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Perspectivas

Nancy Vieira de Cabo Verde para o BarreiroPercorre o mundo a cantar com a saudade das mornas na bagagem

. Esta noite no Parque da Cidade pelas 22 horas

“Vivo no Barreiro há 22 anos. Fui-me tornando barreirense e estou cada vez mais integrada nesta terra. Vivo no Alto do Seixalinho. As pessoas conhecem-me, costumam ver-me na televisão e comentam, mas nunca me viram cantar ao vivo ”, sublinha numa conversa com o jornal «Rostos».

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Nancy Vieira de Cabo Verde para o Barreiro Percorre o mundo a cantar com a saudade das mornas na bagagem

Por Jornal Rostos

Marcámos a nossa conversa na Avenida da Praia, ao fim da tarde, com o sol a descer lá para os lados do Atlântico.
Nancy Vieira chegou com um enorme sorriso nos seus olhos. Tinha acabado de chegar de Itália, onde marcou presença no Festival Étnica, em Vicchio, um importante evento internacional que reúne artistas convidados, de vários pontos do mundo, para divulgar a música tradicional.
Nancy Vieira foi a voz que levou as mornas, os sons do Atlântico, das Ilhas de Cabo Verde.

De Cabo Verde para o Barreiro

Nasceu na Guiné Bissau, mas a sua família é da cidade da Praia, em Cabo Verde, é aí que estão as suas raízes – “na minha família há uma grande tradição musical, não há músicos profissionais, mas, desde criança sempre ouvi música”, refere.
“Sabe, em Cabo Verde todos tocam, todos cantam”, diz com um sorriso.

Fui-me tornando barreirense

Tinha 14 anos quando veio para Portugal, primeiro viveu em Lisboa, no Restelo e em Campo de Ourique, depois rumou ao Barreiro.
“Vivo no Barreiro há 22 anos. Fui-me tornando barreirense e estou cada vez mais integrada nesta terra. Vivo no Alto do Seixalinho. As pessoas conhecem-me, costumam ver-me na televisão e comentam, mas nunca me viram cantar ao vivo ”, sublinha.
Nancy tem uma filha de 18 anos – Miryam - também barreirense – “nasceu aqui no Hospital do Barreiro”.

O Tejo transmite a saudade de Cabo Verde

“Gosto muito de viver no Barreiro. O meu país e Cabo Verde, o meu coração é de Cabo Verde, mas, quando estou em viagem pelo mundo, quando penso voltar para casa, é no Barreiro que eu penso. Afinal, eu não tenho a minha casa em Cabo Verde, tenho a minha casa no Barreiro”, sublinha.
Num comentário, refere que adora a Avenida da Praia e o Tejo, porque lhe transmite a saudade de Cabo Verde e escuta os sons de uma morna nas suas ondas.
“Adoro a Avenida da Praia”, sublinha, com um grande sorriso e a felicidade cantando nos seus olhos brilhantes.

Prémio no Concurso de Descoberta de Novos Valores

Nancy Vieira, é licenciada em Sociologia, antes frequentou a área de Gestão de Empresas.
Recorda que quando frequentava a universidade, no ISCTE, foi convidada, por brincadeira, para acompanhar um amigo num Concurso.
“Ele desafiou-me a cantar e fui concorrente”, refere.
E, nesse ano de 1994, uma brincadeira, marcou a sua vida, ao vencer esse Concurso de Descoberta de Novos Valores.
No ano de 1995 editou o seu primeiro CD, que foi o prémio da vitória conquistada – “um trabalho com ornas e música tradicional de Cabo Verde”.
“Eu era estudante e continuei, não entrei para o mundo profissional da música”, sublinha.
Vivia no Barreiro e estudava em Lisboa – “recordo esse dia-a-dia de transportes nos autocarros do Barreiro e no barco”, refere.

Nunca me imaginei num palco

Depois, foi editado um segundo CD e um terceiro – “fui gostando, fui ganhando gosto e senti que tinha a paixão pela música”.
“Sabe, nunca me imaginei num palco e com aquelas luzes, mas fui crescendo, descobri que as pessoas gostavam de me ouvir cantar e ficavam felizes, e, eu ficava feliz por cantar”, sublinha Nancy Vieira.
Uma voz que canta e encanta, tem espectaculos com regularidade em Lisboa e em diversos pontos do país, percorrer diversos países no mundo, é uma embaixatriz das mornas e do canto tradicional de Cabo Verde.

Cantar para os meus vizinhos e amigos

“No Barreiro já cantei. Há muitos anos, numas festas. Não recordo muito as datas. Eu vivo intensamente e não registo as datas”, salienta.
“Estar nas Festas do Parque da Cidade é a oportunidade de cantar para os meus vizinhos e amigos”, refere com um grande sorriso.
Salienta que o espectáculo será uma retrospectiva – “vou cantar temas que não me canso de cantar e vou cantar temas que vão estar no meu novo disco. Vou visitar a minha carreira”.

O fado e a morna são irmãos

Na conversa sublinha as influências que bebeu de dois nomes importantes na música de Cabo Verde – Cesária Évora e Bana – “dois nomes que inspiram em muitas vertentes”.
Refere que nas suas mornas e músicas – “há temas de alerta para aspectos da vida social, mas não digo que canto música de intervenção. As mornas de Cabo Verde, são como o fado, cantam a saudade e temas muito parecidos com os do fado. O fado e a morna são irmãos, são melodias muito próximas”.

Cansaço é compensado pelo público

Nancy Vieira, percorre o mundo a cantar, leva a saudade das mornas na bagagem. Canta em crioulo e sente que o público fica emocionado – “mesmo quando não percebe, emociona-se e diverte-se, isso, para quem gosta de cantar é tudo”.
“É uma vida cansativa, mas todo esse cansaço é compensado pelo público, pelo carinho que vou recebendo do público, Isso é muito gratificante.”, refere.
Que sente quando canta? – perguntámos.
“Não sei explicar. Já me perguntaram isso várias vezes, até a Catarina Furtado numa entrevista na televisão. Não sei. Sinto prazer. Sinto o encontro com aquilo que sou e gosto de viver”.

Hoje à noite no Parque da Cidade

Foi uma conversa, ao fim da tarde, na Avenida da Praia com Nancy Vieira, uma voz de Cabo Verde que adoptou o Barreiro como sua terra – “tenho a minha casa no Barreiro”.
Hoje à noite, no Parque da Cidade, nas Festas do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, como ela disse ao «Rostos», sorrindo – “vou cantar para os meus vizinhos e amigos”.

S.P.

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