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Perspectivas

Barreiro - Uma viagem pela obra de André LetriaA Foxy e Meg continuam presentes na memória de pais e filhos

Até ao próximo dia 21 de Maio está patente ao público, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, uma exposição de André Letria, tendo como tema «Vaga Mente», que junta ilustrações de origens e de períodos diversos que permitem viajar pela vida criativa do ilustrador.

“As pessoas, felizmente, continuam a comprar livros para os miúdos e, nós, notamos que existe uma geração de pais, com crianças dos 6 aos 10 anos, que está muito atenta aos livros de qualidade”, salienta André Letria.

6 min de leitura
Barreiro - Uma viagem pela obra de André Letria A Foxy e Meg continuam presentes na memória de pais e filhos

Por Jornal Rostos

André Letria, é natural de Lisboa, tem 43 anos e assume – “sou do Benfica”. Já conhecia o Barreiro, marcou presença na Ilustrarte e, mesmo antes desse evento realizou uma exposição na Biblioteca Municipal do Barreiro.
Os seus trabalhos estão até dia 21 de Maio no Auditório Municipal Augusto Cabrita. Não perca esta oportunidade.
No decorrer da exposição alunos das escolas do ensino básico vão visitar e conversar sobre os livros e o autor.
Enquanto, estávamos por ali, escutámos, uma professora do Ensino Básico, da Escola Laura Seixa, a dialogar com André Letria – “Queria pedir-lhe um autógrafo. Sou sua fã. Estou a trabalhar na minha aula os seus livros”.

Foi um convite assustador

Após uma visita à exposição e nos deliciarmos com os trabalhos de André Letria, em breve conversa com o jornal «Rostos», o ilustrador referiu que a convite da Câmara Municipal do Barreiro, foi-lhe proporcionado o espaço do AMAC – “para preencher como eu quisesse”.
Refere que – “foi um convite assustador, eu já conhecia o auditório de outras exposições que fiz cá há alguns anos, mas que eram relacionadas com lançamentos de livros e portanto mais especificas”.
“De repente estar assim, com este espaço tão aberto e disponível só para mim tornou-se assustador ao inicio, não só pela área a preencher, mas pelo que isso implicava, até de esforço de recuperação de trabalhos antigos”, sublinha.

Uma viagem por 20 anos de ilustrações

“O que nós vemos nesta exposição é um conjunto de trabalhos que têm muitos anos, a maior parte deles, de livros que já estão esgotados e não têm reedições.
Não foi fácil fazer esta recolha e pensar sobre o que devia ser apresentado, ou não”, refere André Letria.
“Aqui na exposição estão uma série de trabalhos que abrangem, períodos que vão de acerca de 20 anos, até hoje, e que passam por uma área de trabalho de ilustração editorial para jornais e para revistas, de publicações como «Público», outras de publicações que já não existem. O conjunto mostra uma diversidade de trabalho que existia neste panorama editorial, que não se vê hoje, para além disso existem muitas ilustrações de livros, que é, no fundo, a minha actividade principal, como ilustrador de livros infanto-juvenis.
Essa é a área que ocupa a maior parte de exposição, até a uma área de ilustração para livros que tem a característica de serem livros de uma editora a Pato Lógico, que criei em 2010, que é a fonte prioritária do meu trabalho hoje em dia, aqui, neste espaço, estão as edições mais recentes.
Existem outras peças gráficas, cartazes com ilustrações minhas. A exposição dá um panorama geral do trabalho que tenho feito”

Aposta no trabalho dos ilustradores portugueses

Como é a vida de um ilustrador, hoje, em Portugal? – perguntámos.
“A vida de um ilustrador, hoje, é muito mais fácil que era no tempo que eu comecei, as coisas felizmente, mudaram para melhor, e, mesmo o facto de existir um número muito grande de ilustradores a trabalhar , que felizmente conseguem dedicar-se quase exclusivamente, só à ilustração. Apesar dessa concorrência, ela é saudável, e faz com que nós tenhamos esta necessidade de nos aperfeiçoarmos cada vez mais.
Faz que haja uma comunidade que trabalha, felizmente, com contacto muito próximo, e que nos obriga a elevar o nível constantemente, isso faz, que a ilustração em Portugal, seja vista lá fora, com qualidade e de dimensão mundial, tendo esse reconhecimento em Portugal.
Notamos que há essa perspectiva em relação a nós, ilustradores portugueses, o que está provado pelos trabalhos que os ilustradores vão fazendo, para jornais muito conceituados como o New York Times, até mesmo para editoras de referência ao nível mundial.
Trabalhar hoje, como ilustrador, é mais fácil porque há mais encomendas, o que significa que as editoras têm noção que vale a pena fazer a aposta no trabalho dos ilustradores portugueses.
Ainda há uma outra vantagem que se pode tirar daqui, com uma boa visão, que os livros para crianças, provavelmente são dos sectores editoriais, com maior sucesso. As pessoas, felizmente, continuam a comprar livros para os miúdos e, nós, notamos que existe uma geração de pais, com crianças dos 6 aos 10 anos, que está muito atenta aos livros de qualidade”.

Foxy e Meg na memória de pais e filhos

André Letria, na nossa conversa, recordou duas personagens que criou que o marcaram e marcaram gerações.
“A Foxy (raposa) e Meg (galinha), são personagens criadas para uma editora que já não existe, elas não tiveram uma vida muito longa, mas como foram criadas para uma colecção de livros de crianças pequeninas, de crianças que não sabem ler, sendo livros que serviam para tomar contactos com primeiros conceitos, com primeiras palavras, temas como a «Quinta», os «Opostos», as «férias».
Eram personagens curiosas, pelas características particulares delas, uma galinha e uma raposa que são amigas e invertem a ideia tradicional da inimizade, que acontece na vida real entre elas, mas, nos livros vivem de outra forma.
Esta colecção não é muito comum no nosso panorama editorial, dedicados a um público que não e muito trabalhado pelas editoras portuguesas, e, infelizmente, deixou de ter continuidade em formato de livro, mas transforam-se numa série de animação e acabaram por ir sobrevivendo, ao fim da editora, e, pelos vistos, deixaram marcas, há muitas pessoas que se lembram delas, pois os seus filhos foram crescendo com essa companhia”.

Uma sequência natural das coisas
Como descobriu o mundo da ilustração?
“Foi graças ao meu pai, o escritor José Jorge Letria, grande parte da obra dele é dedicada a livros para crianças. Como fui seguindo o meu percurso de estudante direcionado para a artes, acabei por entrar na Faculdade de Belas Artes, para tirar o curso de pintura, até lá chegar, sempre soube que era uma área relacionada com este tipo de trabalho que eu queria seguir, não sabia o que era ser ilustrador, mas foi uma sequência natural das coisas começar a trabalhar, como ilustrador para um livro que meu pai escreveu, começou como uma experiência. Foi um risco que se correu, mas foi a ordem natural das coisas. Foi como me inicie nestas lides, embora trabalhasse como paginador do JL – Jornal de Letras e já fazia ilustração de alguns contos, que escritores publicavam regularmente no jornal.”

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