Frederico Rosa, Vereador do Partido Socialista«Barreiro tem que ser olhado com uma estratégia supra partidária»
“Não é o combate politico, é aí, no confronto de visões que podem surgir soluções para o futuro do Barreiro e podemos fazer avançar o Barreiro, é para isso que estou disponível”, sublinha.

Por Jornal Rostos
O autarca numa entrevista ao jornal «Rostos» a propósito do que define como uma “mini remodelação temporária” sublinha que o importante será a “participação permanente nas reuniões de Câmara” e manter, “como tenho feito” o acompanhamento diário da vida autárquica.
“Para mim, pessoalmente, mentiria se não dissesse que, o facto de neste período poder contribuir para servir a cidade, a minha cidade, é algo que me deixa cheio de alegria, e, com a minha intervenção poder contribuir, por muito pouco que seja, para a minha cidade.
O desafio que nos foi proposto não é fácil, até porque vai recair nos meses de agosto e setembro, mas para nós, sendo um desafio, foi assumido, se vamos estar dois meses como vereadores, então, vamos fazer o melhor que podermos, mesmo numa altura difícil de férias.
Neste período vamos apostar em ouvir as pessoas e as instituições e tentar contribuir, de forma mais activa e com alguma visibilidade para conhecermos os problemas do concelho.
O que nos movimenta é podermos trabalhar e contribuir para uma solução de cidade virada para o Século XXI.
Seja por dois meses, seja por um dia, seja por uma hora, seja pelo tempo que for, o nosso objectivo é servir a cidade”.
Contribuir sempre para a construção da cidade
Se este espaço vier a prolongar-se no tempo estaria disponível para aceitar pelouros?
“Essa questão dos pelouros é uma questão que passará sempre pelo Partido Socialista, aliás, como sempre passou.
Para mim, o que é importante, seja exercendo o cargo de vereador de forma pontual, seja como vereador durante dois meses, seja que este tempo se prolongue, o objectivo será contribuir sempre para a construção da cidade.
Digo construção, porque muitas vezes usa-se a expressão ‘combate politico’, mas o combate politico que eu gosto de entender é ajudar a construir uma cidade diferente da actual, uma cidade que seja para toda a gente.
A nível local, não faz sentido, sejam barreirenses de nascença, sejam barreirenses que vieram para cá morar, esta é uma cidade que apaixona quem cá está, e toda a gente quer o melhor para ela, mesmo em pessoas, com visões diferentes do que esta cidade pode ser no futuro.
É nesse confronto de visões, não é o combate politico, é aí, no confronto de visões que podem surgir soluções para o futuro do Barreiro e podemos fazer avançar o Barreiro, é para isso que estou disponível.
A questão de aceitar pelouros, ou não, passa pelo Partido Socialista e pela sua direcção politica.”
Estar acima do aceitar ou não aceitar pelouros
Mas acha bem que os vereadores socialista não queiram aceitar pelouros?
“Essa não é uma questão fácil. Percebo a questão quer de aceitar, que de não aceitar pelouros.
Mas, seja aceitando ou não aceitando pelouros, um vereador não se pode demitir de ajudar a construir a cidade.
O não aceitar pelouros, não pode significar o não estar disponível para dialogar, para a apresentar propostas, ajudar a construir, isso tem que estar acima do aceitar ou não aceitar pelouros.
Compreendo a visão de quem diz que, não ganhando o poder ao nível local, então somos oposição.
Mas, também aceito a opinião de quem diz que tendo recebido a confiança de eleitores, para exercer um mandato, que acrescente na prática algum tipo de funções em prol do município, porque isto é servir a cidade".
Uma cidade cheia de potencial por consolidar
Qual é o olhar de Frederico Rosa para o Barreiro de hoje?
“Sinto que o Barreiro, hoje, é uma cidade cheia de potencial por consolidar, isto é um chavão.
Mas, sinto que o Barreiro tem que ser olhado com uma estratégia supra partidária, se saber aquilo que queremos.
