seja global
“O nosso objectivo é que estas festas não sejam só um espaço de animação, mas que sejam um espaço de cultura, um espaço de recreio, de divertimento para adultos e para as crianças.
Queremos com o envolvimento do Movimento Associativo, de toda a União de Freguesias, assim como com os Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública e com a Paróquia de Santo André, isso significa para nós a envolvência das forças vivas da freguesia, no sentido de criar um evento que seja global e dê a nossa dimensão.”
Verbas transferidas do Poder Central são poucas
Como tem decorrido a actividade numa freguesia de tão grande dimensão?
“Tal como era previsível, de grandes dificuldades, alguns problemas que temos que resolver, nomeadamente a dificuldade que temos em contratar pessoas, esse é o principal problema.
As verbas transferidas do Poder Central são poucas, entendemos que devíamos ter mais para as competências que são próprias da Juntas. Esse é o principal problema da nossa gestão. O que leva a que, por vezes, algumas coisas nãos sejam tão bem feitas como nós desejamos, indo ao encontro das expectativas da população.
Acção Social é a primeira prioridade
Quais as prioridades colocadas no trabalho que tem vindo a ser realizado?
“Nós temos dado prioridade, a três questões: uma são as questões sociais. São para nós muito importantes e apostámos nas Lojas Solidárias. Estão três a funcionar.
Promovemos trabalho em cooperação com IPSS’s, fazendo um trabalho que contribua para dar melhores condições à nossa população mais idosa.
Promovemos passeios, visitas culturais, idas ao teatro, promovemos diversas actividades. Esta é para nós uma das primeiras prioridades.
Outra prioridade é a nossa relação com as Escolas, quer com a manutenção que fazemos, no pré-escolar, jardins de infância e 1º ciclo, este é um eixo central do nosso trabalho.
A terceira prioridade, é o trabalho do dia-a-dia que tem a ver com os serviços públicos que prestamos às populações.
Neste caso, mesmo com as dificuldades existentes, procuramos sempre melhorar os serviços que prestamos”.
Problemas eram resolvidos por três executivos
Quais são os principais problemas que se sentem no quotidiano da freguesia?
“Os principais problemas que enfrentamos, por um lado, conseguir colar o que existia anteriormente, na forma original de trabalhar, que cada anterior junta de freguesia, tinha no seu funcionamento. Recolher essas experiências para o nosso novo modelo de organização e funcionamento, mitigando os problemas que eram resolvidos por três executivos e agora só existe um, o que causa dificuldades”.
Situação social preocupante na freguesia.
Há problemas de pobreza na freguesia?
“Há problemas de pobreza na freguesia. Muitas pessoas se dirigem directamente à junta, daí a nossa prioridade no trabalho social.
Há dificuldades de emprego. Há problemas de pobreza. Há atrasos em salários. Há cortes nas pensões. Há situações que resolvemos com as ajudas solidárias e de colaboração de voluntários.
Sentimos que cada vez há mais pessoas a recorrer a estes apoios e serviços.
Há, de facto, uma situação social preocupante na freguesia, fruto da conjectura actual, há uma pobreza que se nota aos olhos vistos.”
Maior dificuldade acompanhar o Movimento Associativo
Como são as relações com o Movimento Associativo, estão mais complicadas pela dimensão da freguesia?
“Complicar não. Nós temos uma boa relação com o Movimento Associativo. Cria é uma maior distância.
Se, antes tínhamos três pessoas, uma em cada junta, para manter relações com o Movimento Associativo, agora só temos um eleito. Se tínhamos três presidentes, agora temos só um.
Há, portanto, maior dificuldade de acompanhar o Movimento Associativo no sentido de poder colaborar com mais proximidade.
Mas, existe uma boa entreajuda entre a Junta de o Movimento Associativo, de forma a construirmos em conjunto, foi isso que fizemos com a definição dos critérios de apoio ao Movimento Associativo. Criámos em conjunto, em discussão.”
Boa relação com as escolas
E o trabalho com as escolas, com mais escolas numa só freguesia, como é?
“Temos 13 estabelecimentos escolares com 2.500 crianças. Fazemos todo o trabalho que é necessário fazer nas escolas.
E mantemos uma boa relação.”
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