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Perspectivas

João Delgado, do Conselho de Administração da Mútua dos Pescadores«Antes de se falar em moratórias a Mútua dos Pescadores avançou com essas medidas»

. Eleições dia 28 de março

. Em Portugal cada português consome 57 Kg de pescado por ano, somos o terceiro maior consumidor de pescado do mundo, o maior da União Europeia

“A Mútua, com a sua intervenção no sector, representa os interesses do país e do sector no seu todo, por essa razão, poucas organizações tem as mesmas condições que a Mútua, para desenvolver plataformas de diálogo e ajudar a resolver os problemas comuns do sector da pesca e ao sector maritimo nacional”, salienta João Delgado.

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João Delgado, do Conselho de Administração da Mútua dos Pescadores «Antes de se falar em moratórias a Mútua dos Pescadores avançou com essas medidas»

Por Jornal Rostos

A Mútua dos Pescadores, única cooperativa de seguros portuguesa, vai eleger dia 28 de Março os seus órgãos sociais para o próximo mandato – 2021-2024.
Actualmente conta com cerca de 4000 associados, em todo o território nacional. O seu âmbito de actuação é muito maior, porque, em termos de utentes de seguros, tendo em conta os diversos niveis, seja os tomadores de seguros, sejam pessoas seguras ou segurados, a cooperativa envolve mais de 20 mil pessoas e estruturas.

Cobertura de toda costa maritima portuguesa

A Mútua dos Pescadores faz uma cobertura de toda costa maritima portuguesa, desde Caminha ao Corvo.
As comunidades piscatórias mais significativas nomeadamente Matosinhos, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Aveiro, Figueira da Foz, Peniche, Nazaré, onde apesar do declinio do sector ainda existe uma grande actividade, são nessas localidades onde a Mútua dos Pescadores mantém os seus balcões abertos.
No distrito de Setúbal, a Mútua tem a sua esfera de acção em diversos zonas, nomeadamente em Sesimbra, Costa da Caparica, Seixal, Setúbal, em todas as áreas ribeirinhas, no mar, no Rio Tejo ou rio Sado, onde decorrem actividades maritimas, de pesca, de recreio ou turisticas.

Mútua não vê o capital como um fim em si mesmo

João Delgado, candidato ao Conselho de Administração, numa breve conversa com o jornal «Rostos», sublinhou que nos mundo de hoje, dominado pelos grandes grupos financeiros ao níve mundial – “a Mútua dos Pescadores consegue resistir, na medida em que não vê o capital como um fim em si mesmo, vê o capital como um meio para fazer face, por um lado à viabilidade da organização, à melhoria das condições de trabalho dos seus trabalhadores, e, sendo uma organização sem fins lucrativos, no final de cada exercicio os excedentes são reinvestidos na organização, na sua reestruturação, e na reestruturação das comunidades, em diversos niveis, seja ao nível da preparação na área da segurança maritima, dos cooperadores da Mútua, com acções de formação e sensibilização, seja com o apoio a iniciativas culturais, como edição de livros, dinamizar o Teatro, sempre com uma temática de fundo que é a actividade maritima, onde a Mútua nasceu, onde se mantém e manterá por muitos anos.”

Barradas as oportunidades de desenvolvimento ao movimento cooperativo

No decorrer da nossa conversa interrogamos sobre o a papel e a importância do pensamento cooperativo no mundo de hoje, João Delgado, recordou que movimento cooperativo em Portugal desenvolveu uma acção importante após o 25 de Abril, ao longo do tempo perdeu alguma dinâmica, mas, nos dias de actuais – “mantém focos de resistência, com dinâmica e bem estruturados”, mas debate-se com a economia dominante, “que tem outras capacidades e outras redes, outros niveis de financiamento”.
Sublinhou que são barradas as oportunidades de desenvolvimento ao movimento cooperativo, não se faz diferenciação ao nível da fiscalidade, confrontando-se com a hegemonia das forças dominantes na economia – “o papel do cooperativismo é sempre um papel de resistência”.

Compromisso com as comunidades

“A Mútua dos Pescadores é um farol, esse é lema do nosso programa eleitoral, porque consideramos que no momento social e económico que estamos a viver, é, de facto uma organização essencial, neste tempo de dificuldades para a população, que as empresas estão em dificuldades os trabalhadores com perdas significativas de rendimentos, com impactos terriveis na vida das familias, exactamente, porque não nos guiamos pelo lucro, para dividir por accionistas, quer agora, quer quando da última crise financeira global, a Mútua continuou sólida, ligada às comunidades porque tem estes valores, próprios do movimento cooperativo que são os valores da solidariedade, da partilha e o compromisso com as comunidades”.

