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Perspectivas

José Figueiredo, Bombeiros Voluntários do Barreiro«A minha maior alegria é estar a comandar este corpo de bombeiros»

“Para ser bombeiro é preciso aprender a viver assim, precisamos de aprender a viver com as angústias das outras pessoas, que não são as nossas”, sublinha José Figueiredo, Comandante dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública.

“Temos que fazer, sempre, a avaliação de todos os processos das operações. Insisto sempre nisso. É preciso ter sempre capacidade de melhorar", sublinha.

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José Figueiredo, Bombeiros Voluntários do Barreiro «A minha maior alegria é estar a comandar este corpo de bombeiros»

Por Jornal Rostos

José Figueiredo, nasceu no Bairro das Palmeiras, no dia 29 de Maio de 1969, filho de trabalhador da CUF, viveu a infância na Quinta da Lomba, onde começou a sua formação na Escola do Ensino Primário.
Posteriormente foi residir para os prédios que marcavam o desenvolvimento do Barreiro, na Rua Miguel Bombarda, na altura frente ao Hospital do Barreiro, hoje Santa Casa da Misericórdia.
A mudança de residência motivou mudança de escola e foi frequentar a Escola do Ensino Primário na Rua Vicente França, seguiu-se a Escola Mendonça Furtado.

Nos bombeiros um percurso familiar

Aos 13 anos já vivia o quotidiano dos bombeiros, seguindo o percurso do seu pai – Manuel Figueiredo – no antigo Quartel do Corpo de Salvação Pública, na Rua Almirante Reis.
“Eu desde novo vivi o espirito do bombeiros. Ia a pé de casa para o Quartel. Eram tempos diferentes”, salienta.
“O meu pai e meu avô estiveram na construção daquela escada, no antigo quartel, de acesso ao edifício, foi feita com madeira que veio das árvores que existiram na Avenida Alfredo da Silva”, refere.

A vida profissional

Ainda frequentou a escola Alfredo da Silva, mas deixou a escola aos 14 anos, para iniciar a sua actividade profissional, numa Pastelaria, na Avenida Santa Maria.
Recorda a Feira que se realizava no largo de Santa Maria, a BARRIND que pela primeira vez foi ali que decorreu, momentos que evoca porque, na época, já exercia a sua vida profissional na Cervejaria de Santa Maria.
Sublinha que aos 17 anos, para além da sua actividade profissional no comércio, desempenhava funções nas discotecas que começaram a nascer no concelho, nomeadamente na SDUB «Os Franceses» - “na altura existiam duas discoteca no Barreiro, Os franceses e o Luso».
“Nunca deixei de ser bombeiro”, sublinha.

Em missão na Bósnia

Seguiu-se a vida militar. Entrou para o Corpo de Paraquedistas. “Era serviço militar obrigatório. Neste período a actividade de bombeiro esteve interrompida”, recorda.
Após cumprir o serviço militar obrigatório voltou à sua regular actividade profissional – no aeroporto de Lisboa, no Clube de Vela do Barreiro e, posteriormente, nos anos 90, ingressou no Corpo de Bombeiros da Autoeuropa.
E, de novo respondeu à chamada e regressou á vida militar e, no ano de 1996, já estava na sua primeira missão na Bósnia.

Estive sempre na Emergência Médica

Após o serviço militar regressa aos Bombeiros Voluntários do Barreiro, era, então o Comandante Bucho que liderava a corporação, e, no Comando do Adjunto Pires, passa a integrar como funcionário o Corpo Activo da Corporação, em Abril de 1999.
“Comecei o meu trabalho, no antigo quartel, com a viatura INEM. Estive sempre na Emergência Médica. Fiz a minha progressão na carreira dos bombeiros, com todas as formações de Bombeiro de 2ª a 1º, até Sub Chefe, e tive responsabilidades na organização do socorro pré- hospitalar”, recorda.

