Concluir o Plano Director Municipal deve ser a prioridade do Barreiroafirma Joana Branco, vereadora do Partido Socialista
. Presidente da Câmara “no plano politico já está ultrapassado”.
“O território do Barreiro precisa de ser pensado com base em “núcleos incubadores” que contribuam para desenvolver a agregação do território, para além do centro da cidade e apontar estratégias que visam a sua reabilitação”, sublinha Joana Branco, vereadora do Partido Socialista na Câmara Municipal do Barreiro.

Por Jornal Rostos
Joana Branco, no ano de 1987, como muitos barreirenses foi nascer em Lisboa, na Maternidade Alfredo da Costa, mas, como ela afirma: “Sou natural do Barreiro, foi aqui que vivi e cresci”.
Após a conclusão do Ensino Básico e Secundário no Barreiro, ingressou na Faculdade de Arquitetura de Lisboa onde concluiu a respetiva licenciatura. Depois rumou a Paris, onde no âmbito do Programa Erasmus, fez o Mestrado em Planeamento Urbano.
Actualmente exerce a sua actividade profissional na Câmara Municipal de Sintra, participando nos trabalhos de revisão do Plano Director Municipal daquele concelho.
“É uma ida e volta diária que ocupa algumas horas”, refere.
Nas últimas eleições autárquicas foi eleita pelo Partido Socialista como vereadora da Câmara Municipal do Barreiro.
Adesão ao PS por valores
Na redacção do jornal «Rostos» marcámos encontro, uma conversa, ao fim da tarde, após o seu regresso de um dia de trabalho.
“Desculpe o atraso, mas foi um dia cansativo”, disse-nos, mas com um sorriso e a jovialidade que a caracteriza, começámos a trocar opiniões, sem tabus, sobre os acontecimentos da vida que nos marcam, e, também, sobre a política e os políticos.
A autarca salientou que desde jovem sempre se interessou pela politica, o ambiente familiar e os amigos, as conversas e a sua regular participação na vida estudantil fizeram-na aproximar do Partido Socialista – “Foram os valores do PS que mais se aproximaram da minha forma de pensar e ver a vida e o Mundo, por isso decidi aderir no ano de 2009”, refere.
Perguntámos, como aconteceu uma tão rápida ascensão na vida partidária, dado que dois anos após a sua filiação, surge como candidata autárquica.
“Não sei, aconteceu, foram decisões do partido que eu aceitei, talvez tenha sido resultado da minha formação profissional, ou uma certa vontade de renovação no PS Barreiro”, salienta.
Muito critica de tudo aquilo que via na cidade
A conversa com Joana Branco é viva e intensa, a autarca comenta, opina e refere – “sempre tive um sentido critico e uma visão própria das coisas, talvez a minha experiência vivida, em França, durante o programa Erasmus, me tenha despertado para uma forma diferente de olhar para o dia-a-dia. Quando cheguei a Portugal, passei a olhar para as coisas com outro sentimento em relação à realidade. E quando cheguei ao Barreiro passei a ser mais critica do que via pela cidade e me parecia mal que via na cidade”.
As reuniões de Câmara para mim têm sido uma aprendizagem
No decorrer do diálogo referimos: esta Joana Branco que está aqui a conversar não parece a Joana Branco que marca presença nas reuniões de Câmara, onde, digo-lhe com sinceridade de quem observa e acompanha as reuniões, parece estar sempre muito tímida e por vezes insegura.
“Estou a aprender. As reuniões de Câmara para mim têm sido uma aprendizagem. Não é que me sinta insegura, mas, por exemplo, em relação às propostas em discussão nas reuniões de Câmara, por vezes, é difícil estudar as matérias, são entregues muito em cima das reuniões e eu não vivo desta actividade, tenho a minha vida profissional, à qual me dedico a tempo inteiro porque é essa a minha carreira”, comenta Joana Branco.
O presidente não distribuiu pelouros
Então porque não aceitou ter pelouros?
“Porque o presidente não distribuiu pelouros e nunca se chegou à discussão”.
