João Vaz de Carvalho, pintor e ilustradorILUSTRARTE, uma referência para a ilustração e literatura infantil

Por Jornal Rostos
Pintor autodidacta que vê em cada desenho que esboça uma aventura, onde “nunca se sabe o que vai acontecer”. A inspiração irrompe e as ideias transfiguram-se na tela ou no papel, consoante o trabalho que está a realizar, mas porque diz: “Não visto um fato diferente quando estou a ilustrar ou a pintar”, para João Vaz de Carvalho a linguagem que utiliza é a mesma e advoga: “Nunca está subjacente a ideia de que estou a ilustrar para crianças”. Vencedor da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005, fala desse prémio com “uma satisfação muito grande” que diz ter permitido uma maior divulgação do seu trabalho e, nesse sentido, considera a ILUSTRARTE: “Uma referência para a ilustração e para o livro infantil”.
“O prémio tem um significado muito superior a qualquer colaboração que possa ter existido, ou não, com esta ou aquela editora”
Desde diversas colaborações em revistas, de um sem número de exposições, de livros publicados, de trabalhos de pintura e ilustração, João Vaz de Carvalho, de 49 anos, reúne já mais de duas décadas de “labuta” na arte da paleta, tendo em 2005 arrecadado o prémio da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância. Uma consagração que diz ter-lhe trazido uma “satisfação muito grande”, que criou um maior enfoque sobre o seu trabalho, ao que comenta: “as pessoas começaram a ficar mais atentas”. Mas essa atenção diz não ter passado muito pelas editoras nacionais, sublinhando que tem trabalhado mais com editoras espanholas e afirma: “O prémio tem um significado muito superior a qualquer colaboração que possa ter existido, ou não, com esta ou aquela editora”. A nível internacional conta que houve uma maior solicitação para participar em eventos e exposições e faz menção aos trabalhos que diz ter acabado de enviar para o Irão, o que o faz proferir: “daqui tem-se uma ideia do alcance que têm estes prémios, que quebram as fronteiras.”
ILUSTRARTE – “Uma referência para a ilustração e livro infantil”
Do projecto cultural ILUSTRARTE entende que trouxe uma grande divulgação não só da ilustração, como também da literatura para a infância, o que o leva a considerá-lo: “Uma referência para a ilustração e livro infantil”. A quebra de fronteiras entre os ilustradores e o aumento dos convites para a participação em feiras, concursos ou exposições em todos os cantos do mundo são, no seu entender, possibilitados pela iniciativa cultural com raízes no Barreiro e que o faz falar de uma dinâmica que não existia até então: “O intercâmbio que tem havido de informação, de conhecimento pessoal e de uma série de origens que estavam bastante distantes, foram proporcionadas pela ILUSTRARTE.”
Adianta ainda que são os próprios ilustradores, sobretudo os portugueses, que começam a olhar para a ILUSTRARTE “como uma espécie de marco”, como o traduzir de “um momento importante onde se faz uma espécie de avaliação do trabalho produzido num ano ou nos dois anos anteriores”.
Júri, um papel ingrato
E na 3.ª Edição da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, que se realiza este ano, João Vaz de Carvalho “vestiu” a pele de júri, uma tarefa que considera ingrata, mesmo apesar de reconhecer que “um concurso é um concurso e as regras são sempre definidas à partida e não há equívocos”, à parte disso diz ser sempre complicado estar a seleccionar 50 ilustradores dos 1360 que participam. E quando questionado com os critérios que tem em conta na avaliação, refere que a primeira impressão é um aspecto “quase determinante” e no qual “o contacto visual com o trabalho é fundamental”.
ILUSTRARTE - Um trabalho pessoal
Ainda sobre a ILUSTRARTE, sublinha que o trabalho realizado pelos comissários Ju Godinho e Eduardo Filipe são essenciais para a proximidade que se estabelece entre os ilustradores, pois considera: “de facto é um trabalho pessoal e depois isso passa para todos, há um benefício que ainda não está bem avaliado e ainda bem que não está porque os balanços fazem-se no fim.”
Naturalidade e imprevisibilidade na arte
Imbuído no espírito de: “Que as emoções que se transponham no quadro depois passem para quem as for capaz de receber, sejam elas adultos ou crianças”, João Vaz de Carvalho refere que a linguagem que utiliza na ilustração ou na pintura é a mesma e usa os termos naturalidade e imprevisibilidade quando fala de arte.
O humor é uma característica que ressalta nas suas pinturas, nos seus bonecos característicos, de pernas finas e gestos que evocam a dança, mas esse elemento humorístico adverte que não é algo de premeditado, surge com a mesma naturalidade com que lhe surgem as imagens e em que as ideias vão nascendo à luz do que não se prevê e sobre isso comenta: “há um lado divertido no meu trabalho mas não é uma coisa cerebral”. Um trabalho que diz ser uma aventura de cada vez que vai em busca de um desenho.
Andreia Lopes Gonçalves













