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Perspectivas

Fernando Manuel «o cantor romântico»«Um dos meus sonhos era um dia cantar nas Festas da Moita»

. Concertos dos Açores à Alemanha, ou por terras de Portugal

“O público aplaudiu, começou a aplaudir ao meio das canções. As luzes do Coliseu acenderam. Entrei em pânico. Via o público a aplaudir. Nem sabia que fazer”, recorda, assim, o dia que marcou o arranque para sua vida artística.

O Maestro fazia-me sinal para continuar – “estás a fazer um êxito”.

4 min de leitura
Fernando Manuel «o cantor romântico» «Um dos meus sonhos era um dia cantar nas Festas da Moita»

Por Jornal Rostos

Fernando Manuel, nasceu em 1 de Novembro de 1955, na Baixa da Banheira, concelho da Moita, seu pai oriundo de Castelo Branco, trabalhou na CUF, assim como sua mãe, de Cantanhede, trabalhou nos Tecidos da CUF e mais tarde no Hospital do Lumiar, em Lisboa.

Só começou a ver aos 4 anos

Fernando Manuel, nasceu cego e só começou a ver aos 4 anos, após sucessivas operações e próteses.
Não frequentou a escola oficial, mas na Baixa da Banheira, naquele tempo, muitos aprenderam a ler e a contar na “Escola do Marreco” – no nº 25 da Estrada Nacional.

Eu queria era cantar

Desde menino e moço frequentou o Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira. Ali, nos bailes, com Conjuntos que fazem parte da história e da memória colectiva – Lua Azul, 6 Latinos, Holiday, Jacinto Lopes ou os Blues Star.
Cantar era a sua grande paixão. Pelos seus 14 ou 15 anos vivia esse sentimento com grande entusiasmo.
“Sempre gostei de cantar e no Ginásio, nos bailes, ia para o palco, pegava no microfone e cantava”, refere Fernando Manuel.
E quando estava no palco, não desistia, apesar de comentários que guardou na sua memória: “Sai daí olho de vidro!|”, ou, “Sai daí zarolho!”.
“Nunca liguei a isso, era gozado mas nunca liguei a isso. Eu queria era cantar”, sublinha.

Coliseu acendeu as luzes

Começou a trabalhar na Loja do Senhor Abel, na Rua Vasco da Gama, no Barreiro. No dia 25 de Abril contava 19 anos. Lembra os dias da ditadura e os dias da Liberdade.
O dia que não esquece foi quando, num espectáculo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, pediu, voltou a pedir que o deixassem cantar. Tanto insistiu que deram-lhe essa oportunidade.
Recorda que o Maestro Jorge Machado, que dirigia a orquestra, lhe disse se começasse a ser apupado, interrompia de imediato.
“O público aplaudiu, começou a aplaudir ao meio das canções. As luzes do Coliseu acenderam. Entrei em pânico. Via o público a aplaudir. Nem sabia que fazer”, recorda.
O Maestro fazia-me sinal para continuar – “estás a fazer um êxito”.
No final disse-me que as luzes no Coliseu só acendiam “para as grandes vedetas”.
“Nunca vou esquecer acenderam três quartos da sala. O público pediu-me e tive que cantar mais duas canções ”, refere.

Primeiro trabalho em disco vinil

Fernando Manuel está emocionado ao reviver estas memórias. Foi o seu momento de partida para uma carreira artística.
“Nesse ano fui convidado para cantar no Congresso do PSD. Pagaram-me 15 contos. Foi o meu primeiro cachet”, salienta.
Tirou a Carteira Profissional de Cançonetista, Editou o seu primeiro trabalho em disco vinil, depois editou uma cassete e por fim CD’s. Nestes inseriu temas originais, nomeadamente de Carlos Camarão e João Camarão.
“O Maestro José Orlando tem sido um grande apoio, a par do Carlos Camarão, eles são os meus pais da vida artística”, sublinha.

Sou um cantor romântico

No dia 9 de Abril de 2016, lança o seu 5º CD, com o título ´«Amor com amor se canta», num espectáculo agendado para o Forum José Manuel Figueiredo, do ciclo «Os nossos autores”. As entradas são gratuitas.
“Sou um cantor romântico. Tenho muita gente que gosta de mim e naturalmente, também há gente que não gosta”, refere.
Fernando Manuel actualmente vive em Vila Nova der Gaia, mas a Baixa da Banheira, está no seu coração.
“Quando piso o chão da Baixa da Banheira a minha. respiração fica diferente. Esta é mesmo uma terra singular”, salienta.
Fernando Manuel agradece o apoio que recebeu da Câmara Municipal da Moita e da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, para concretizar o seu sonho de editar o novo CD.

Pelos Açores e Alemanha

Em Junho lá vai realizar diversos espectaculos nos Açores, no Pico e na Terceira – “sinto um chamamento quando piso o chão dos Açores. Trabalho muito naquelas ilhas, na Alemanha – lá estarei em Maio - e por muitas terras de Portugal.”

Cantar nas festas da minha terra

A encerrar a nossa conversa comenta – “um dos meus sonhos era um dia cantar nas Festas da Moita, nem que seja num palco suplementar. É esse sonho de realizar um concerto nas festas do meu concelho, da minha terra”.

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