Nem consigo o assunto foi abordado?
“Não.”
Gosto desta equipa de vereadores
Mas concorda com a forma como o PS tem intervindo nas reuniões de Câmara e na vida autárquica?
“O PS tem sempre intervindo. Mas, como lhe disse, há limitações na análise das propostas, pela falta de disponibilização da documentação para a preparação das reuniões de câmara. E, como não temos funções executivas em que se acompanha permanentemente os processos, naturalmente isso exige mais de nós.
Eu, digo-lhe, gosto muito de trabalhar com a actual equipa de vereadores.”
Não gostava dos outros?
“Não é não gostar dos outros. Eu não disse isso. Gosto mais desta forma como se intervém e gosto desta equipa”.
Um político que está desactualizado
Que acha do Presidente da Câmara?
“É um político que está desactualizado. Não tenho nada contra ele, acho que é boa pessoa, mas no plano politico já está ultrapassado. Fala muito do que foi e tem um discurso que não é o da minha geração.”.
Plano Director Municipal é um instrumento central
Sendo formada na área de arquictetura, qual a prioridade para o do Barreiro?
“Em primeiro lugar concluir o Plano Director Municipal, este é um instrumento central para definir a estratégia do nosso desenvolvimento.
O Barreiro precisa de ter uma estratégia que lhe dê uma visão de futuro. Um novo paradigma.
O território do Barreiro precisa de ser pensado com base em “núcleos incubadores” que contribuam para desenvolver a agregação do território, para além do centro da cidade e apontar estratégias que visam a sua reabilitação. Esta, é, na minha opinião, a prioridade para o Barreiro”.
Minha prioridade é a minha vida profissional
No futuro pretende ter intervenção ao nível da politica?
“No curto médio prazos, a minha prioridade é a minha carreira profissional. Não digo que não gostaria de intervir mais na vida politica. É uma possibilidade que deixo em aberto e tudo o que faço e aprendo é, sem dúvida, um importante contributo para a minha aprendizagem para a intervenção política.
Não coloco isso como objectivo imediato – ser política – mas não é uma ideia que coloque de lado ou me desagrade. Assim haja oportunidade de participar numa equipa com um projeto com que me identifique no seio do PS. E que me queiram lá, naturalmente.
Gosto do Barreiro
Trabalhando em Sintra e vivendo no Barreiro, pensa continuar a viver por cá?
“Não sei. Gosto do Barreiro. Mas o Barreiro precisa de criar condições para que os jovens queiram cá ficar cá. Há muito chavões sobre potencialidades do Barreiro, mas pouco se faz para valorizar efetivamente, no terreno, a suas potencialidades”.
Fomos conversando. As conversas são como as cerejas. E no meio de toda a troca de palavras, Joana Branco, exprimia os seus sentimentos de forma franca e aberta.
“Os mais velhos falam dos jovens e estão sempre muito presos a ideias feitas e coisas do passado. Os jovens estão mais voltados para o futuro – não querendo criar nenhum conflito geracional.”, comentava.
O Barreiro tem duas barreiras
Despedimo-nos com a promessa de um dia voltarmos a conversar, de forma mais metódica sobre o Barreiro, seu desenvolvimento e problemas estruturantes e urbanos.
“O Barreiro tem duas barreiras. Uma delas é o rio, é por isso que não se explica de forma simples, a cidades de duas margens, porque o rio é uma barreira. Outra é o território pós-industrial (ou antiga CUF). O Barreiro tem que ser visto para além dessas barreiras”, sublinhava.
Fica, então, o desafio, havemos de ter uma conversa só para falarmos consigo e a sua visão do Barreiro enquanto Arquitecta e Política.
Vive-se muito do passado
Ou acha que o planeamento pode ser abordado só com uma visão técnica e sem a visão uma politica?
“Claro que não, uma visão politica é indispensável para se estruturar e definir uma visão técnica e uma estratégia. O que acho é que hoje não há estratégia, vive-se muito através do passado.”, comentou.
Ficamos por aqui…voltaremos a conversar.
S.P.