Dar corpo a todos os chavões como - o Barreiro são as pessoas – mas depois, o que vemos, com muitas responsabilidades ao nível do Poder Central e ao nível europeu, que leva a vermos Barreiro a tornar-se uma cidade cada vez mais envelhecida. Uma cidade onde a população jovem já não tem sentimentos âncora para ficar no Barreiro e vai fazer a sua vida para Lisboa e para outros lados.
Por isso, não podemos ficar comodamente, nesta posição, de vermos tudo isto, a saída do nosso capital humano e este envelhecimento, porque isto é determinante para a vida da cidade e todo o seu futuro.
Vejo um Barreiro cheio de potencial, vejo o Barreiro como destino de um potencial turístico grande, turístico não só de captação de pessoas que visitam Lisboa, mas também interconcelhio, mas sempre por concretizar.
Apesar, sinto que há boa vontade de todas as forças politicas para se caminhar nesse sentido, mas é preciso dar passos concretos para lá se chegar e transmitir a sensação que o Barreiro não é uma terra ancorada no passado, mas que é uma terra aberta ao futuro.
Podem parecer visões antagónicas mas eu acho que são complementares".
Plataforma é um espaço para todas as pessoas
O Frederico Rosa é uma das pessoas que integra a «Plataforma 2830». Esta plataforma está ligada ao Partido Socialista?
“Estou ligado à Plataforma. E na Plataforma é um movimento cívico, onde toda a gente, seja qual for a sua cor politica se pode ligar.
Há pessoas de diferentes cores politicas, o que nos une é sermos barreirenses e queremos algo mais para o Barreiro.
Nós sabemos que o Barreiro é uma terra com muitas potencialidades.
Na Plataforma, o nosso partido principal é, tem que ser o Barreiro.
A Plataforma 2830, é a plataforma de todos os que queiram lá estar, não é obviamente uma plataforma partidária é de todos os que queiram lá estar, seja de que partido forem.
Eu faço parte de órgãos sociais de clubes e não é por ser do PS que isso me inibe de participar, antes pelo contrário tenho todo o prazer em participar.
Esta é uma realidade que define o nosso concelho, e a Plataforma é um espaço para todas as pessoas que queiram contribuir para valorizar o concelho.
Um espaço para participar por pessoas que não sentem os partidos como os lugares mais cómodos e por esta via participam.
A participação não se pode limitar à participação nos partidos, quase como sendo ou nos partidos ou nada".
Uma estratégia mais violenta
O Partido Socialista tem desenvolvido uma estratégia correcta na sua intervenção autárquica nos últimos dois anos?
“O Partido Socialista tem seguido a sua estratégia. Nos primeiros dois anos optou por uma estratégia mais violenta, às opções do actual executivo tem tomado.
Espero, e vou fazer por isso também, que nos próximos dois anos adopte uma postura mais assente na construção.
Não faz sentido não haver uma participação politica que seja uma participação para construir.
É muito fácil apontar erros. O difícil é apontar soluções para os corrigir. Estou disponível para encontrar caminhos. É neste papel que pretendo participar.”
Temos direito querer de intervir civicamente
No final de dois meses não vai saber a pouco esta sua participação como vereador permanente?
“Vai saber ao que é, porque seja o tempo que for a nossa participação para a construção da cidade, não pode ficar limitada por estarmos ou não em algum cargo, como cidadãos temos direito querer de intervir civicamente ou politicamente para mudar a cidade.
Por isso, estes dois meses são o que são e mas que olhar para os dois meses, quero intervir todos os dias e continuar a fazer o melhor para transformar a nossa cidade. Isso já o fiz no passado e vou continuar a fazer, mesmo após os dois meses, seja em que cargo for, porque, digam o que disserem o Barreiro é uma paixão.
Para dar força a essa paixão é preciso falar com as pessoas, porque é fácil falar dentro de um Gabinete, o que é preciso é ir falar com as pessoas, ouvir as pessoas e encontrar soluções com as pessoas para o futuro".
S.P.