Para ser bombeiro é preciso sentir

“Fiz a inauguração do novo quartel em 2004, e, na altura, já integrava o Comando. Inauguramos em Agosto e em Outubro assumiu um novo Comando. Era Comandante Domingos Coelho. Eu assumi o cargo de Adjunto”, refere.
Em 2009 assume o cargo de Comandante, função que está a exercer há cerca de dez anos – “estou na segunda Comissão de serviço”.
“A experiência da vida de bombeiro, é preciso sentir, costuma-se dizer, que é preciso gostar para fazermos alguma coisa, na verdade, para sermos bombeiros deixamos, em grande parte das vezes, a nossa família em casa sozinha”, recorda.
“No dia do casamento da minha irmã, ouvi ela dar o sim, fui para um incêndio e depois voltei para o casamento”, sublinha.
José Figueiredo é casado – “tenho duas filhas lindas” – a Alice, com 14 anos e a Eva com 13 anos.

Sentirmos a impotência não é fácil

“Para ser bombeiro é preciso aprender a viver assim, precisamos de aprender a viver com as angústias das outras pessoas, que não são as nossas.
Nós temos que ser sinceros, porque todos sabemos que os bombeiros quando são chamados é porque, na prática, já não há outra solução. Por isso, grande parte das operações se formos claros são insucessos, da nossa parte, porque não conseguimos fazer muito perante as situações. Por muito trabalho que seja feito, por muitas manobras, por muito esforço das equipas, grande parte das operações resultam em insucesso na recuperação da vida. No terrenos fazemos tudo e mais alguma coisa, mas, muitas vezes, temos que fechar barreiras, salvar uns e prejudicar outros. É uma angústia com a qual temos que viver. Isto não é fácil. Sentirmos a impotência face ao que não depende da acção operacional, nem de nós ”, salienta.
“Só temos bombeiros em condições se estão estáveis na sua casa e na sua vida familiar, porque nestas angústias são as famílias que aguentam e nos ajudam”, sublinha José Figueiredo.

Marcou-me, foi duro e difícil.

Das recordações que guarda na sua actividade, uma situação que o marcou foi ter que tomar a decisão de parar umas manobras de reanimação numa criança, num acidente grave na EN 10, que envolveu doze vitimas – “isso marcou-me, foi duro e difícil”.
“Nós temos a missão de manter a vida, mas por vezes este objectivo não se consegue atingir e temos que decidir”, recorda.
Ao longo da vida de bombeiros, vamos subindo e vamos assumindo novos níveis de responsabilidades, em cada nível, disse, avaliamos os processos anteriores de maneira diferente.
“No topo, no cargo de comandante, há uma coisa que temos que fazer, de vez em quando, sair do cargo de comandante, e vir até cá baixo para percebermos as coisas. Senão o fizermos, de certeza absoluta, perdemos o sentido e o que se pretende disto tudo”, sublinha.

Há sempre alguma coisa que podemos melhorar

“Temos que fazer, sempre, a avaliação de todos os processos das operações. Insisto sempre nisso. É preciso ter sempre capacidade de melhorar. A operação pode correr bem, mas, de certeza absoluta há sempre alguma coisa que podemos melhorar”, afirma.
“Os nossos bombeiros trabalham muito bem, esforçam-se no terreno, mas, no final, temos que ter sempre a capacidade de rever toda a operação, e, serem eles o próprios a verificar se há processos a melhorar ou não”, refere.

São momentos que ficam marcados

José Figueiredo recorda que nesta sua vida de bombeiro os momentos de maior alegria foram – “os três ou quatro partos que já fiz. É muito giro. São momentos que ficam marcados. São aqueles momentos que sentimos como é válida a nossa missão.”
“A minha maior alegria é estar a comandar este corpo de bombeiros”, afirma, acrescentando – “retirando as minhas alegrias familiares, como o nascimento das minhas filhas, porque a família é muito importante para gerir todos os equilíbrios, e, por vezes não é fácil”.
José Figueiredo, continua a sonhar e a trabalhar, agora, está apostado na conclusão da sua licenciatura ao nível da Protecção Civil, para tal está matriculado e a frequentar o ensino superior.

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