Antes de se falar em moratórias a Mútua dos Pescadores avançou com essas medidas

João Delgado referiu que perante os impactos da crise de saúde pública em sequência da pandemia do COVID, sentiram-se os efeitos em actividades maritima-turisticas, que sofreram uma grande redução, foi nesta área que a crise produziu efeitos com maior intensidade.
Recordou que, mesmo antes de se falar em moratórias para diversas áreas, a Mútua dos Pescadores avançou com essas medidas, junto aos seus tomadores de seguros, principalmente nesta área – “nós percebemos que não iam ter actividade, ao perceber isso, andámos à frente, por outro lado, em todas as actividades de pesca que as empresas decidiram não operar, por não existirem condições de segurança, e decidiram parar a sua actividade, nós, procedemos em conformidade com as necessidades dessas empresas, aplicando só o seguro de risco à embarcação”.

Votem e expressem a sua confiança nesta lista

João Delgado, deixou uma nota para os cooperadores, recordou que no acto eleitoral apenas concorre uma lista única, que tem como objectivo dar continuidade ao trabalho que tem mantido dinâmica a Mútua dos Pescadores, nos últimos 30 anos – “saltou de uma pequena empresa de seguros, para uma organização, do sector cooperativo, com uma dimensão significativa, quer do ponto de vista de dimensão social, disseminação pelo território nacional, pelo número de trabalhadores na sua estrutura, a influência que tem nos territórios onde desenvolve a sua actvidade, numa relação de proximidade, nesse sentido é importante que os cooperadores votem e expressem a sua confiança nesta lista. É importante a mobilização dos nossos cooperadores para votarem no próximo dia 28 de março.”

Continuar a reforçar a organização, prosseguir a renovação

João Delgado salientou que a lista que se candidata coloca como metas do seu trabalho, aprofundar o trabalho que tem vindo a ser feito, continuar a reforçar a organização, prosseguir a renovação de quadros, aliando a experiência dos mais antigos e transmitindo aos novos a identidade da cooperativa.
“Aqui não há seres iluminados, há acima de tudo um colectivo, que pretende em conjunto dar respostas às diversas frentes de trabalho”, sublinhou.

Necessidade que o país tem de ter um sector das pescas mais forte

No ponto de vista externo continuar a ganhar influência, alargar a mais empresas de pesca, turisticas e de náutica de recreio.
“Alertar para a necessidade do sector maritimo no seu todo se reforçar, e, particularmente no sector da pesca, onde a Mútua nasceu, divulgar na opinião pública a necessidade que o país tem de ter um sector das pescas mais forte”, referiu.
Recordou que em Portugal cada português consome 57 Kg de pescado por ano, somos o terceiro maior consumidor de pescado do mundo, o maior da União Europeia, de forma destacada.
“Isto não se compadece com a trajectória que se tem vivido nos últimos anos, que estamos a perder muitos mil pescadores por ano. Se queremos reequilibrar o sector, porque o país precisa, porque é necessário captar jovens para revitalizar o sector, temos que modernizar as nossas frotas para que os nossos jovens se sintam atraídos, porque trabalham em boas condições e condições de segurança, em tudo isto, a Mutua dos Pescadores tem que ter um papel, porque sendo uma organização que não representa a classe, mas representa vários interesses de todos, e, por representar interesses comuns a empregadores e empregados, a Mutua, com a sua intervenção no sector representa os interesses do país e do sector no seu todo, por essa razão, poucas organizações tem as mesmas condições que a Mutua, para desenvolver plataformas de diálogo e ajudar a resolver os problemas comuns do sector da pesca e ao sector maritimo nacional”.

Não há grandes mestres sem grandes tripulações

No final da nossa conversa, João Delgado, sublinhou o papel na Muta dos Pescadores do actual presidente do Conselho de Administração José Jerónimo Teixeira, que cessa funções - "não há grandes mestres sem grandes tripulações, mas também não há grandes tripulações sem grandes mestres. O Drº Jerónimo contou sempre com uma grande tripulação, mas foi, ele próprio, um grande arrais desta nossa embarcação. Ele vai continuar na Mesa da Assembleia Geral a integrar a nossa equipa."

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