Regina Janeiro, vereadora da Câmara Municipal do Barreiro«A cidade vive para além da Câmara»
“Não é papel da Câmara dizer que isto é bom e aquilo é mau. A Câmara não tem que ser o centro de tudo, tem que ouvir e apoiar as diversas sensibilidades”, disse a autarca.

Por Jornal Rostos
Regina Janeiro, vereadora da Câmara Municipal do Barreiro, é responsável área de desenvolvimento Sóciocultural, em conversa com o jornal «Rostos», após cerca de 10 anos com esta responsabilidade politica não sente o peso do tempo - “nem considero que já passaram 10 anos”.
Assume que – “um cargo politico não é uma profissão”, apontando como objectivo da sua actividade quotidiana – “trabalhar para as pessoas e isso nunca se alterou ao longo do tempo”.
Refere que a sua área de trabalho tem uma grande “carga política” e “uma responsabilidade no desenvolvimento da vida democrática”.
Considera que é essencial em cada ano “fazer algo de novo na programação, porque entrar na rotina e monotonia é a pior coisa que se pode fazer”.
Fazer o mesmo trabalho com menos recursos
“Nestes dez anos mudou muita coisa no mundo e no país, nos dias de hoje vivemos dos tempos mais complicados após o 25 de Abril.
Hoje, temos que fazer o mesmo trabalho com menos recursos, procuramos desenvolver projectos, apostando no custo zero, com apoios em parcerias e nos nossos recursos.
Reduzimos os subsídios ao Movimento Associativo, foram conversas dolorosas para encontrar entendimentos, mas solidificamos relações, foram momentos de encontro muito duros, mas, como resultado somos mais independentes uns dos outros”, sublinha a autarca.
Nenhuma cidade pode fugir da sua história
Regina Janeiro, considera que a cultura tem um papel fundamental na vida do Barreiro, uma terra – “com uma história e nenhuma cidade pode fugir da sua história, uma história que não começou na fábrica, nem começou na CUF”, comenta a autarca.
“O Barreiro é uma terra que se encontra nos rios, que integra a Área Metropolitana de Lisboa e a Península de Setúbal, nas suas dinâmicas culturais tem que investir em públicos novos, promovendo iniciativas com sucesso para se afirmar na região”, afirma.
Como exemplos referiu o Festival OUT.FEST, o Barreiro Rocks, eventos que, salientou – “não são organizados pela Câmara, e é isso que a Câmara deve fazer, deixar que as coisas aconteçam, que estas coisas andem, não nos incomoda que sejam outros a fazer, o importante é que nessas iniciativas o nosso dna do Barreiro está lá, o papel da Câmara é valorizar e promover estas actividades e outras”.
“Não é papel da Câmara dizer que isto é bom e aquilo é mau. A Câmara não tem que ser o centro de tudo, tem que ouvir e apoiar as diversas sensibilidades”, disse.
A cidade vive para além da Câmara
A autarca sublinha que nas relações com os diversos agentes culturais e com o Movimento Associativo o importante é que – “existam regras de transparência, que existam critérios, que disponibilizemos equipamentos, que se envolvam mais na dinamização de actividades, contando com a cooperação de todos, porque, sendo todos, nós fazemos mais”.
Neste contexto salientou as iniciativas que se desenvolvem em torno da Escola Conde Ferreira e o projecto da ADAO – Associação de Desenvolvimento de Artes e Oficios.
“A cidade vive para além da Câmara”, afirmou.
Trabalho com todos
Na nossa conversa questionamos se, por vezes, as actividades, ou as perspectivas do trabalho cultural da autarquia, não são marcados por uma visão ideológica.
“A ideologia existe na vida, não tenho uma visão do fim das ideologias. Sou eleita por um partido, fui eleita com um programa politico de um partido. Não vejo qualquer mal que exista uma relação do trabalho desenvolvido com os objectivos do programa que o partido apresentou ao eleitorado.
Eu trabalho com todos e cada um terá o seu partido e opções ideológicas, mas nunca perguntei a ninguém qual é o seu partido, nem isso me interessa. O importante é que as pessoas sejam responsáveis.
Não podemos esquecer que o Barreiro deu um contributo fundamental na construção do 25 de Abril e na conquista da democracia”, sublinhou.
Um património que deve potenciar
“O Barreiro tem um legado e um património que deve potenciar, os Caminhos de Ferro, uma coisa única e nossa, a arqueologia industrial, os espaços como Alburrica, temos que preservar muito do nosso edificado industrial e ao nível do território. Temos um valor imenso, que pode ser uma mais valia para o desenvolvimento do turismo cultural.
Na nossa visão de cidade temos que, ao nível da promoção turística, valorizar o edificado, mas, também valorizar as pessoas e o papel das pessoas na construção do Barreiro. Temos muitos nomes de referência na nossa história, como disse, somos uma terra com história.”, salientou Regina Janeiro.
Viver com intensidade
Uma conversa que só agora editamos, um encontro que foi muito para além do espelhado neste texto, em trocas de opiniões e comentários.
Regina Janeiro, licenciada em Psicologia, vive a sua actividade de autarca com grande intensidade, num mundo extenso, que vai de questões sociais, saúde, educação, juventude, desporto, áreas que ficaram em aberto para outras conversas.
Sentimos a forma apaixonada como fala de projectos, a energia que coloca no querer fazer e a impotência pela falta de recursos.
Recorda que integra uma equipa desde 2005, liderada por Carlos Humberto, que considera – “um exemplo de vida, um autarca que faz muito pela CDU, e, também, muito pelo Barreiro”.













